08 de Julho de 2020,

Polícia

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Sexta-Feira, 29 de Maio de 2020, 16h:05 | Atualizado:

ALVO DA INTERPOL

Bandido que matou jornalista no Paraguai é preso em MT

Wilson Acosta Marques vivia há dois anos em Chapada dos Guimarães

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Ação investigativa integrada da Polícia Civil de Campo Verde (131 km ao sul de Cuiabá) e Polícia Militar prendeu na manhã desta sexta-feira (29.05) um homem procurado pela Justiça de Mato Grosso do Sul e pela Interpol do Paraguai. A investigação contou com atuação de equipes da Polícia Civil de Campo Verde e da agência local de inteligência da Polícia Militar do município e de Chapada dos Guimarães.

O suspeito Wilson Acosta Marques, de 48 anos, foi localizado em uma casa simples, já na zona rural do município de Chapada dos Guimarães, onde ele mantinha uma borracharia e vivia com a família há dois anos.

Após checagem nos sistemas, os policiais apuraram que contra o homem, que tem dupla nacionalidade (paraguaia e brasileira), havia dois mandados de prisões expedidos pela comarca da justila do município de Sete Quedas (MS).  

Em consulta à Interpol, a Polícia Civil também constatou que o suspeito tem mandados de prisões expedidos pela Justiça paraguaia e que ele consta na lista vermelha dos mais procurados pela Interpol do país vizinho.

Durante a abordagem, o homem apresentou documento em nome de outra pessoa, como tendo nascido em 1978 e natural de Caarapó, também em Mato Grosso do Sul. Contudo, após entrevista na delegacia, ele confessou que o documento é falso, pelo qual pagou R$ 600,00 e pertenceria a um parente já falecido, informação que será apurada.

O delegado de Polícia de Campo Verde, Mário Roberto Santiago Junior, entrou em contato com a Interpol em Assuncion e obteve a informação de que o homem preso responde a diversos crimes no Paraguai. Ele tem, inclusive, envolvimento nas mortes do jornalista paraguaio Pablo Medina Velázquez e de sua assistente, Antónia Marines Almada Chamorro, ocorridas em outubro de 2014, em uma localidade na fronteira dos dois países. Três pessoas foram investigadas pelas mortes, sendo um deles o irmão do homem preso em Campo Verde, que seria o mandante dos homicídios, e um sobrinho dos dois.

Após os procedimentos policiais em Campo Verde, o homem será encaminhado para uma unidade prisional e colocado à disposição do Poder Judiciário.

Conforme denúncia do Ministério Público Federal contra um dos acusados pelos crimes, a morte do jornalista foi motivada por uma vingança das três pessoas envolvidas em represália às publicações do jornalista contra os Acosta no ABC Color, jornal de maior circulação no Paraguai. Medina publicou diversas matérias sobre Vilmar, então candidato a prefeito e depois prefeito da cidade paraguaia de Ypejhú, a quem atribuía vínculo com o narcotráfico na fronteira entre o Paraguai e o Brasil e envolvimento em crimes de homicídio nas regiões paraguaias de Villa Ygatimi e Ypejhú. Por conta das matérias, o jornalista recebia ameaças de morte por parte do político.

O crime ocorreu na tarde de 16 de outubro de 2014, em uma emboscada na estrada rural que liga a cidade de Villa Ygatimi à Colônia Ko’e Porá, localizadas no Departamento de Canindeyú. Usando vestimentas militares, tio e sobrinho simularam uma blitz e quando o carro do jornalista parou foi atingido por tiros. A assistente estava no banco do carona e também foi atingida.

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