10 de Agosto de 2020,

Política

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Quarta-Feira, 24 de Janeiro de 2018, 14h:05 | Atualizado:

'Autoconhecimento', diz ex-governador sobre curso de teologia

O ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB), que cumpre prisão domiciliar após dois anos preso sob acusação de liderar uma organização criminosa que desviou dinheiro público, está cursando teologia à distância na Universidade da Bíblia, em São Paulo. Ele foi condenado a mais de 13 anos de prisão por formação de quadrilha, concussão e lavagem de dinheiro.

Silval disse que o curso de bacharel em teologia, que está fazendo, tem a carga horária de 2.800 horas, e que busca, com isso, o autoconhecimento.

"Estou fazer o curso para autoconhecimento", disse. "Se Deus quiser também (posso ser pastor), mas o curso é para autoconhecimento mesmo", afirmou, ao ser questionado se pretende ser pastor.

O ex-governador, que é formado em direito, contou que sua rotina se resume a estudar em casa, ajudar a mulher dele, ex-secretária estadual de Assistêncial Social Roseli Barbosa, em casa, e ir às audiências dos processos aos quais responde.

"Só saio de dentro do apartamento para participar das audiências, por força da lei, porque estou em prisão domiciliar. Minha rotina é ler, fazer cursos, ver os processos. Leio todos os tipos de livros", disse.

Ele contou que não tem recebido ninguém em casa. "Só esposa e família e advogado, dentro de casa. Não tenho recebido ninguém porque quero cumprir a lei, sem causar problema para ninguém", afirmou.

Ele foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão por desviar, junto com outros integrantes do esquema, mais de R$ 2,5 milhões dos cofres públicos por meio da concessão fraudulenta de incentivos fiscais a empresários, por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).

O crime foi investigado na Operação Sodoma I, da Delegacia Fazendária (Defaz), ainda durante a segunda gestão de Silval, entre os anos de 2011 e 2014.

Delação

Silval confessou a participação no crime e firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público (MPF).

A delação dele expôs vários políticos de Mato Grosso, pois, além de dar detalhes de como os esquemas funcionavam, ele entregou provas. A mais polêmica delas foi um vídeo que mostra políticos recebendo dinheiro vivo das mãos do ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Corrêa.

Em liberdade

Em junho do ano passado, Silval foi autorizado a cumprir a pena em regime domiciliar. Ele não pode se ausentar da residência dele, além de ter que usar tornozeleira eletrônica em tempo integral.

No acordo que fez com a Justiça para deixar a prisão, ele se comprometeu a devolver R$ 46,6 milhões desviados dos cofres públicos por meio da alienação de cinco bens, entre eles duas fazendas, avaliadas em R$ 33 milhões e R$ 10 milhões, e um avião de R$ 900 mil.

Condenação

Na mesma decisão de dezembro de 2017, a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou os ex-secretários estaduais Pedro Nadaf (Casa Civil) e Marcel de Cursi (Fazenda); o procurador aposentado Francisco Lima de Andrade, o Chico Lima; o ex-chefe de gabinete do ex-governador, Sílvio Cézar Corrêa de Araújo; e a ex-assessora de Nadaf, Karla Cecília de Oliveira Cintra.

Silval Barbosa, Pedro Nadaf e Sílvio Cézar confessaram as respectivas participações na fraude e firmaram acordo de delação premiada, resultando na redução das penas às quais inicialmente seriam condenados.

No caso do ex-governador, a colaboração não foi considerada suficiente na ação penal conclusa.

“Com efeito, no caso em exame e especificamente no que diz respeito à imputação de organização criminosa, vejo que o réu não foi suficientemente sincero e não colaborou como deveria, ao menos em sede judicial”, disse a juíza na época.

O esquema

Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o esquema passava por três etapas: fraude na concessão de benefícios fiscais, pagamento de propina e lavagem do dinheiro arrecadado ilegalmente.

O empresário João Rosa contou que, para ter suas empresas incluídas no Prodeic, foi convencido a abrir mão de um crédito de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de aproximadamente R$ 2,6 milhões a que tinha direito.

Depois disso, mesmo já tendo aberto mão do crédito, o empresário contou que foi forçado a realizar pagamentos mensais a Pedro Nadaf. O ex-secretário chegou a dizer-lhe que Silval Barbosa precisava saldar dívidas da campanha de 2010.

 



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