26 de Janeiro de 2020,

Opinião

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Segunda-Feira, 09 de Dezembro de 2019, 08h:20 | Atualizado:

Gonçalo de Barros

Somos, missão e dever!

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Em recente pesquisa nacional, de responsabilidade da Fundação Getúlio Vargas – FGV, obteve-se como resultado que o Poder Judiciário é o mais bem avaliado dos poderes, com 52%, seguido pelo Executivo (34%) e Legislativo (19%).

A confiança depositada na Justiça brasileira é um sinal do compasso que há entre os operadores do Direito, especialmente os magistrados, e suas consciências críticas frente ao arcabouço jurídico pátrio e os casos postos a julgamentos.

Cada Ser responde a uma unidade complexa, com suas ideias, sonhos, culturas e aprendizados ao longo da vida. E o Ser que julga, aprende, desde então, a vestir sua toga com a consciência cívica e a esperança que se obriga. 

Não são os erros que faz do homem e da mulher marcas indeléveis. Isso é compreensível pela falibilidade humana. Mas os acertos na justiça, na tomada de posições corajosas e sublimes, que da alma se revela no momento de pronunciá-las. 

Sim, erramos! Mas acertamos, muito, também. Sendo dessa esmagadora maioria de acertos que faz, da magistratura brasileira, reconhecida pelo cidadão. A verdade se revela nos números. 

Quantas noites adentram os juízes, desembargadores, e ministros em seus ofícios de entregarem as decisões judiciais que o povo tanto necessita, logo pela manhã? Sacrificando a família e a si próprios em nome da honra e do sentimento de dever em ocupar um dos cargos mais complexos e requisitados de qualquer país democrático e civilizado?

Do Oiapoque ao Chuí, nos lugares mais longínquos e a esmo, às vezes transportados por barcos e canoas, juízes e juízas se revestem em protetores da Constituição e da correção normativa, da dignidade cidadã com coragem e responsabilidade, para levar justiça a quem dela necessita e clama. 

Sim, provavelmente é difícil passar num concurso para juiz! Todavia, mais emblemático e sofrido, ainda, é cumprir com a missão a nós confiada, e dela sair cônscio de ter feito o melhor, com todas as forças e energias possíveis, e às vezes até impossíveis, posto lavadas pelo suor e lágrimas da dedicação e do desprendimento pessoal. Há uma entrega, entrega de si!!!

Neste dia 8 de dezembro, dia da Justiça, marchamos convictos, soldados que somos, doadores de corpo e alma pelos brasileiros que, em resposta nas pesquisas como a que acima retratamos, nos dão a alegria do reconhecimento. 

A vida é combate, que os fracos abate; que os fortes, os bravos, só pode exaltar! (Gonçalves Dias).

Aos juízes e juízas não há outra opção; combatem, sempre e sempre, bravos que são!!!

Na cabeceira da minha cama, com muito carinho, a obra prima escrita por Lopez de Onate, ‘Filosofia Del Derecho’, e é dele as palavras: uma, e somente uma deve ser a norma na qual o sujeito deve inspirar-se para a ação; há que ser sempre fiel a si mesmo e obedecer a esse único imperativo, que realmente seja consciente de ser fiel a si mesmo. 

Meus togados e togadas de luta, dela, somos; fiéis, de nós...

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz de Direito, formado em Filosofia (UFMT).   

 

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