Polícia Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 15h:58 | Atualizado:

Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 15h:58 | Atualizado:

CASO SCHEIFER

“Eu acredito que foi um erro, um acidente", diz ex-chefe do Bope

 

CÍNTIA BORGES E JAD LARANJEIRA
Midianews

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O tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira, ex-comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), disse não acreditar que o tiro que matou o tenente Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, em maio de 2017, tenha sido proposital.

A declaração foi dada durante audiência de instrução conduzida pelo juiz Marcos Faleiros, da Vara Militar de Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (11), na ação penal sobre o caso.

Três policiais militares do Bope foram denunciados pelo Ministério Público Estadual. Segundo a denúncia, eles mataram o colega de farda para encobrir um outro assassinato, ocorrido durante operação policial. 

O crime ocorreu no dia 13 de maio de 2017 no Distrito de União do Norte, em Peixoto de Azevedo (a 691 km ao Norte de Cuiabá). Os policiais estavam em uma missão na cidade para combater uma quadrilha do “Novo Cangaço”.

Segundo a denúncia, os policiais teriam matado o colega Scheifer para ocultar o assassinato de um acusado de roubo, identificado com Marconi Souza Santos.

À época o tenente-coronel era chefe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a quem Sheifer se reportava.

"Eu acredito que o tiro tenha sido acidental é não proposital. Tenho sentimentos como comandante, não de culpa, porque não foi eu que cometi o erro, mas de pesar. Hoje são quatro famílias destruídas. Eles erraram e assumiram o erro. Hoje a gente busca justiça e esse peso eu, como comandante, não queria estar aqui passando por isso", disse José Nildo.

José Nildo é a última testemunha de acusação a ser ouvida no caso. Já foram ouvidos, em audiência de instrução na semana passada, o cabo Alex Sander de Souza Vizentin, o sargento Antônio João da Silva Ribeiro, o segundo tenente Herbe Rodrigues da Silva, o tenente-coronel Jonas Puziol e o tenente-coronel Claudio Fernando Carneiro Souza.

São réus na ação os policiais militares Lucélio Gomes Jacinto (acusado de atirar), Joailton Lopes de Amorim e Werney Cavalcante Jovino.

Depoimento

Conforme José Nildo, após a realização do laudo pericial, que ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo Lucélio Jacinto, ele puniu o agente com 10 dias de detenção.

"Eu o puni administrativamente, se não me engano foi 10 dias de prisão. Mas optei por não transferir ele de unidade, até porque não tinha nenhuma conduta para retirada dele da unidade”.

O comandante disse que perguntou aos oficiais o motivo de eles não terem revidado os tiros, quando a versão ainda era sobre morte acidental de Shchefer.

“Eu tinha interesse na verdade, só que nos preferimos todos acreditar na versão dos policias, até pela credibilidade deles. Mas a dúvida também pairava, por isso abriu procedimento para apurar”.

"Eu perguntei a eles por que não efetuaram os disparos e revidaram. E o Lopes me disse que na hora se preocuparam em socorrer o tenente", contou.

No dia do assassinado de Marconi Souza Santos, integrante de uma quadrilha de roubo, o tenente Scheifer ligou para o comandante.

"Houve muita coisa, muita informação. Mas eu digo com certeza que eu recebi a informação desse confronto. Até coloquei no grupo de WhatsApp dos oficiais do Bope. Que tinha sido efetuada uma morte e prisões, que participaram da operação outros policiais”.

O comandante ainda negou que tenha ouvido falar de uma discussão entre Scheifer e os três acusados do envolvimento na morte. Isso porque testemunhas relataram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. 

"Essa situação a gente ouve pela imprensa. Eu creio que não tenha ocorrido. Se tivesse ocorrido tinha tomado as ações necessárias. Se tivesse algum problema nessa ocorrência, eu teria tomado providências e não dado continuidade a ocorrência".

Segundo o Ministério Público, os fatos começaram com a perseguição da viatura da Polícia Militar, cuja equipe estava sob o comando da vítima, a dois automóveis - um Nissan Frontier e o outro um Mitsubishi L-200 Triton - nos quais estavam os suspeitos de roubo.

Na ocasião, um dos veículos acabou tomando rumo ignorado e o outro perdeu o controle na estrada, quando quatro de seus ocupantes já desceram fazendo vários disparos contra os policiais.

A tentativa de prender os assaltantes que, inicialmente, parecia ter sido frustrada, acabou obtendo êxito no dia seguinte com apoio de outros militares que atuavam em cidades próximas.

Um dos veículos foi localizado em um posto de combustível na cidade de Matupá e o condutor, identificado como Agnailton Souza dos Santos, foi preso.

Consta na denúncia que a partir das informações obtidas no interrogatório do acusado, a equipe de agentes liderada por Scheifer fez o cerco policial a um imóvel localizado em um bairro na cidade de Matupá, para prender outros suspeitos.    

Durante a ocorrência, um deles, que “supostamente” portava arma de fogo, teria tentado fugir e foi atingido por um disparo de fuzil pelo cabo Lucélio Gomes Jacinto, morrendo em seguida. 

“Conforme restou apurado nos presentes autos, a lavratura do supracitado boletim de ocorrência foi objeto de divergências e até mesmo de desentendimento entre a vítima, TEN Scheifer, e o denunciado CB PM Lucélio Gomes Jacinto, pois, há fundadas suspeitas que fora inserida, no referido BO, declaração falsa, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, no que diz respeito às circunstâncias da morte do indivíduo Marconi Souza Santos”, descreveu o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza em sua denúncia.

Segundo ele, testemunhas relataram durante inquérito policial que presenciaram o desentendimento entre a equipe e o tenente Scheifer. Em um determinado momento, os denunciados teriam se reunido a portas fechadas para conversar sobre o ocorrido. 

Morte de Scheifer

No mesmo dia, durante diligência realizada no local do primeiro confronto com os ocupantes dos veículos, o tenente Scheifer foi atingido por um disparo na região abdominal.

Inicialmente, conforme o Ministério Público, os colegas de farda sustentaram que a vítima havia sido atingida por disparo feito por um assaltante não identificado, que estaria em meio à mata, do outro lado da rodovia.

Após a realização do laudo pericial, ficou comprovado que o projétil alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil portado pelo cabo Lucélio Jacinto. 

“Somente após a balística descortinar que o disparo que atingira mortalmente o TEN Scheifer ter saído da arma de fogo portada pelo denunciado CB PM Jacinto, que então mudando a versão de outrora, ele alegou ter se equivocado da pessoa do TEN Scheifer com a do suspeito”, afirmou o promotor de Justiça.

Segundo ele, nenhuma das versões apresentadas pelo autor dos disparo foi plausível. “A vítima foi atacada frontalmente (o denunciado afirmara que ela estava de costas) e, em posição de descanso (quando não há perigo pela frente), embora o acusado assevere que o ofendido se apresentava em posição de tiro “vietnamita” (uma forma de posição de ataque”)”, sustentou.

 





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Comentários (7)

  • Andre

    Sexta-Feira, 12 de Abril de 2019, 07h10
  • Esse sujeito tem que ser preso também, cara, estamos vivendo os piores tempo do ser humano, não existe mais caráter, honra, nada, são um bando de dissimulados, o promotor de justiça tem q representar com prisão contra esse cara, deve ser
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  • Sociedade

    Sexta-Feira, 12 de Abril de 2019, 02h33
  • Quem era o chefe da GRAMPOLANDIA....QUEM ERA O CORONEL QUE CHAMA TODOS OS PRAÇAS DE CABEÇA DE PIÇA.....
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  • Curiosa do Po??o

    Sexta-Feira, 12 de Abril de 2019, 00h36
  • Qual o grau de relacionamento desse que deu depoimento com o rapaz que deu o tiro no outro parceiro de trabalho?????
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  • Lucinda Silva

    Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 23h01
  • Tem que verificar o que rolou do passado entre a vítima e o suspeito pra saber se já não tinha algo embaçado entre os dois
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  • Homens do Mato

    Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 21h00
  • Como ex Cmt do Bope tb,observo q os atuais caveiras perderam o pouco de humildade q os antigos tinham; os novos se sentem os top das galáxias e se lixam por respeito,lealdade e disciplina, e vira essa torre de babel,pois onde já se viu comandados ,peitarem e discutirem com o líder. Esse caso tem q servir de lição aos novos caveiras , e a coragem e a lealdade as leis e aos comandantes,voltem a balizar a historia dessa lendária unidade da PMMT.
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  • Paulo

    Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 20h33
  • É óbvio que ele vai dizer isso mesmo.....se ele disser ao contrário,corre o risco de ser indiciado também,já quer era comandante dos caras que dispararam!!!
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  • Bredhot

    Quinta-Feira, 11 de Abril de 2019, 17h03
  • Também foi um acidente Cel ZAQUEU grampear as pessoas de maneira ilegalmente
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