24 de Agosto de 2019,

Política

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Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 14h:09 | Atualizado:

GRAMPOLÂNDIA AO VIVO

Cabo delata que deputado foi vítima de grampos ilegais em MT

Correa denuncia que 2 promotores fizeram grampos ilegais nas famílias Riva e Silval e 15 operações


Da Redação

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A 11ª Vara Criminal de Cuiabá, que julga crimes militares, ouve na tarde desta quarta-feira (17) o cabo da PM, Gerson Luiz Correa Junior. Ele será reinterrogado na ação que trata sobre os grampos ilegais em Mato Grosso, no esquema denominado “Grampolândia Pantaneira”.

Ontem, a Vara Militar ouviu os coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco. Eles confessaram terem participado do esquema, criado em 2014 durante a campanha do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e que permaneceu durante um período da gestão. Lesco ainda revelou que operações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) que apuraram crimes de corrupção foram baseadas em escutas por meio de “barriga de aluguel”.

Gerson, que já havia confessado participação no esquema em depoimento em junho de 2018, deve fazer novas revelações sobre o caso. Ele chegou a tentar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público trazendo a luz 9 fatos dos quais participou ou teve conhecimento. Alguns, comprometiam membros do Ministério Público Estadual que já atuaram no Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado).

Contudo, a proposta foi rejeitada pelo procurador Domingos Sávio, coordenador do Naco (Núcleo de Atuação de Competência Originária). O membro do MPE alegou que o cabo não trazia fatos novos, nem provas das acusações que levava.

 

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19H04 - Acaba o depoimento de Gérson Correa. Ele falou por quase 5 horas. Antes de encerrar a audiência, o juiz Marcos Faleiros anuncia que novas audiências no processo ocorrerão nos dias 6, 7 e 8 de novembro.

19H03 - "O senhor está arrependido de tudo que fez?", questiona a defesa de Gerson. Ele responde: "Com certeza, sem nenhuma dúvida. Minha conduta é ilibada. Até hoje meu comportamento na Polícia Militar é o melhor de todos. Não tem nada que pode macular minha imagem, agora só esse fato e estou aqui hoje esclarecendo", respondeu o militar.

19H01 - Gerson foi questionado por sua própria defesa sobre a participação de outro militar réu no processo, nos fatos da "Grampolândia". Respondeu que nem sabe por qual motivo o tenente-coronel Januário Antônio Batista foi denunciado, porque ele nem sabia do esquema de grampos e ambos nunca conversaram sobre o assunto.

No inquérito policial militar consta que Januário era chefe de Gerson no Gaeco e permitia as faltas de Gerson ao trabalho sem tomar providências. Gerson afirma que não faltava no Gaeco e que as acusações contra o tenente-coronel Januário Batista caem por terra.

A defesa pergunta ao militar se foi prometido a ele algum benefício caso algumas provas de interceptações de processos mencionados forem anuladas. Ele nega e afirma não ter motivo para ter colaborado em quaisquer processos de outras operações do Gaeco citados por ele como utilizadores de provas obtidas por escutas ilegais.

18H55 - Ao término dos questionamentos, Vinicius Gahyva observou que Gerson já atuou inclusive, na segurança dele no Ministério Público e elogiou a postura séria do militar fazendo elogios. Mas se disse preocupado com a finalidade de tudo isso, que talvez possa ser para descredenciar a atuação Estado em prol da sociedade por questões que precisam ser apuradas. Ele afirma que ninguém pode estar à margem da lei e que as instituições e leis precisam ser respeitadas e que, na condução dos trabalhos, os advogados dos réus devem ter tal percepção para não denegrir algo muito maior em detrimento a questões menores e pessoais.

 

O cabo Gerson disse que faz as palavras de Gahyva as mesmas para o MP e diz que as instituições são maiores que as pessoas. Afirma Que o Gaeco é maior que qualquer promotor, "X ou Y", e que a PM foi jogada na lama por pessoas, inclusive ele. "A PM foi a que mais sofreu, nenhuma outra sofreu nesse caso como a Polícia Militar. Não vamos jogar tudo isso na lama, eu citei aqui pessoas, o Gaeco vai continuar existindo assim como a Polícia Militar sobreviveu, 2017 foi de muitas turbulências para a Polícia Militar", ponderou Gerson.

18H40 - "Doutor, eu não vou responder, mas gostaria que repetisse a pergunta", disse Gerson Corrêa ao promotor Vinicius Gahyva que questionava se ele, enquanto réu no processo, entende ser conveniente que alguma autoridade, em tese envolvida em alguma trama ilegal, participe do processo. O promotor refez o questionamento, mas o militar continuou calado pedindo a "próxima pergunta".

18H29 - Depois de alguns embates e falas alteradas, o cabo Gerson Correa decidiu não responder mais as perguntas do promotor. A cada questionamento ele responde: "próxima pergunta". Correa falou ao promotor para elaborar uma lista de perguntas e passar pro advogado dele que ia fazer um filtro e decidir quais delas ele iria responder.

18H25 - Os questionamentos do promotor tem sido rebatidos pelo réu com outras perguntas e questionamentos o que gerou um momento de tensão na audiência a ponto dos juízes intervirem e exigirem respeito. 

"Eu gosto do embate, mas tem que ser no nível respeitável. O senhor faz todas as perguntas e minha defesa vai filtrar e ver quais eu quero responder", disse o cabo Gerson Corrêa. 

"Agora criamos o códio penal do réu", retrucou Gahyva. Conforme ele, é a primeira vez que presencia um réu alterar a voz a ponto de um dos juízes militares pedir que ele respeite a autoridade, no caso o representante do MPE e o juiz Marcos Faleiros.

18H18 - "O vazamento seletivo está em todo lugar, assim como ocorre no Gaeco agora aconteceu comigo", diz o cabo Gerson afirmando que agora é oportuno para ele e sua defesa falar tudo, incluindo fatos que ele não relatou nos outros interrogatórios. Ele fez a afirmação quando advogados contestaram o fato do membro do Ministério Público continuar fazendo perguntas a Gerson envolvendo outros membros do Gaeco. 

Gahyva pergunta se o militar mentiu para o juiz em audiência anterior quando afirmou que os promotores Marco Aurélio e Samuel Frungilo nunca tinham ouvido falar que ele praticava interceptações telefônicas dentro do Gaeco. O réu justifica que foi uma estratégia de defesa adotada naquela ocasião. "O réu pode tudo né?", questiona Gerson.

18H08 - "Estou abismado de ver o senhor defendendo o Pedro Taques.. Espero estar enganado, mas essa noite vou refletir sobre isso", diz Gerson. Diz ser estranho Gahyva perguntar a ele por que o então governador fez manobra para barrar as investigações e prejudicar as tentativas de delação quando os autos foram remetidos ao STJ. Gahyva diz que é incumbência ao MP garantir a legalidade, o estado democrático de direito e nega defender a pessoa do ex-governador.

18H03 - Gahyva segue fazendo questionamentos ao militar, dentre eles sobre as quebras de sigilo, a origem dos números e outros detalhes, inclusive, técnicos. Ele questiona sobre os motivos de promotores ou procuradores atribuirem funções a outras pessoas envolvendo questões de interceptações telefônicas. "Facilidade ou preguiça", resume Gerson ao membro do Ministério Público sobre ordens de serviços repassadas por promotores a policiais integrantes do Gaeco executarem.

17H51 - Diante de questionanentos do membro do Ministério Público ao alertar o réu para não generalizar e colocar a instituição Ministério Público toda sob suspeição, Gerson diz ter atuado no Gaeco com cerca de 15 a 20 promotores e que, segundo o policial militar, pelo menos seis deles praticaram ilegalidades dentro do Gaeco. Ele cita os nomes de Marco Aurélio Castro, Paulo Roberto Prado, Samuel Frungilo, Marcos Regenold, Célio Wilson e Marcos Bulhões. Diz que alguns fatos que ele tem conhecimento remetem também ao promotor Arnaldo Justino. Em relação a Gahyva, Gerson diz não ter conhecimento de qualquer conduta inadequada. "Se todos os promotores fossem igual o senhor, a legalidade estaria bem melhor do que estamos hoje dentro do Gaeco. Ouvia essas pessoas com qual finalidade? Inteligência", diz Gerson ao membro do Ministério Público ao tentar justificar nomes de pessoas alheias às investigações, mas que foram alvos de escutas clandestinas no esquema de arapongagem. Segundo ele, esses relatórios produzidos são conhecimentos para subsidiar gestores lá na frente.

17h41 - Após um intervalo, a audiência é retomada com questionamentos do MPE. "Eu sou um criminoso e estou sentado aqui admitindo que errei. Eu só queria que da mesma forma os promotores também fossem investigados", afirma Gerson ao responder questionamentos do promotor Vinicius Gahyva que pergunta sobre a demora em trazer as informações e acusações direcionadas aos membros do Ministério Público.

17H05 - Um dos juízes quer saber se Gerson Correa obteve benefícios financeiros por ser o principal operador da central de escutas. Ele afirma que não ganhou um centavo com as escutas. "Pelo contrário, eu tirava do meu bolso até para pagar estacionamento", diz o militar afirmando que no máximo que ganhou de benefícios foi a amizade do coronel Evandro Lesco Ferraz. "A pessoa que tenho mais lealdade é o coronel Lesco. Ele me colocou e era um guarda-chuva pra mim e eu estava bem acobertado. Fui, sou e serei grato a amizade do coronel Lesco que vou sempre considerar. Segurei a onda dele nos dois outros interrogatórios e não joguei nada pra cima dele. Ontem, ele pra minha alegria e felicidade ele só confirmou o que eu já tinha falado", relata o cabo Gerson.

17H00 - Gerson, ao ser questionado por um dos juízes militares, revela que em 2017 ele destruiu as placas usadas nas interceptações antes da implantação do sistema Sentinela. Ele conta que guardou os objetos por um longo tempo na casa da mãe dele, mas por medo de ser alvo de busca e apreensão destruiu as placas. "Uma pena porque não houve busca e apreensão e hoje eu poderia apresentar elas aqui e provar que pertenciam ao Gaeco", diz o militar. Um dos juízes militares questiona o militar como pretendia fazer delação junto ao Ministério Público narrando esses fatos contra promotores. Ele diz que bateu em várias portas, na Polícia Civil até subir ao STJ depois no Ministério Público Federal onde fez entrevistas, depois com o promotor Alan do Ó no Ministério Público. Ele não critica Alan por entender que não era da competência dele. "Os delegados são competentes?" questiona um dos juízes ao cabo Gerson se ele acredita que membros da Polícia Civil teriam competência para investigar pessoas com foro por prerrogativa de função. "Eu queria narrar tudo para subir para o Tribunal de Justiça, mas subiu pata o STJ e ficou por lá", diz Gerson. Depois o militar relata que o Naco deveria tomar providências e investigar e não "dar um despacho horroroso daquele defendendo os promotores".

16H48 - Agora o Gerson responde questionamentos dos juízes militares e também do magistrado. Nenhuma grande novidade.

16H30 - Ele confirma a escuta do coronel Mendes sobre a ida de Janete Riva para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Gerson confirma que tal fato foi colhido no Núcleo de Inteligência da Grampolândia e depois levado por ele ao coronel Zaqueu Barbosa que repassou ao governador Pedro Taques.

Conforme o cabo Gerson, os fatos seguem ordem cronológica e que os militares não eram donos, pois apenas foram usados para operacionalizar o sistema. "O maior interesse era do governador Pedro Taques com uma ressalva: o interesse na Janaína Riva era do Gaeco", volta afirmar o militar.

16H22 - Lembra que já tinham monitorados cerca de 120 alvos até dezembro de 2014, entre policiais militares e políticos. A partir de janeiro de 2015, teve outros nomes importantes como um assessor do então vice-governador Carlos Fávaro. Para não interceptar Fávaro diretamente foi interceptado um analista de Carlos Fávro, a mando do então governador Pedro Taques. "A intenção era bisbilhotar o subcomando do vice-governador. Esses números eu pegava diretamente na Casa Mililtar", afirma Gerson. Explica ainda que a inclusão dos médicos também foi em 2015 para apurar suposto esquema em Alta Floresta da OSS (Organização Social de Saúde) que atuava na cidade. O Marcelo Costa era o policial militar que atuava em questões de saúde e também foi interceptado", diz Gerson. Os grampos do Sentinela foram até outubro de 2015 quando o então secretário estadual de Segurança, Mauro Zaque, promotor de Justiça, tomou conhecimento dos fatos e chamou os envolvidos para conversar. A partir daí, foram destruídas gravações. "Foram destruídos por mim. Eu destrui todos os arquivos de áudios, quebrei e joguei no rio tudo isso, quebrado mas joguei. Todas as informações de áudios nunca vai vir à tona porque destruí tudo, exceto alguns pendrives que eram gravados informações e passadas para o Paulo Taques. São áudios de que estava tendo vazamentos de informações da Casa Civil, onde Muvuca obtinha informações privilegiadas na Casa Civil. Esses áudios fiz um resuminho e entreguei ao coronel Lesco. Não sei se foi ele ou o Siqueira que levou ao Paulo Taques", diz Gerson Corrêa.

16H15 - Correa reafirma que inicialmente os números interceptados eram apenas de policiais militares. Depois, quando faltavam poucos dias antes das eleições, aportaram novos números para serem interceptados. Houve relatórios com nomes de José Antônio Rosa, do grupo Riva, José do Patrocínio, advogado do candidato Lúdio Cabral (PT), Tatiane Sangalli, ex-amante de Paulo Taques, jornalista Muvuca, desafeto do então senador Pedro Taques, vereador Vinicyus Correa Hugueney, que em tese iria comprar votos nas eleições e por isso foi monitorado, Eduardo Gomes Filho, assessor do então deputado Wagner Ramos, Larissa Malheiros, jornalista ligada à Casa Civil. E o coronel Mendes porque segundo informações, era o braço direito de José Riva e Janete Riva no setor de inteligência. Diziam que Riva tinha uma central clandestina também, mas nunca foi provado nada disso, afirma o cabo Gerson Corrêa. Ele diz que o desembargador aposentado José Ferreira Leite foi grampeado por equívoco porque seu celular era parecido com o de Tatiane Sangalli. Cabo Gerson afirma que o coronel Lesco tomou o cano do Paulo Taques, pois fez empréstimos e bancou com dinheiro próprio. Foi o coronel Lesco em meados de 2015 decidiu avançar com o projeto Sentinela para suprir deficiências do antigo esquema via placas do sistema Wytron. Por isso, Lesco passou a fazer empréstimos e bancou parte dos custos sob assertiva de que Paulo Taques iria continuar a bancar os custos.

16H07 - As placas ficavam no setor de vililância telefônica onde Gerson atuava. Por isso, ele afirma ter certeza que elas eram do Gaeco. Ele afirma que as entregou ao ex-procurador geral de Justiça, Paulo Prado. Depois nunca, mais as viu até vê-las em posse do coronel Zaqueu para a montagem da central de escutas clandestinas. Agora, ele começa narrar detalhes das reuniões já ditas pelos coronéis Lesco e Zaqueu sobre encontros e conversas sobre orçamentos e valores para comprar os equipamentos. Ele confirma que inicialmente colocaram as placas para funcionar com um valor menor e depois Paulo Taques forneceu R$ 40 mil para comprar outros equipamentos e melhorar a central.

16H02 - O juiz Marcos Faleiros questiona o militar sobre a legalidade ou não da Daci (Diretoria de Agência Central de Ingeligência). Segundo Gerson, o setor era responsável por subsidiar o comandante geral no processo de tomadas de decisões. Gerson afirma ser um setor muito importante. Ele discorda do juiz Marcos Faleiros que diz ser um setor clandestino dentro da Polícia Militar conforme afirmou o coronel Zaqueu Barbosa. Gerson discorda do magistrado e diz que a Daci é um setor sério e importante no âmbito da Polícia Militar. Mas admite que houve reuniões entre ele, Lesco e Zaqueu onde ficou nítido interesses escusos de uso de interceptações iniciadas lá atrás para monitorar policiais militares em desvio de conduta. Cita uma reunião no Mc Donalds, onde os militares contaram que Paulo Taques queria que interceptasse outras pessoas. À ocasião, segundo o cabo Gerson, Paulo Taques queria saber como seriam as escutas, a operacionalização e a legalidade bem como os militares que participariam. Ou seja, o juiz questiona Gerson sobre quando começou o núcleo clandestino na Polícia Militar para as escutas clandestinas. Depois da reunião no Mc Donalds, Gerson revela que houve outra reunião no Comando Geral onde começaram a debater sobre as placas a serem usadas nas interceptações. A partir dali, ele pediu o coronel Lesco para recrutar outros militares para ajudar a montar a central de escutas, entre eles o cabo Euclides Luiz Torezan. Gerson disse que foi então que identificou que as placas eram do Gaeco.

15H58- Gerson afirma que os únicos que prestam contas da verba secreta são os policiais perante os membros do MP. Compara que a verba secreta do Gaeco é igual a verba de suprimentos da Assembleia Legislativa que já foi alvo de operação policial. Diz que a verba secreta é a mesma coisa e questiona como se comprova que um promotor gastou seus R$ 4 mil ou R$ 5 mil da verba. "Como? não existe prestação de contas", afirma Gerson. "Presenciei promotor de Justiça consertar sua moto com verba secreta quando se acidentou atuando no Gaeco. E citou nomes, o Célio Wilson arrumou sua moto. Quem comprou cães: Marcos Regenold. Quem pagava rastreador, Marco Aurélio de Castro. É desvio ou não é?", questiona o militar a defender que deveria ter investigação séria e independente para trazer respostas nesse sentido. O militar agora fala das escutas em si, denominadas pela mídia de "Grampolândia Pantaneira". Afirma que nos primeiros interrogatórios, ele protegeu os coronéis Lesco e Zaqueu. "Mas infelizmente esses dois coronéis estão envolvidos em crimes junto comigo. Eu sabia que eles são homens para vir e confirmar que os mandantes dos grampos foram Pedro Taques e Paulo Taques", diz Gerson.

15H50 - O militar diz que até valores pagos à CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) eram oriundos de verba secreta, compra de rastreador e até aquisição de cães. "Promotor de Justiça comprou cão com verba secreta do Gaeco", diz o cabo Gerson Corrêa. O membro do MPE, Vinicius Gahyva ironiza e pergunta qual é a raça. O juiz Marcos Faleiros intervém e faz a observação que o promotor tem automia para fazer questionamentos que achar pertinente.

Mas tudo depois será submetido ao crivo do Conselho Militar. O magistrado reafirma que na audiência e nos autos o foco não é investigar pessoas com prerrogativa de foro, membros do Ministério Público porque a instância competente é outra. O magistrado observa, no entanto, que o militar continuar relatando tais fatos ou não dependendo dele e de sua estratégia de defesa

15H45 - Corrêa começa explicar sobre a verba secreta no Gaeco. Ele cita que o assunto sempre foi comentado nos bastidores do Gaeco. Garante que não havia qualquer controle sobre o uso e prestação de contas da verba. Lembra que esses fatos ocorrem desde a chegada do procurador Paulo Roberto Prado ao departamento. "Essa verba é evidente, envolve todos os servidores do Gaeco e não tem prestação de contas desde a época de Paulo Prado no Ministério Público", cita. Segundo ele, houve um fato estranho em 2015 quando Marcos Aurélio andou procurando alguns agentes do Gaeco para assinar documentos da verba com datas retroativas. Isso só ficou claro quando a assessora procurou o coronel Lesco na Casa Militar a mando de Marco Aurélio que deveria levar prestação de contas assinadas para serem substituídas por outras. Lesco assinou e confirmou isso ao cabo Gerson. Mas ficou curioso por não entender o motivo de assinar prestações de contas com datas retroativas. Gerson diz que Lescou deixou o Gaeco sem qualquer pendência, com suas prestações de contas em dia. No segundo semestre de 2015 ou primeiro semestre de 206, houve uma discussão entre Samuel Frungilo e Marco Aurélio de Castro, na frente de vários servidores. Isso culminou no desligamento de uma servidora do Gaeco. Gerson diz que a verba secreta é depositada nas contas dos membros do MPE de forma antecipada para utilização em campo pelos policiais e equipes operacionais. Quando precisava, a assessora do coordenador do Gaeco fazia saques e repassava às equipes que participariam de operações. Depois, deveria ter prestação de contas por parte dos agentes e policiais apresentando notas fiscais e recibos à assessora de Marco Aurélio. Se sobrassem valores, eram devolvidos para a assessora. Ela fazia prestação de contas perante o MP com o valor integral e a sobra era depositada em cofre físico do Gaeco à disposição dela e do chefe do Gaeco. No cofre, os valores iam se acumulando para finalidades diversas. Ele garante que presenciou apropriação fraudulenta de parte da verba secreta. Diz que narrou isso para que os fatos fossem investigados. Diz ser difícil provar que um promotor sacou tal valor e usou para qualquer finalidade e por isso deve se ter investigação.

15H36 - Correa conta que, em 2013, um promotor de Justiça falsificou documento. Ele diz que isso o Naco também deveria investigar. O objeto da investigação eram pessoas envidas em tráfico na região da fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. Foi pedida a interceptação delas sem qualquer critério ou levantamento prévio. Depois confirmou-se que essas pessoas não tinham envolvimento com o tráfico de drogas. O policial responsável por produzir o relatório afirmou não ter relação entre os fatos investigados e as escutas ele sugeriu a suspensão da escutas. O promotor orientou o policial a alterar o autos circunstanciados para que as escutas tivessem continuidade. O militar achou estranho e conversou com Gerson. Coronel Lesco foi procurado e orientou o policial analista a não alterar o documento. Então, o promotor falsificou a assinatura do policial alterando o teor do autos circunstanciados para prorrogar as escutas e seguir monitorando as pessoas. Gerson diz não saber o motivo do acompanhamento dos alvos por 30 dias e que isso deveria ser investigado. Gerson orientou o policial a procurar o coronel Lesco. Gerson diz nem saber se o MP demonstrou qualquer interesse em investigar a situação. Gerson acredita que não.

15H30 - Adalberto Gonçalves de Paula é coronel da PM e seu número foi inserido em interceptações no bojo da operação Metástase. Gerson admite que foi ele quem inseriu o número do PM como se fosse da Maria Helena Aires Caramelo, uma das principais investigadas na Metástase. Ele relatou esse fato ao Marco Aurélio de Castro. Gerson assumiu que inseriu o número do coronel na operação. O então chefe do Gaeco pediu a Gerson para ficar tranquilo. "Eu errei. Inseri um número indevido do coronel na Operação Metástase e estamos falando de 2015", relata Gerson. Gerson Garante que os membros do MP e do Gaeco e o procurador-geral de Justiça da época (2015) mentiram ao negar que houve barriga de aluguel na Operação Metástase dizendo que não houve interceptações. Mentiram ao dizer que fizeram auditorias, apresentaram relatórios falsos dizendo que aqueles números nunca foram interceptados. Qualquer auditoria no sistema guardião pegaria esses grampos e outros. Gerson diz que narrou ao Domingos Sávio que praticou crime, mas os promotores também no mínimo prevaricaram ao dizer que fizeram auditoria. "Mentira". Portanto, na operação Metástase há sim barriga de aluguel com o número do coronel Adalberto Gonçalves de Paula. Gerson diz que trouxe cerca de 15 exemplos que demostram a prática de barriga de aluguel em outra modalidade, todos para serem investigados. Ele cita diversas operações do Gaeco em anos anteriores e ordens de serviço, incluindo as Operações Rêmora e Seven onde existem práticas ilícitas de captação irregular de escutas utilizando decisões judiciais de outros processos. Garante que o Naco nada fez e demonstrou não ter interesse em investigar.

"Não vou narrar sobre isso, mas cito por exemplo, a Operação Xeque-Mate, a Operação Chacal, a Operação Rêmora, a Operação Seven, são várias investigações em que aconteceram essa prática ilícita de captação desses dados utilizando para tanto ordens judiciais diversas”, disse.

15H20 - "Assumi que errei e não sou nenhum coitado. Estou assumindo aqui", diz Gerson Correa. Mas lá atrás em 2015, houve várias diligências no Gaeco a mando do governador Pedro Taques para averiguar se o núcleo agia dentro do Gaeco e se esses números também passaram pelo sistema Guardião do Gaeco. Diz que um número, de Adalberto Gonçalves, foi interceptado e Gerson levou a informação ao Gaeco. Houve investigação, mas arquivada no Gaeco, alegando que o número não passou pelo guardião do Gaeco e de fato não passou, pois foi via o outro sistema de escutas com as placas do sistem Wrytron. Gerson afirma que num determinado momento foram feitas diversas simulações de auditorias no Gaeco para verificar o sistema Guardião, sendo essas auditorias foram realizadas pelo cabo Euclides Luiz Torezan. A coordenação do Gaeco que determinou a simulação de auditorias. Torezan informou a Gerson que isso visava apurar supostas ilegalidades como "operações alienígenas" e outros números que não faziam parte de qualquer investigação a exemplo de alguns números repassados pelo então governador Pedro Taques.

15H15 - Em nova revelação, Gerson Correa aponta que o ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa, hoje deputado federal pelo MDB, também foi alvo de barriga de aluguel pelo Gaeco, grampeado às vésperas da eleição de 2016 com número inserido em outra investigação. Dos sete alvos da investigação contra Juarez que na época era prefeito de Sinop, foram grampeados 46 terminais telefônicos. Gerson diz não conseguir imaginar que Juarez conseguisse utilizar 14 celulares. Ele acredita que dentre esses celulares talvez o número dele de prefixo 66 não estava entre os demais. Ele questiona o motivo de interceptar telefones não pertencentes ao então prefeito e qual a finalidade disso e onde foram utilizada tais informações. "É inexplicável isso. Aliás, esse fato por incrível que pareça talvez seja o primeiro que não consta o meu nome", diz ele para provar que a inserção indevida, barriga de aluguel não é exclusividade de Gerson Corrêa, pois outras pessoas integrantes do Gaeco também praticam. Ele garante que esses fatos chegaram a ele por uma fonte idônea do Gaeco e serão juntados no processo.

15H11 - Segundo ele, os áudios do diálogo entre Silval e o desembargador Marcos Machado foram separados, recortados e entregues ao promotor Marco Aurélio. Ele diz que depois Marco Aurélio foi para a Procuradoria de Justiça compartilhar os áudios com os demais colegas do Ministério Público. Dias depois, os áudios foram divulgadosna TV Centro América, afiliada da Rede Globo no Estado. Para Correa, o retardamento na divulgação visava atender uma conveniência jurídica para comprometer os protogonistas, especialmente o desembargador Marcos Machado. O retardamento na divulgação ocorreu para o juízo da Sétima Vara e depois disso foi divulgado para a afiliada da Rede Globo. "Para provocar dúvidas da real divulgação desses áudios, que poderia ser do Gaeco, do Judiciário, do Tribunal de Justiça, pois relatório dos áudios enviados para a juíza Selma foi enviado para a Corregedoria do TJ. Esse fato foi milimetricamente calculado", diz Gerson.

Ele diz que depois foi procurado por um militar para saber da divulgação dos áudios. Tentavam jogar a culpa da divulgação dos áudios para a Polícia Civil. Esse fato é gravíssimo, segundo o militar. "Fui procurado por esse dignissimo promotor de Justiça querendo entrar na minha cabeça", diz.

Gerson afirma que o Gaeco privilegiava a TV Centro América que era a única a acompanhar em tempo real várias operações enquanto outros veículos da mídia não conseguiam. "As operações do Gaeco eram pirotecnizadas e um verdadeiro circo pela influência notória da principal mídia brasileira que é a Rede Globo e sua afiliada", reclama Gerson. Ele diz que a divulgação dolosa dessas informações configuram em crimes praticados pelo Gaeco. Garante que narrou esse fato de forma superficial há um ano atrás e mais uma vez agora vem esquentar e o MP alega ser fato reesquentado e nada fez para investigar. Garante ter relatórios de todos esses fatos que está revelando em juízo e serão disponibilizados nos autos. Gerson garante que não foram os policiais que levaram os áudios para a TVCA e sim promotores membros do Gaeco. Ele diz isso após ser interpelado pelo promotor Vinicius Gahyva. O juiz Marcos Faleiros intervém na situação e o cabo volta a falar que o modo de atuar do Gaeco, de forma ilegal, se arrasta há muito tempo e continuou após a saída do cabo Gerson Correa.

15H05 - Para Correa, alguns membros do Gaeco fizeram de algumas operações verdadeiros shows de pirotecnia e isso ocorreu por vários anos no Gaeco. Segundo ele, um dos responsáveis por essa prática era Marcos Aurélio de Castro que autorizava gravar áudios e vídeos de algumas operações. Diz que na "Operação Imperador" houve registros de audiovisual por parte de membros do Gaeco e, dentre os motivos, ele acredita que faziam fotos e videos para se precaverem lá na frente. Mas garante que foram usados indevidamente e de forma dolosa divulgados para a imprensa, inclusive para o Fantástico, como a prisão de José Riva. A exposição indevida, segundo Gerson, era feita por ordem de Marco Aurélio Castro. Ou seja, ele diz que o Gaeco usou José Riva e sua prisão para se vangloriar e por isso divulgou imagens para o Fantástico, cuja edição seria exibida num domingo e chamadas já estavam sendo feitas. Num dia antes, num sábado, em 21 de fevereiro de 2015, e as imagens gravadas por policiais do Gaeco foram exibidas pelo Fantástico, cedidas por Marco Aurélio de forma indevida e dolosa. Afirma que os membros do Gaeco, Marcos Bulhões, Samuel Frungilo e Marco Aurélio de Castro divulgavam informações como áudios contra autoridades, ou seja, divulgação proibida por lei. Ocorria divulgação sem justa causa de informações sigilosas. Isso ocorreu no dia seguinte após a prisão de Roseli Barbosa. O fluxo de chamada para o sistema Guardião do Gaeco no dia seguinte registrou diálogo entre o governador Silval Barbosa e o desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Foi identificado que Silval fazia contato com o magistrado. "Eu identifiquei essa ligação e repassei ao doutor Marco Aurélio que tratou essa informação como ingrediente valioso por causa das pretensões levianas do Gaeco", afirma Gerson.

15H00 - Conforme o cabo, era prática comum no Gaeco após exito por mérito de vários profissionais componetes do Gaeco, divulgar resultados. Conforme o militar, resultados foram explorados de forma midiática resultado em ilegalidades por remeter a crimes como injuria, invasão de privacidade, uso indevido de direito de imagem. Alguns casos tiveram seus efeitos potencializados por causa dos alvos serem conhecidos e importantes na sociedade de Mato Grosso. "Essas pessoas tiveram seus direitos vilipendiados por membros do Gaeco que em seu íntimo queriam macular essas pessoas por condutas contrárias ou posições políticas divergentes", afirma Gerson. Ele garante que de maneira especial quem agia assim eram membros do Gaeco. Gerson é interrompido promotor Vinicius Gahyva Martins, que pede ao militar para não generalizar porque senão daqui a pouco iria colocar o Ministério Público aqui no banco dos réus. O juiz Marcos Faleiros repreende o promotor alertando que não pode ter censura prévia.

14H50 - Correa assinala que somente em 2014 quando Roseli deixou a chefia da Setas e Jean Esteves virou titular é que a investigação subiu para o Naco dentro do Ministério Púiblico. "Elementos coletados anteriormente e informações obtidas de forma seletiva depois subsidiaram o pedido de prisao contra Roseli Barbosa na Operação Ouro de Tolo. Ela e toda a família foram interceptados. Roseli era alvo do Gaeco de forma reflexiva por meio dos secretários. E com esses elementos robustos da Operação Arqueiro ela virou alvo de prisão, busca e apreensão e aditamento de denúncia com elementos obtidos ilegalmente lá atrás", comenta. Jorge Alexandre Martins Ferreira, juiz de Cáceres, cuja decisão dele o Gaeco fez barriga de aluguel na Operação Ouro de Tolo para monitorar Carla Barbosa, Ricardo Barbosa, filhos de Silval, de Roseli Barbosa e do Silval Barbosa. "Ou seja, a família Barbosa foi alvo antes mesmo de deflagrar a Operação Ouro de Tolo com uma decisão judicial por determinação de Marco Aurélio de Castro e Samuel Frungilo foi feito acompanhamento dessa família, monitorando celulares da família Barbosa", diz Gerson afirmando que o relatório das escutas foi assinado por ele. Gerson garante que informou a Marco Aurélio tratar-se de números de cinco integrantes da família Barbosa, mas mesmo assim foi feito acompanhamento do histórico de chamada de todos eles. Gerson inseriu os cinco números por ordem de Marco Aurélio. Depois culminou na Operação Ouro de Tolo e na prisão de Roseli Barbosa. Com a operação houve um "terremoto dentro do Gaeco", porque vários diálogos da família Barbosa causaram espanto e repulsa no Gaeco de forma que alguns membros vazaram dolosamente alguns áudios.

14H43 - Sobre as Operações Arqueiro e Ouro de Tolo, Gerson diz que agora vai esquentar esse fato com informações que ele nunca revelou antes. Mas segue dando detalhes de uso de laranjas e servidores em contratos na pasta comandada por Roseli Barbosa. Explica que o Gaeco se valeu de vários meios de interceptações e identificaram diálogos comoprometedores que remetiam à Roseli Barbosa, então secretária da Setas. Segundo ele, ficou comprovado que parte dos recursos públicos eram desviados e tinham Roseli como grande beneficiada. Ela, no entanto tinha foro de prerrogativa. O Gaeco, para não perder o poder investigatório, adotou critério seletivo delimitando a investigação aos secretários adjuntos como Jean Esteves e outros que eram adjuntos e assessores da Setas. Mas de forma reflexiva, ele monitorava o alvo principal, a Roseli. A seletividade visava apenas manter a investigação em primeira intância e na alçada do Gaeco para evitar subir ao Tribunal de Justiça e ao Naco "porque promotores do Gaeco não queriam subir ao TJ porque lá tinham desembargadores que iriam vazar a investigação ao governador Silval Barbosa eor isso não subiu ao TJ nessa época".

14H40 - Ele critica duramente o Ministério Público por não ter feito nada desde que ele narrou de forma superficial há mais de um ano e prova que é barriga de aluguel. "Essa exclusividade apontada ao Núcleo de Inteligência da PM na ação criminal ela não se inicia na PM. Ela vem do Gaeco há muito tempo", detona. 

14H33 - Gerson diz que fez pesquisa e descobriu que as pessoas grampeadas nada tinham a ver com a suposta ameaça contra Selma Arruda que era bem vaga. Filadelfo Dias, Silval Barbosa, Antonio Barbosa, Marcelo, João Paulo, o empresário José Milas e sua esposa e filhos. Ele garante que o propósito era bisbilhotar o Filadelfo que já tinha sido alvo do Gaeco e era apontado como "novo Arcanjo". "Era bisbilhotar o Toninho Barbosa, irmão do ex-governador e outros assuntos de interesse político do Gaeco. Mesmo sem faltos relacionados à suposta ameaça à magistrada, as investigações foram prorrogadas sem qualquer elemento de convicção que apontasse para ameaça contra Selma Arruda. Pra mim essa era uma das mais típicas barriga de aluguel praticadas pelo Gaeco', afirma Gerson.

14H30 - Afirma que anteriormente narrou de forma superficial um fato onde tentavam desqualificar a conduta da juíza Selma Arruda, hoje senadora da República. Mas ele garante que após um ano o Ministério Público não instaurou qualquer investigação e por isso ele volta a falar hoje. "São fatos graves que remetem à barriga de aluguel dentro do Gaeco", diz Gerson.

Segundo ele, na história, a juíza estaria correndo risco de morte. Por isso ele diz que inicialmente procedeu-se uma visita ao coordenador do Gaeco. Selma foi no gabinete dele relatar a situação. O promotor atribuiu a Gerson a função de fazer diligências para averiguar a situação, por isso Gerson foi no gabinete da magistrada buscar informações sobre a suposta ameaça de morte contra ela. Foi produzido um fantasioso relatório que não guardava nenhuma relação com os supostos autores dessas ameaças. Esse relatório fantasioso foi ajustado com Marco Aurélio para subsidiar inquérito criminal e a peça para interceptação telefônica de alguns alvos. Ele também apresenta o relatório das escutas clandestinas sobre o caso.

14H25 - Garante que sempre foi um policial dedicado e legal por isso era chamado com frequência por promotores e procuradores para "tratar de assuntos sensíveis". Ou seja, assuntos envolvendo escutas e detalhes que não podiam ser vazados, os membros do MPE chamavam Gerson Corrêa porque ele era de "confiança". A investigçaão contra Janaina Riva visava deflagrar a Operação Metástase. Como último ato, a deputada voltou a ser alvo do Gaeco por meio de outro telefone celular pesquisado em março de 2016. Ele fala e mostra o relatório que tem em mãos. Dessa vez só consta o histórico de chamadas do apareelho. O outro telefone foi monitorado mais uma vez após a deflagração da Operação Mestastase em fevereiro daquele ano. Ela voltou a ser monitorada porque um motorista da família Riva estava foragido da operação. Por isso pediram para grampear outro número de Janaina Riva. "A deputada Janaina Riva foi alvo de grampo na Polícia Militar e dentro do Gaeco durante acompanhamento de chamada após deflagração da Operação Metástase", diz o militar. "Evidentemente que as provas estão aqui e já juntei nos autos", diz ele.

14H19 - Sobre a Operação Metástase, que descobriu um esquema de desvio de verbas na Assembleia Legislativa, o cabo reafirma que houve barriga de aluguel na investigação a mando dos promotores Marco Aurélio e Samuel Frungilo. Ele garante que na operação em questão foi usada a central de escutas montadas pela PM para interceptar a deputada estadual Janaina Riva para averiguar se ela dava continuidade aos esquemas de corrupção na Assembleia Legislativa da época de José Riva, pai da deputada.

Segundo ele, Jéssica Riva, Júnior Riva, Janaina, Joé Riva e Janete Riva, todos tiveram seus dados cadastrais invadidos. "Foi feita pesquisa através de barriga de aluguel, pego uma decisão que nada tinha a ver com a Metástase e inseridos números da família Riva". Somente de Janaina Riva, ele garante que foram interceptados três telefones. Ele tem um mãos uma planilha com relatório de todos os números da deputada que foram interceptados. Mas oficialmente, foi dada uma ordem de serviço para grampear telefone apernas em nome de José Riva. Gerson garante que ele assinou o relatório junto com outro policial reforçando que na ordem de serviço só constava o nome do ex-deputado. Janaina não foi citada porque evidentemente na condição de deputada não poderia ser investigada em tal instância. Garante que depois de reuniões fechadas, Marco Aurélio, então coordenador do Gaeco, chegou no cabo Gerson e disse que precisava monitorar a deputada Janaina Riva. Assim, ela foi monitorada pela central de escutas clandestinas. Explica que que a conversa foi no gabinete de Marco Aurélio, ocasião em que Samuel Frungilo não estava presente. Depois ele levou a demanda ao coronel Zaqueu e disse que era um pedido do então chefe do Gaeco, Marco Aurélio de Castro e assim a deputada foi monitorada. Ele citou inclusive o número dela que foi inserido em lista de escuta por meio de barriga de aluguel, ou seja, inserida numa investigação de outro assunto.

14H15 - Correa acrescenta que neste ano buscou o Naco Criminal para tentar delação. Garante que são novos fatos que foram muito bem recebidos pelo procurador Domingos Sávio que o deixou "esperançoso" em firmar delação junto ao Naco. Mas por ironia do destino e como verdadeiro tapa na cara de Gerson e sua defesa, o Domingos Sávio num parecer defensivo, parecendo advgado dos promotores citados, negou o acordo alegando ser fatos requentados. Assim, não foi firmado o acordo. "Assim só me resta trazer esses novos fatos e outros fatos para adoção de órgãos investigativos pela Justiça de Mato Grosso. Aqui estou para narrar esses fatos e outros". Gerson garante que ele foi o que mais colaborou até o momento e já falou bastante. Esse é o terceiro interrogatório e ele quer "forçar" os coroneis Lesco e Zaqueu a falarem a verdade. Cita que desde seu primeiro depoimento garantiu que o dono da Grampolândia eram o eex-governador José Pedro Gonçalves Taques e o advogado Paulo Taques. "Desde o início eu falei isso e ontem graças à Deus foi ratificado pelos dois coronéis", diz.

14H06 - Começa o depoimento de Gerson Correa. Explica que o motivo é esclarecer fatos que guardam relação com o objeto em apuração na ação criminal. Ele ressalta que em 2017 buscou junto à PJC via os delegados Flavio Stringuetta e Ana Cristina Feldner colaborar com o inquérito instaurado naquela época. Acredita que por uma manobra jurídica ele nem conseguiu terminar o depoimento, pois o STJ avocou todos os inquéritos do caso em investigação na Justiça de Mato Grosso pela suspeita de envolvimento do então governador Pedro Taques (PSDB). Diz que ainda na época buscou a Justiça Federal e tentou iniciar as trativas, foi na JF, mas não foi adiante a tentativa de colaborar e fazer delação. Depois relata que tentou no MPE junto ao promotor Alan do Ó, tentando um acordo de colaboração. Isso aconteceu depois do primeiro interrogatório dele que o promotor da época tratou com "muito louvor", pois no primeiro interrogatório ele "esclareceu os fatos da Grampolândia". Disse que seu advogado saiu esculachado do gabinete do promotor Alan do Ó numa das tentativas de acordo. Depois, o mesmo promotor já veio com todas as garras contra Gerson o acusando de ser mentiroso. "Certamente porque havia a participação do membros do MPE", diz Gerson.

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Comentários (19)

  • Oliveira | Quinta-Feira, 18 de Julho de 2019, 08h56
    0
    1

    Tem uma promotora que a máscara dessa mulher vai cair uma hora !!

  • Cleide | Quinta-Feira, 18 de Julho de 2019, 07h25
    1
    0

    E as delegadas Alexandra e Alana, respectivamente Secretária Adjunta e Diretora de inteligencia da gestão do PROMOTOR Mauro Zaque? O MP arquivou os grampitchos das moças porque foram "induzidas ao erro" por Paulo Taques. Tá bom pra vocês? O pau da bate em chico tem que bater nas francisca, ou MP e PJC vão jogar pra debaixo do tapete os seus mau feitos?

  • Junior | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 20h17
    4
    0

    Kkkkk e eu precisando arrumar minha moto e comprar um cão. Pqp Mistério dos corruptos.

  • LUIS | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 19h03
    3
    0

    Infelizmente, parece que ele destruiu grande parte das provas; está, com toda razão, "p" da vida por estar pagando por ter feito que os promotores lhe pediram.

  • IRÔNILDO | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h29
    3
    7

    Se não fosse a GRAMPOLÂNDIA, não seria possível a deflagração e desdobramento destas operações, por conseguinte, a desarticulação e prisão destes figurões, tais como: Silval Barbosa, José Riva, Eder Morais, Roselli Brabosa, Marcel de Cursi, Pedro Nadaf, Chico Lima, Humberto Bosaipo, dentre outros. Traçando um paralelo com a Operação Lava-Jato (guardadas as devidas proporções), constata-se excessos e ilegalidades pelos órgãos de investigação/acusação. Contudo, sem esses ilícitos não seria possível o limpa no Estado de Mato Grosso. Quem é radicalmente contra estas interceptações é contra a Lava-Jato também. Sempre foi e sempre será por questões políticas. UM SONORO OBRIGADO AOS TAQUES

  • José | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h28
    9
    0

    E eu que a creditava que o MP era um órgão sério agora com essas informações da para dizer que é um órgão pode cred

  • andre | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h24
    1
    5

    Marcio, o seu menino prodígio foi o ‘OPERADOR’ de todo esse esquema ilegal, como ele orgulhosamente afirmou no interrogatório, ele é um criminoso, e só vai sobrar para ele, ele NÃO TEM PROVA DO QUE AFIRMA, é tática da defesa dele, pois tudo aponta para ele como sendo o único culpado.Eu queria entender, como esse Eisten’, não percebeu que isso seria descoberto, e NÃO ARMAZENOU PROVAS?

  • Jeanne | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h23
    8
    0

    Alguém sabe onde está o promotor Mauro Zaque?

  • LUIS | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h18
    7
    0

    E, por ironia (?I), o promotor Gahyva foi namorado da Janaina Riva uns tempos atrás.

  • Curioso | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h13
    6
    0

    PARABÉNS FOLHA MAX. Trouxe os depoimentos em tempo real. A população agora quer saber: quem eram os grampeados? Nenhum nome novo, até agora.

  • Cleidunei | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 18h13
    6
    1

    E a tal da Bardusco? Dizem que essa está até no talo envolvida nisso?!

  • Morris | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 17h52
    3
    0

    Mande os bombeiros retirarem o material de dentro do Rio De Perri.

  • Marcio | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 17h32
    8
    1

    André, meu filho, este prodígio lhe parece burro mesmo? Com esta riqueza de detalhes? Este guri é um arquivo ambulante. Vai ser convidado a trabalhar em empresas de espionagem. Está dando show no MP. Burro é quem pensa que ele é burro. Que a justiça o proteja.

  • Jesus | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 17h06
    4
    0

    120 números? Não eram 7.000? Quantas vezes a imprensa disse que eram sete mil números? Era o MP vazando também? Querendo condenar os militares enquanto faziam pior?

  • andre | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 16h42
    2
    6

    O cabo burro, bicho tá sendo mal orientado, rapaz vc VAI TOMAR UMA CONDENAÇÃO TÃO GRANDE, E AINDA SERÁ PROCESSADO pelos promotores e procuradores, pois vc é um puxa saco burro, pois NÃO TEM NENHUMA PROVA, era melhor vc ter aceitado essa possível pena, e logo isso cairia no esquecimento, ou até mesmo seria arquivado.

  • Marcos Paulo | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 16h05
    9
    1

    A ex juíza selma vez vista grossa pq ela indicou alguém no governo do Pedro que já já vai serolar provado inclusive está no grampo do celular da Paola reis..fala logo Paula antes que você guria cana..Melhor delatar logo do que pegar cana.

  • MARIA TAQUARA | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 15h56
    15
    1

    Eu agradeço aos resultados dessas iniciativas do Ministério Público para enquadrar políticos corruptos, tanto no caso da grampolândia quanto da Vaza-Jato. Entretanto, em ambos os casos eu observo que os procuradores agem de forma criminosa, no fim, temos a troca de um grupo por outro realizando crimes. Terá que ser ajustada regras para abuso de autoridade, não pelo papel da instituição mas de seus componentes, seres humanos fadados à erros e passíveis de realizar crimes utilizando a estrutura do Estado.

  • Observador | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 15h54
    5
    17

    Esses três policiais pelo que estou lendo de seus depoimentos estão jogando merda do ventilador apenas, sem prova alguma do alegado. Isso não é e nunca será delação unilateral, não passa de fofoca de vizinhas, disse que me disse, pelo amor de Deus. Querem enrolar quem?

  • SEM ESCOLA | Quarta-Feira, 17 de Julho de 2019, 15h30
    19
    1

    segunda feira vai ter operação depois da reportagem do fantastico, MPE ficou na berlinda agora pra reverter essa imagem vai ser dificil.

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