23 de Agosto de 2019,

Política

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Sábado, 13 de Julho de 2019, 14h:00 | Atualizado:

MATERNIDADE TELEFÔNICA

Cabo acusa ex-chefe do Gaeco de mandar grampear deputada, mas MP rejeita delação em MT

Janaína teria sido alvo de interceptação para que Gaeco prendesse seu pai, José Riva


Da Redação

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Dentre nove fatos apresentados pelo cabo da Polícia Militar, Gérson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, em sua tentativa de fazer um acordo de colaboração premiada junto ao Ministério Público Estadual (MPE) no bojo das investigações da “Grampolândia Pantaneira”, consta que a deputada estadual Janaina Riva (MDB) teria sido grampeada ilegalmente na modalidade “barriga de aluguel". O militar alegou que o número do telefone celular da parlamentar teria sido inserido por ele numa investigação contra traficantes de drogas em andamento na Comarca de Cáceres (225 Km de Cuiabá) por determinação do promotor de Justiça, Marco Aurélio de Castro e dos coronéis Zaqueu Barbosa (ex-comandante geral da PM) e Evandro Alexandre Ferraz Lesco, ex-chefe da Casa Militar na gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB). 

Porém, ao final ele mesmo se autodesmentiu e outras pessoas citadas como conhecedoras do fato, negaram tal versão e a almejada delação restou fracassada. Com isso, o procedimento foi arquivado no dia 5 deste mês pelo procurador de Justiça, Domingos Sávio de Barros Arruda, coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originárias (Naco Criminal) no Ministério Público. 

Conforme o cabo Gérson, o objetivo da escuta clandestina contra a parlamentar seria averiguar se ela estaria dando continuidade a esquemas de corrupção e  desvio de dinheiro na Assembleia Legislativa que eram chefiados pelo pai dela, o ex-deputado José Geraldo Riva e que foram alvos da Operação Metástase, deflagrada em 2015 pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

Tal informação, ou seja, fatos da Operação Metástase, conforme consta no documento obtido por FOLHAMAX, seria um fato novo preenchendo os requisitos para um acordo de colaboração premiada com o MPE. Mas desde que fossem verdadeiros e o interessado no acordo apresentasse documentos e provas que confirmassem suas denúncias. Mas conforme afirma Domingos Sávio, o cabo Gérson Corrêa foi “pego na mentira” em várias situações. 

"Assim é que, ante todos esses elementos apontados, indicadores de uma série de inverossimilhanças, há de se convier, sem sombra de dúvida, que a versão ora apresentada pelo requerente em relação ao fato 02, o único que hipoteticamente atenderia a todas as condições para celebração do acordo de colaboração premiada, não goza de credibilidade alguma", afirma o coordenador do Naco Criminal no procedimento administrativo instaurado a partir de uma petição protocolada pela defesa do militar sob o advogado Neyman Augusto Monteiro no dia 11 de março deste ano.  

OPERAÇÃO METÁSTASE

De acordo com a versão inicial do militar, em março de 2015, logo após José Geraldo Riva ter encerrado seu mandato eletivo, foi instaurado o procedimento investigatório criminal 001/2015, no âmbito do Gaeco para apurar crimes contra a administração pública supostamente praticados pelo ex-parlamentar, por servidores que integravam seu gabinete, além de empresários. 

Nessa ocasião, segundo Gérson Corrêa, os promotores de Justiça, Marco Aurélio de Castro e Samuel Frungilo entregaram aos agentes do Gaeco uma relação de nomes, (dentre os quais constava o da já parlamentar Janaina Riva, para que fossem checados perante as operadoras de telefonia quais os números dos terminais telefônicos eram utilizados por àquelas pessoas. No mês seguinte, abril de 2015, conforme declarou o cabo da PM, por ordem do juízo da Sétima Vara Criminal da Comarca de Cuiabá/MT, as interceptações telefônicas foram realizadas, sem, contudo, atingirem os membros da "Família Riva", que não foram nelas incluídos. 

ocorre que, segundo o militar, em agosto de 2015, suspeitando de que a deputada Janaina Riva dava continuidade, em seu gabinete, aos mesmos esquemas fraudulentos perpetrados por seu pai, o promotor Marco Aurélio de Castro teria lhe chamado em seu gabinete e lhe dito que era necessário realizar a interceptação telefônica da parlamentar. 

AUTORIZAÇÃO

Diante disso, o cabo Gérson alega ter sugerido ao promotor Marco Aurélio que essa providência fosse feita por meio do "Núcleo de Inteligência" da Polícia Militar (o centro operacional, clandestino, da Grampolândia Pantaneira"). O ex-chefe do Gaeco teria concordado. Assim, conforme o Gérson, foi solicitada a autorização dos coronéis Lesco e Zaqueu. Depois ele inseriu num dos relatórios de interceptação telefônica num procedimento criminal que tramitava em Cáceres o telefone pertencente à deputada Janaina Riva sob o pretexto de pertencer a um traficante de drogas conhecido por "Janair".  

Conforme o militar, o coronel Zaqueu Barbosa autorizou que se procedesse à interceptação perante a "Central de Inteligência".

Gérson relatou, no entanto, que a interceptação do telefone da parlamentar "não teve grandes resultados, pois durante todo o período ela não utilizou o aparelho. Ao final, ele diz ter informado ao promotor Marco Aurélio a respeito do resultado frustrante e assim a diligência não foi renovada. 

Mas de acordo com Domingos Sávio, a imputação feita pelo cabo Gérson ao promotor de Marco Aurélio carece de lastro probatório mínimo. “Da acurada análise dos autos, bem se nota que o interessado, definitivamente, não trouxe a este procedimento elemento probatório material algum a respeito da imputação lançada contra a o Dr. Marco Aurélio de Castro”. 

Esclarece que só existia a mera palavra de Gérson, sendo insuficiente para embasar uma eventual condenação. “Ainda que o colaborador indique nome de pessoas que, segundo aduz, podem confirmar essa versão por ele dada, as quais o teriam autorizado a atender à ‘solicitação’ do promotor de Justiça (no caso, são elas: os coronéis Lesco e Zaqueu), o grau probatório dessa imputação resta, sem dúvida, fragilizado, mesmo porque, aquelas pessoas, como todos sabem, figuram como réus e investigado numa série de procedimentos criminais”, pondera. 

CONTRADIÇÕES DO CABO

Domingos Savio elenca uma série de contradições nas palavras do cabo Gérson e afirma que se confrontado o que foi dito na minuta de elaboração da delação o que declarou nos autos da ação penal que tramita na 11ª Vara Criminal de Cuiabá contra ele e  em outros inquéritos policiais, “passa a ser gritante, escandalosa, a desarmonia entre as suas palavras”. 

Em interrogatório realizado em 6 de junho de 2017 no inquérito policial que deu origem à ação penal, o militar atribuiu a inclusão no pedido de interceptação, feito parente o juízo da Comarca de Cáceres, do celular de Janaina Riva a um lapso de sua parte, "um erro material posto que houve um erro de DDD". 

O coronel Zaqueu Barbosa, que segundo Gérson, teria "autorizado" a atender o "pedido do promotor Marco Aurélio para incluir o telefone da deputada no relatório declarou em seu interrogatório em 27 de junho de 2017 realizado no inquérito policial militar que "nunca perguntou ao CB PM Gerson Corrêa ou ao coronel Lesco se os promotores de Justiça sabiam da atividade exercida por Gérson na Central de Ingeligência, além de que ele nunca teve conhecimento da interceptação de uma deputada estadual". 

Outra contradição apontada é no inquérito policial que tramitou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e hoje está na 7 Vara Criminal de Cuiabá. Nele o cabo Gérson Corrêa quando inquirido pela Procuradoria da República se "dentro do Ministério Público do Estado ele que fazia esse trabalho também no Núcleo de Inteligência", respondeu negativamente afirmando o seguinte: "Nunca fui questionado e não tive porque ter que informar ninguém a respeito dessa investigação, já que se tratava de algo sigiloso". 

O coronel Evandro Lesco, também prestou depoimento no dia 28 de setembro de 2017 mesmo inquérito e ao ser interpelado pelo Ministério Público Federal sobre o grampo no celular da deputada, declarou não saber de interceptação de deputada e afirmou que sequer conhecia a parlamentar a não ser por notícias veículadas na imprensa.  

"Perceba-se que todos os depoimentos citados, os quais foram prestados em fase inquisitorial, infirmam, categoricamente, a versão dada pelo colaborador neste procedimento administrativo”, afirma Domingos Sávio ao ressaltar que as declarações prestadas por Gérson sob o crivo do contraditório apontam numa direção oposta à que ele indica a fim de fazer delação premiada “ensejando um diferente olhar dos fatos”. 

Por fim, o representante do Ministério Público observou que em audiência em 16 de maio deste ano o cabo Gérson infirmou sem perceber a acusação de que o promotor de Justiça Marco Aurélio em agosto de 2015, teria lhe pedido para incluir o celular da deputada Janaina Riva numa interceptação que era realizada no famigerado "Núcleo de Inteligência" clandestino. 

Dessa forma, Domingos Sávio mandou arquivar o procedimento ressaltando que o Ministério Público não deve celebrar qualquer acordo de colaboração premiada com o militar. Mandou intimar o cabo Gérson a comparecer ao Naco Criminal em data atendada para receber os documentos que tinham sido entregues por ele.

VEJA DEPOIMENTO

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Comentários (9)

  • Carlos Nunes | Domingo, 14 de Julho de 2019, 12h03
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    Ih! Gostaria de saber Quem foi que pagou o Hacker russo espião, pra raquear 1 Juiz Federal, 1 Procurador da República, e outros? A PF tá investigando pra saber Quem mais o Hacker raqueou? Tudo indica que ele raqueou várias autoridades e até jornalistas. A diferença entre o Hacker russo espião e o Cabo é que...o simples Cabo só cumpriu ordens...agora Hacker russo espião é mercenário, se pagar bem, raqueia até a mãe (dos outros é claro). Tão dizendo que essa Grampolândia Pantaneira é crime, querem punir o Cabo e outros...e o raqueamento das autoridades brasileiras? E crime ou não é crime? Tio Glenn, gringo americano, do The Intercept Brasil, tá apresentando o Hacker como herói nacional. De espião a herói? Se esse Hacker é herói...o nosso Cabo também deve ser, ou não? Sei lá. No Brasil, terra das inversões de valores tremenda, não é mais o gato que come o peixe do aquário...é o peixe que come o gato, uai.

  • Leitor | Domingo, 14 de Julho de 2019, 08h12
    0
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    Então quer dizer que a estrelinha do Gaeco que sempre vibrou em prender pessoas combinado com a Senadora está envolvido na Grampolândia. Ninguém me tira que esse purpurinado tem culpa nisso que o estão acusando. Aqui se faz aqui se paga.

  • Ângela | Sábado, 13 de Julho de 2019, 18h58
    12
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    Fui um dos ouvidos por esse Marco Aurelio em uma dessas operações. Qndo o questionei pq da minha prisão abtes de ser ouvido, ele me disse que todos q foram presos naquele dia foram 1 mal necessário para prender o Riva. Esse cara ê um vagabundo.

  • Afastamento ja | Sábado, 13 de Julho de 2019, 18h31
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    0

    Agora juntando as pecas se entende o porque este MP nao esta fazendo a coisa certa agora, pq estao perdendo tempo em esconder as merdas que fizeram com o maricas pedro taques, preocupado em ouvir conversa alheia estao deixando o Botelho ir p TC com tantas interrogacoes sobre o detran e outras coisnhas a mais q tds sabem, ja nao basta o malouf ? Ta na hr de afastar esta corja seletista , que se colocam como santos p sociedade

  • José | Sábado, 13 de Julho de 2019, 18h25
    8
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    De novo este blá blá já sebem quem montou o esquema sabem quem pagou quem participou quem foi grampeado sabem também que tem políticos envolvidos aí ficam nesta lenga lenga e todo mundo sebe que vai acabar em pizza?

  • João Celestino | Sábado, 13 de Julho de 2019, 17h48
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    Só trouxa pra cair nesse papo do MPE. Se foi comprovado que o telefone foi interceptado e o Cb Gérson não dispunha de autoridade, tampouco autonomia para operar o sistema Guardião que é de propriedade do GAECO, então como isso aconteceu? Mete essa não fi! O MP só pode estar brincando com a cara da sociedade matogrossense. Com que autoridade um Cb da PM iria determinar que as empresas de telefonia fornecessem os dados do terminal e como poderia inserir os dados no Sistema Guardião, sem a quiescencia do chefe do GAECO? Tão de sacanagem com a nossa cara! Pra cima deles Desembargador Perri.

  • Estilingue | Sábado, 13 de Julho de 2019, 17h29
    19
    0

    Excelente tática,mas perceptível , ESCONDEREM O DR MARCO AURELIO DE CASTRO,MANDANDO O MESMO PARA CONCHINCHINA FAZER UM CURSO PARA q fosse esquecido e ainda soltaram um notícia de q o mesmo PODERIA deixar a carreira,pura balela.Esse promotor deixou indícios de ter participado da GRAMPOLANDIA e está sendo entregue nas DELACOES dos seus subordinados da PM. Alguém acima do DR MARCO AURÉLIO DE CASTRO ,na epoca dos grampos, deve estar preocupado se o mesmo for desmascarado pelos PM ,aí sim a justiça vai começar a ser feita,E não só os PM pagarem todo o pato.

  • Bredhot | Sábado, 13 de Julho de 2019, 16h09
    16
    1

    A CORDA ARREBENTA SEMPRE LADO MAIS FRACO E O MAIS FRACO AI E O CABO VEIO

  • Edmilson rosa | Sábado, 13 de Julho de 2019, 15h35
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    0

    Se o cabo grampeou foi a mando de alguém. Falar que não é suficiente.....Janaína também não vai falar nada.ou vai ficar quieto pr não prejudicar seu pai José Geraldo Riva.

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