02 de Junho de 2020,

Política

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Quinta-Feira, 13 de Fevereiro de 2020, 20h:00 | Atualizado:

GRAMPOLÂNDIA NA ARQUEIRO

Cabo volta a acusar promotores de barriga de aluguel e de ridicularizar Silval

Gerson Correa afirmou que irregularidades nas interceptações tinham anuências dos promotores que comandavam Gaeco à época


Da Redação

Olhar Direto

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Em depoimento prestado na tarde desta quinta-feira (13) na Sétima Vara Criminal, o cabo PM Gerson Corrêa confirmou versão já revelada na 11ª Vara da Justiça Militar de que promotores que comandavam o Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) autorizaram a modalidade barriga da aluguel na “Operação Ouro de Tolo”. Esta operação, que sucedeu a Arqueiro, culminou com a prisão da ex-primeira-dama Roseli Barbosa, acusada de ter liderado um esquema que desviou R$ 8 milhões da Secretaria de Assistência Social (Setas), entre 2011 e 2014.

Durante depoimento, Corrêa foi enfático em afirmar que houve barriga de aluguel na Operação. “Sem nenhuma dúvida. A partir do momento que eu recebo uma demanda do senhor Marco Aurélio de Castro e do senhor Samuel Frungilo [promotores de Justiça, coordenadores do Gaeco à época], para levantamentos dos telefones utilizados pela senhora Roseli Barbosa. Em primeiro momento é difícil enxergar isso para quem não tem contato com a investigação, porque não aparece nos autos essas informações”, disse Correa, respondendo a um advogado presente ao depoimento. 

 Segundo Corrêa, a barriga de aluguel, que consiste na inclusão números de telefones junto com outros que foram legalmente autorizados pela Justiça para serem monitorados, ocorreu quando foram relacionados cinco terminais como se fossem utilizados por Roseli, mas que na verdade pertenciam ao ex-governador Silval Barbosa e aos três filhos do casal. Na época, também foram grampeados dois números pertencentes a Silvio Correa de Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval, 2 de Nilson Farias e 1 de Rodrigo De Marchi, ex-assessor especial da Setas, e réus na ação penal.

Em uma das ligações interceptadas, de um número inserido ilegalmente e que pertencia ao ex-governador, foi gravada uma conversa entre Silval e o desembargador Marcos Machado nos dias que sucederam a prisão de Roseli Barbosa. Na época, o diálogo de Silval e Machado foi vazado para a imprensa. 

Para cabo Corrêa, o objetivo, além de ridicularizar Silval, foi o de expor Marcos Machado, para que ficasse sob suspeição, caso viesse a relatar o processo. “O senhor Silval e os filhos não eram alvos da operação e acabaram sendo com a anuência dos promotores de justiça do Gaeco. Eu fiz o levantamento e eu fiz o relatório com a anuência dos promotores de justiça”, disse o cabo Gérson Corrêa.

Segundo ele, isso ocorreu em agosto de 2015. Para ter acesso aos números dos terminais que seriam vinculados à Roseli, Corrêa contou que foi utilizada uma modalidade que foi muito usada no Gaeco, que é utilizar uma decisão judicial alheia. “Eu começo a pegar todos os telefones cadastrados em nome da senhora Roseli, do senhor Silval, do senhor Rodrigo, de Ricardo, da senhora Carla [os três são filhos de Silval] e começo a contatar as operadoras para saber quais são os telefones”. 

Segundo Corrêa, antes mesmo de ele pleitear em juízo a interceptação dos terminais telefônicos, já se tinha conhecimento dos números que eram utilizados por cada membro da família Barbosa. “Antes mesmo de interceptar já sabíamos que eram eles que estavam usando, sabíamos onde eles estavam”, afirmou. 

Foi assim que se descobriu que Roseli Barbosa estava em São Paulo, onde foi presa no dia 20 de agosto de 2015 por uma equipe do Gaeco.

Conforme Corrêa, essas informações privilegiadas, utilizadas por uma decisão judicial alheia, deu suporte para as interceptações telefônicas da família de Silval Barbosa. “Com a total ciência do excelentíssimo promotor de justiça do Gaeco”, afirmou.

ORIGEM EM PRIMAVERA DO LESTE

Cabo Gerson Corrêa trabalhava dentro do Gaeco com mais três pessoas na operação das interceptações telefônicas. Ele disse que na primeira fase, na Operação Arqueiro, não houve por parte do promotor Arnaldo Justino nenhuma determinação para que fosse praticado a barriga de aluguel. “Eu recebia as ordens judiciais, para fazer o  monitoramento dos números relacionados pelo juízo e encaminhava para as operadoras”, disse Cabo Gerson.

Segundo ele, a origem das investigações que desencadearam a Operação Arqueiro foi no município de Primavera do Leste. Números telefônicos estavam sendo monitorados para investigar fraudes em certames realizados no município. Numa das conversas, uma pessoa conversava com o empresário Paulo César Lemes, que mais tarde as investigações mostraram que ele chefiava o esquema que desviou os  recursos da Setas mediante contratos fraudulentos realizados por meio de  ONGs e entidades.

Foi a partir da gravações de conversas telefônicas de Paulo Lemes com secretários adjuntos da Setas que se chegou a Roseli Barbosa, que se tornou o alvo principal devido a elementos que a apontavam a cabeça do esquema dentro da secretaria. Nessa fase, segundo cabo Gerson, como Roseli era secretária e detinha foro privilegiado, a determinação dentro do Gaeco foi que seu nome não fosse mencionado nos relatórios, para que o processo não saísse do Ministério Público e fosse declinado para o Tribunal de Justiça.

 

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Comentários (6)

  • Mario | Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020, 10h38
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    0

    Até que enfim o puxa saco vai falar algo que presta,será??

  • Paletó | Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020, 07h00
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    1

    Esse tal do Ministério podre na verdade não serve pra nada, parabéns ao Cb... Tomara que não recaia nada sobre ele.

  • Humberto | Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020, 06h03
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    1

    MP é órgão acusador do custe o que custar a gente vai ganhar. Já foi a época que era bom e sério.

  • Motorista de ônibus | Sexta-Feira, 14 de Fevereiro de 2020, 01h19
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    Deus trabalha no MP

  • Eliete | Quinta-Feira, 13 de Fevereiro de 2020, 21h18
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    Pois é. Chega de não punir esses! Eles do MP são os piores pois tem que ser seguidor e fazer a lei ser cumprida.

  • José | Quinta-Feira, 13 de Fevereiro de 2020, 21h00
    12
    2

    Pizza de borracha só espicha?

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