08 de Dezembro de 2019,

Política

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Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 13h:55 | Atualizado:

GRAMPOLÂNDIA AO VIVO

Coronel revela que Taques pediu grampos em adversários que o atrapalhavam em MT

MPE chegou a tentar barrar revelações de PMs, mas juiz e Conselho liberaram tudo


Da Redação

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A 11ª Vara Criminal de Cuiabá retoma nesta terça-feira (16) a audiência relacionada ao caso das escutas ilegais em Mato Grosso, denominada “Grampolândia Pantaneira”. Entre hoje e amanhã, serão reinterrogados os coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco, além do cabo Gerson Luiz Corrêa Junior.

A expectativa é de que todos confessem e tragam novos fatos sobre o caso. Nos últimos meses, os três militares tentaram fechar acordo de colaboração premiada, o que foi negado pelo Naco (Núcleo de Atuação de Competências Originárias). A alegação do procurador Domingos Sávio, chefe do NACO, é que os depoimentos não trazem fatos novos e estão carentes de provas.

O primeiro a depor é o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da Polícia Militar. Ele é apontado como o “criador” do esquema ainda em 2014, quando ocupava o cargo de chefe do Estado Maior da PM.

Segundo a denúncia do MPE, foi de Zaqueu a ideia de interceptar policiais militares suspeito de praticarem crimes. Contudo, no decorrer do tempo, teria se juntado com advogado Paulo Taques, que o cooptou para interceptar políticos adversários do então senador Pedro Taques, que disputou as eleições ao Governo do Estado naquele ano.

Para isso, contou com apoio do coronel Evandro Lesco e do cabo Gerson Correa, apontado como principal operador dos grampos.

VEJA TUDO COM DETALHES

17H41 - Acaba o depoimento de Zaqueu Barbosa. O juiz Marcos Faleiros deu intervalo de 10 minutos e o próximo a ser ouvido será o cabo Gerson Luiz Corrêa Junior.

17H40 - Zaqueu revela que na gestão de Silval Barbosa ele recebeu convite para ser comandante geral e declinou do convite, por isso reafirma não proceder a ilação do MPE de que ele só teria sido alçado à condição de chefe da instituição por causa dos ilícitos que ele participou. Um dos advogados pediu que o depoimento será considerado uma colaboração por parte de Zaqueu. O juiz Marcos Faleiros observa que o Conselho Militar apreciará tal pedido no momento oportuno, no momento do julgamento..

A defesa sustenta que ele trouxe informações novas essenciais, fundamentais, contundentes que descortinam todos os fatos criminosos contidos na denúncia inicial. Quer que seja recebida como colaboração ao juízo e avalie a possibilidade de estender a ele os benefícios previstos em lei.

17H34 - Marcos Faleiros pergunta porque Zaqueu não tentou fazer delação antes e somente agora está fazendo o depoimento com a confissão. "Quando eu estava preso o governador oriundo do Ministério Público Federal eu tinha receio, confesso que tinha receio. Eu estava preso e minha família recebeu ameaças, pessoas passaram a rondar minha residência e comuniquei meu advogado. Foram solicitadas providências", disse o coronel.

Depois que já estava solto, com medidas restritivas, Zaqueu afirma que buscou o Ministério Público que alegou que não existe fato novo. "Com todo respeito, a tentativa foi feita sim, porém as portas foram fechadas", afirma o coronel Zaqueu Barbosa. "Foi o doutor Rafael Guedes começou as tratativas no Ministério Público Federal', disse Zaqueu. 

Lembra que as tratativas começaram no MPF em Brasília e estavam avançadas e caminhando bem, mas depois as tratativas se enceraram após o término do foro privilegiado de Pedro Taques e vieram ao Ministério Público Estadual.

17H23  - "O que eu tinha pra declarar, já declarei. Se a gente for procurar responsabilização, tem mais gente aqui muito mais responsável do que eu", rebate Zaqueu ao promotor Vinicius Ghayva que segue questionando sobre a legalidade de interceptações iniciadas contra policiais militares conforme o próprio Zaqueu disse no início do depoimento. Sobre os argumentos citados por ele para justificar assaltos aos comitês eleitorais, quando o coronel foi procurado por Paulo Taques e Pedro Taques, o membro do MP questiona se foram praticados por militares e quer saber o motivo de usar a estrutura da PM para instalar núcleo de investigação lá em 2014. O juiz Marcos Faleiros explica que conforme Zaqueu foi um pedido do então governador e do primo, e ele como subchefe de Estado maior, acatou. Em vários momentos, Zaqueu argumenta que não consegue entender as perguntas e nem sabe aonde o promotor quer chegar com os questionamentos. O coronel pede desculpas e atribui à sua "limitação" e seu pouco conhecimento jurídico. Zaqueu começa a rebater o promotor dizendo que vários questionamentos já foram respondidos ao longo de sua oitiva.

17H15 - Zaqueu volta reafirmar que a ideia era interceptar policiais militares em desvio de conduta e não praticar qualquer crime militar. Garante que consultou um juiz de Cáceres que lhe deu orientações e que ele não estaria incorrendo em crime militar. "Eram militares cometendo crimes, o senhor é que diz que é crime militar. É um entendimento do senhor que eu respeito", rebate o coronel. Para o membro do MP, o coronel, se respeitasse a lei, deveria ter consultado e pedido informações à Justiça Militar, mas não o fez ao viabilizar o "núcleo de escutas".

17H08 - Zaqueu Barbosa afirma que nunca tratou sobre os grampos com o coronel Barros. Esclarece que suas tratativas foram apenas com os Siqueira, Lesco e com Januário.

Agora, o promotor Vinicius Ghayva questiona e Zaqueu diz que permaneceu no Gaeco cerca de um ano e meio. Ele questiona que Zaqueu era subchefe do Estado maior, Lesco, Barros e o cabo Torezzan, todos trabalhavam no Gaeco e Barros também no Gaeco e nenhum deles era coronel. Ele questiona se Zaqueu não sabia dos procedimentos administrativos quando se envolve bens de uma instituição. Ele questiona sobre a lei que dispõe sobre o estatuto da Polícia Militar e questiona um decreto que dispões sobre procedimentos a serem seguidos e respeitados na instituição. Quer saber se quando ele montou o núcleo de escutas se era legal ou clandestino. Zaqueu disse que não levou o assunto ao conhecimento do Comando Geral porque a delegação da responsabilidade era dele. Diz que Zaqueu estava operacionalizando um núcleo de escutas e inteligência e ainda assim não levou a informação aos superiores desrespeitando o regimento interno da Polícia Militar. o promotor tenta desqualificar Zaqueu e diz que ele agiu na clandestinidade desrespeitando leis e regimento da PM incorrendo em crimes. Zaqueu nega e diz que entende que não praticou qualquer crime, pois foi delegado a ele a função de estruturar o Núcleo de Inteligência na PM. O promotor questiona o ex-comandante da Polícia Militar sobre a falsificação de documento público envolvendo ele e outros militares. Zaqueu diz que não consegue ver falsificação de documento em nenhum dos atos praticados e ele entende que não praticou tal delito rebatendo o promotor.

16h58 - "O senhor está fazendo uma confissão"? pergunta um dos juízes militares ao coronel Zaqueu Barbosa. "Estou aqui pra trazer à tona a verdade real. Vou dizer uma coisa pro senhor, a gente bateu nas portas do MP e disseram que não tem fatos novos", disse Zaqueu ao ser interrompido pelo juiz interessado em saber detalhes ainda de 2014 das primeiras reuniões e dos comitês de campanha onde teve início as conversas e interesses em escutas telefônicas com interesses eleitoreiros por parte do grupo de Pedro Taques. Zaqueu afirma que sua defesa vai juntar documentos para sustentar o que ele está dizendo. 

16H51 - Um dos juízes militares lembra que todos réus assumiram cargos importantes após o esquema de interceptações Sentinela. Ele cita os nomes de Zaqueu, Januário, Lesco, ocupantes de funções de chefia na gestão Pedro Taques. Ele explica alguns detalhes das negociações e conversas com Paulo Taques para entrega do dinheiro para custear os equipamentos de escuta. Ressalta que o coronel Lesco saberá detalhar melhor, inclusive sobre uma reunião no Restaurante Reserva na estrada de Chapada onde teriam combinado detalhes do assunto e Paulo Taques teria repassado R$ 50 mil para custeio dos equipamentos conforme revelou o cabo Gerson Corrêa em sua confissão de julho de 2018.

16H43 - Um dos juízes militares do Conselho Militar quer saber se Zaqueu favoreceu os demais coronéis em suas promoções no âmbito da PM. Zaqueu diz que não e que ele não estava mais na ativa quando os demais réus, hoje coronéis, foram promovidos.

16H40 - "Vamos encerrar essa questão, já estamos tocando em pessoas com prerrogativa", diz Marcos Faleiros a um dos juízes militares quando questionado sobre o fato de o coronel Celso citado por ele como a pessoa que informou a origem da placa, que teria vindo do Rio de Janeiro para o Ministério Público de Mato Grosso. Esse coronel Celso citado por Zaqueu já é falecido. "Infelizmente ele não está mais aqui, mas se estivesse sei queu iria vir aqui e confirmar. Ele era homem pra isso". Um dos juízes questiona se Zaqueu participou da promoção dentro da corporação dos outros coronéis réus no mesmo processo. A defesa orienta que ele não precisa responder. O juiz militar diz que a senhora da Casa Civil veio e confirmou que o telefone dela grampeado era do pai dela. "O senhor está falando de Gisele Bergamasco, ela trabalhava na Casa Militar, entendo eu que o interesse era da Casa Militar, fiquei sabendo que ela foi ouvida depois. Ela diz que o telefone era do pai dela, mas quem usava o telefone era ela. O pai dela já era falecido", diz.

16H30 - Zaqueu comenta sobre um suposto episódio de barriga aluguel usando uma investigação na cidade de Sinop. Foi após a morte de um estudante de Medicina que deu muita repercussão. Afirma que todas as barrigas de aluguel foram feitas somente na comarca de Cáceres. Ele nega que tenha ocorrido barriga de aluguel na comarca de Sinop. "A seriedade do promotor de Sinop é algo que transcende", garante Zaqueu ao afirmar não existido barriga de aluguel em Sinop. Ele voltou a explicar o funcionamento da pla wytron, o equipamento para fazer escutas. Em Mato Grosso, só existem duas dessas placas, uma da PJC e outra pertenente ao Ministério Público adquirida na época das investigações da Máfia dos Combustíveis, segundo o coronel Zaqueu Barbosa. A placa quando da instalação do sistema Guardião ficou sob a responsabilidade do Gaeco. Mas ao conversar com o cabo Gerson, o coronel diz ter ficado sabendo sabendo que a placa não estava mais no Gaeco. Um técnico garantiu pra ele que a placa usada nas escutas não é da PJC e acredita que foi com base no número de série.

16H20 - A questão de passar o comando da PM foi postergando pois Mauro Zaque, que nunca mais conversou com o coronel Zaqueu sobre o assunto. Um dia foi recebido pelo governador Pedro Taques. Disse que foi lá para entregar o comando, pois não tinha mais cabeça para isso. Taques disse que ele tirou uma tonelada de peso da cabeça dele. Assim, Zaqueu garante que pediu para marcar a data de troca do comando da PM e assim foi feito. Depois, ele passou para a reserva e foi descansar. Ele diz que rolaram boatos de que ele fez os grampos para ser comandante geral da Polícia Militar, mas nega com veemência. "Nunca quis ser comando geral e não fiz isso para ser comandante geral", diz o coronel. Argumenta que quando recebeu o convite para a função Pedro Taques disse que a indicação tinha vindo do Mauro Zaque. Ele acreditou porque conhecia o promotor desde os tempos de colégio. "Hoje na minha cabeça está muito claro: eu fui usado. Eu tinha um interesse que era aparelhar a PM", argumenta Zaqueu. Diz que várias vezes procurou o governador para resolver a situação e que se tivesse que ser punido estava disposto a arcar. "E estou até hoje agora o que eu não fiz eu não respondo", afirma o coronel Zaqueu ao juiz Marcos Faleiros que o questiona se pode provar todas as informações e acusações. Ele diz que basta ligar os pontos reforçando que as visitas a ele era sempre aos domingos de noite após o término do Fantástico. Diz que todas as vezes que foi na casa do Paulo Taques, Carolina é quem agendava. Diz que pode ouvir ela que vai confirmar tudo. Diz que lá tinham câmeras que podem confirmar sua presença no escritório de Paulo Taques. Disse que podem puxar registros de localização de seu celular para provar que ele esteve lá nos dias citados. Disse perto da Casa Civil tem câmeras de monitoramento que podem ser solicitadas. Sobre a conversa com o governador na casa dele, garante que o prédio tem câmeras e basta buscar registros. "O que estou falando aqui são fatos verdadeiros, quando a gente pede reinterrogatório é após clarear as ideias e falar a verdade", diz.

16H12 - Zaqueu justificou a Zaque que estava interceptando apenas militares em desvio de conduta. Zaque o informou que estavam praticando barriga de aluguel. "Quando ele me falou José do Patrocíno, Muvuca, Tatiane Sangalli, eu imaginei do que se tratava", diz ao questionar que os pedidos vinham de Paulo Taques. Foi Zaque que relatou que também estavam ouvido o desembargador aposentado , José Ferreira Leite. Zaque elencou vários nomes e Zaqueu disse que não tinha conhecimento. Foi embora e pediu ao coronel Siqueira para marcar uma reunião. Zaqueu disse que foi informado por Mauro Zaque que ele seria exonerado, e também outras pessoas. Zaqueu disse que tudo que o coronel Lesco fazia era a mando de alguém. Ou seja, inserir nomes de pessoas desconhecidas em interceptações. "Qual interesse que o cabo Correa tinha de colocar um cidadão da Seduc numa barriga de aluguel? Nenhum, não vejo interesse nenhum", diz Zaqueu Barbosa. "Qual o interesse dele em ouvir uma repórter chamada Larissa", questiona Zaqueu reforçando que os militares inseriam números de pessoas que eles sequer conheciam por ordem de Paulo Taques

16H07 - Zaqueu diz que a Carolina da Casa Civil foi grampeada por causa de uma história envolvendo João Arcanjo. Depois de um tempo ela foi mandada embora e entra em contato com a Tatiane Sangalli. Ela é interceptada e depois mandada embora. Ela agendava algumas reuniões entre Zaqueu e Paulo Taques. Ela também agendava reuniões de Paulo Taques com outros militares como o coronel Lesco. Ela foi ouvida depois de ser contatada pela Tatiane Sangalli. Elas tinham um relacionamento e foi estabelecida uma rotina para visitar o João Arcanjo. Zaqueu agora começa falar como esquema foi descoberto. Conta que um dia Zaqueu foi chamado para ir à residência do promotor Mauro Zaque e foi recebido na área de serviço. No local, soube que o coronel Siqueira já tinha conversado com Zaque. "Ele senta comigo e fala assim: você está fazendo coisas erradas: você está interceptando pessoas", detalha Zaqueu.

16H03 - Lembra que depois ele passou a tratar de algumas questões com o coronel Lesco. Tempos depois passaram a usar o sistema Sentinela porque o outro era ruim, obsoleto. Foi feito orçamento para adquirir o equipamento e orçado em algo em torno de R$ 40 mil para o cabo Torezzan desenvolver a ferramenta. Paulo Taques deu ok, segundo Zaqueu. A estratégia, segundo Paulo Taques, era fazer um "tempo de doação" do equipamento à Polícia Militar e assim foi feito. O aporte financeiro foi feito, mas o dinheiro não chegava e o Lesco começou a fazer empréstimos. Por isso, o coronel Siqueira procurou Zaqueu para reclamar. Ele orientou a sentar e discutir com o Paulo Taques pois ele que estava passando alguns números para serem grampeados. Assim foi feito e eles (Lesco e Siqueira) assumiram a frente da situação tratando com Paulo Taques.

16H00 - De acordo com Zaqueu, no primeiro pedido para barriga de aluguel contra os advogados José Rosa e José do Patrocínio, Pedro Taques e Paulo Taques estavam juntos. "Doutor, quem está acima não pede, dá ordem", responde Zaqueu quando questionado se o grampo contra os advogados foi um pedido ou ordem de Pedro Taques e Paulo Taques.

15H54 - Zaqueu faz a primeira grande revelação em seu depoimento. Segundo ele, o coronel Mendes foi grampeado para se chegar a um escritório supostamente clandestino do grupo do ex-deputado José Riva, que também chegou a ser candidato ao Governo em 2014 justamente contra Pedro Taques. "Digo pro senhor que Coronel Mendes foi um pedido do Paulo Taques no sentido de que o coronel Mendes. Na campanha, algumas situações aconteciam antecipadamente. Estou falando de barriga de aluguel agora. O coronel Mendes seria responsável pelo gabinete de inteligência do grupo de José Riva e Janete para questões de campanha. Por isso, dois números do coronel menes foram grampeados. Daí, ouvimos ele falando com alguém que estava tudo certo que Janete assumiria uma cadeira no TCE. Daí, relatei o fato ao Pedro Taques e ele garantiu ela não seria nomeada", confessa.

15H52 - O ex-comandante da Polícia Militar confessa que algumas pessoas interceptadas a pedido de Paulo Taques nem eram de seu conhecimento. Ele comenta que só foi saber tempos depois ao conversar com o cabo Gerson. Dentre os nomes interceptados sem ele saber, estão da advogada Gisele Bergamasco, assessora juridica em questões de reintegração de posse, e Kely Arcanjo, filha do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro.

15H45 - Zaqueu conta que foram comprados telefones móveis e chips pelo cabo Gerson que eram usados para espionar militares. Isso no primeiro pedido. Gerson comprou os equipamentos com seu aval, sem barriga de aluguel e parecer favorável. Ele explica o funcionamento do sistema witron, que é  plataforma de interceptações de sinais analógico, ruído, perda de sinal, equipamento ruim e obsoleto. "Ainda não estamos falando do sistema Sentinela", ressalta Zaqueu. No segundo pedido, levado pelo Paulo Taques já constavam nomes dos advogados José Antonio Rosa, José do Patrocínio e do jornalista Muvuca que estavam na lista de pessoas a serem inseridas nas escutas. Segundo ele, a lista foi levada por Paulo Taques no início da prática de barriga de aluguel. Zaqueu garante que inicialmente o objetivo era apenas ouvir policiais para descobrir desvios de conduta. Os militares Dorileo e a Andreia se limitaram a ouvir policiais.

15H41 - Disse que na época viu uma oportunidade de aparelhar a Polícia Militar com o equipamento de escutas, para questões legais. Naquele momento ele alega que nem imaginava que os interesses de Taques eram políticos. Hoje, ele pensa diferente.

15H36 - Em uma situação, Zaqueu viajou para Cáceres e foi orientado por membros do Governo a visitar um militar de Cáceres. Eles conversaram sobre questões de segurança, desvio de conduta de policiais e por isso houve a troca de comando e de alguns policiais na região. No começo de 2013, ele foi procurado pelo coronel Celso com duas placas, porque coisas relativas a inteligência eram tratadas com ele. Voltou para Cuiabá e trouxe as placas. Depois verificou a possibilidade de unir o útil ao agradável, pois tal ferramenta poderia ser utilizada em outra instituição. Relata que só trabalhou no Gaeco uma única vez num processo de transição e quem sabia trabalhar com o software espião e eram dois policiais, um tinha saído e ou outro estava lá, que era o cabo Gerson Correa. Diz novamente que recebeu visitas de Pedro Taques e Paulo Taques em sua casa. Os primos voltaram a cobrar que precisavam escutar algumas pessoas e Zaqueu diz que relatou que faltavam recursos financeiros. Daí, ele recebeu aval para fazer orçamentos e assim fez. Diz que a primeira espionagem não rolou barriga de aluguel, pois foram espionados apenas policiais militares em desvio de conduta.

15H30 - Zaqueu começa a dizer que tudo começou em 2014 por integrantes do grupo do ex-governador Pedro Taques (PSDB) pedindo reforço na segurança. Depois, foram várias conversas e visitas na sua casa, sempre aos domingos. Acredita que eles iam lá após participarem de reuniões políticas. Numa dessas conversas, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, e próprio Pedro Taques pediram se podiam escutar algumas pessoas que estavam atrapalhando. Ele disse que ia averiguar, já que ele ocupava à época a função de subchefe de Estado Maior.

15H12 - Um dos juízes militares afirma que a essência de tudo que está se julgando está sim relacionado às interceptações, dos grampos da deputada Janaina Riva, do jornalista Muvuca. Afirma que os telefones foram inseridos no sistema Sentinela de forma ilegal, sem autorização da Polícia Militar. "Quero ouvir dos militares o por quê eles inseriram os telefones", diz. Por decisão, unanime o Conselho decidiu que Zaqueu e os demais militares poderão falar tudo que acharem importante para suas defesas. Agora, Marcos Faleiros começa ler a acusação contra o coronel Zaqueu e depois ele via começar a falar.

15H05 - Thiago de Abreu Ferreira, um dos advogados do cabo Gerson, diz que se não obtida a colaboração existem atenuantes processuais, entre as quais confissão e obediência hierárquica. Por isso, ele tem direito de reinterrogatório e buscar atenuantes e por isso os detalhes que ele vai dizer, segundo a defesa, são sim atinentes ao processo e não cabe ao MP decidir isso."Queremos exercer o direito de defesa e buscar atenuantes". O juiz Marcos Faleiros libera os réus para falarem o que desejarem na audiência. "Se o réu entender que o que tem a falar pode o beneficiar de alguma forma, nós enquanto justiça militar não podemos tolher o direito de manifestação", diz o magistrado. O Conselho Militar também decide na mesma linha e os réus poderão sim revelar tudo que acham ser importante ao processo. O promotor reafirma não ter qualquer acusação contra os réus por interceptação telefônica, mas o juiz rebate. "Está aqui na denúncia, o Conselho é que vai deliberar depois", diz Marcos Faleiros rebatendo o membro do MP. Ou seja, afirma que consta na denúncia acusação contra os militares por crimes de interceptação telefônica.

15H00 - O membro do MP tenta acalmar os ânimos e ressalta que delação deve ser feita em outra instância, pois não cabe ao juiz Marcos Faleiros deliberar ou decidir sobre o tema. Destaca que a defesa precisa ver o que vai beneficiar os réus, o que vai beneficiar ou prejudicar terceiros que não fazem parte dos autos. Diz que o MP entende nesse sentido de não ter que ficar prolongando a audiência para ouvir questões não pertinentes ao caso. "São questões que não terão utilidade no processo específico", explica o promotor Vinicius Ghayva.

14H56 - A defesa de Lesco também discorda do MP em rejeitar os pedidos de delação e diz que precisam deliberar sobre o que a doutrina fala sobre colaboração unilateral. A defesa não está fazendo pedido sobre tal interpretação, mas alerta que os juízes assim como a defesa devem ter interesse na busca da verdade. Afirma ser contra a limitação da oitiva de Lesco para não falar tudo como quer o MP. Diz que ele vai trazer fatos novos e falar tudo que sabe.

14H52 - O advogado ao juiz que o fato de o MP se esquivar de investigar o que é narrado pelos réus prejudica a defesa deles. Tudo isso, segundo o advogado, precisa ser apreciado pelo magistrado, pois o MP não pode decidir por conta própria que alguns fatos e denúncias da defesa não são importantes para o processo e devem ficar de fora. Afirma que nunca viu em 20 anos de carreira o MP pedir ao acusado pra não falar toda a verdade. "É um pedido inédito", diz o advogado falando com o juiz e negando aparte ao promotor. Afirma haver cerceamento de defesa por parte do MP que quer obrigar os réus a falar somente da falsificação ideológica. "Isso é ilegal, inconstitucional", reclamou. Os advogados estão nervosos alterando o tom da voz contra o promotor Vinicius Gahyva. O advogado Stalin Paniago, defensor do coronel Evandro Lesco, também critica as afirmações de Ghayva. Discorda do juiz na afirmação de que trata-se do terceiro interrogatório.

Afirma ser a primeira oportunidade em que Lesco será reinterrogado e trará novos elementos importantíssimos para a instrução processual. "É a primeira vez que a defesa se depara com pedido do MP para limitar o interrogatório. Isso causa estranheza", afirma.

14H47 - A defesa de Zaqueu reage as afirmações do promotor e diz que a investigação do MP carece de legitimidade e ressalta que pode pedir quantos reinterrogatórios forem necessários e o juiz pode pedir quantas diligências achar necessário para se buscar a verdade. Ou seja, rebate o MP que fala em questões protelatórias. O advogado afirma que o MP não pode usar as informações dadas pelos militares em outros procedimentos, pois seriam provas ilícitas e tais procedimentos estariam fadados ao fracasso.

14H40 - Vinicius Ghayva explica que, nesta ação na Vara Militar, os militares não podem fazer acordo de colaboração premiada. Segundo ele, não há qualquer imputação aos militares de organização criminosa e nem escuta telefonica ilegal e por isso a delação não é aceita nesse caso concreto. Todavia, o promotor ressalta que os militares podem tentar acorods de delação noutros procedimentos desde que seja verdade os fatos. "Não estamos aqui pra defender quem quer que seja", diz o promotor afirmando que o que foi trazido pelos militares na tentativa de delação será investigado pelo MP em outros procedimentos.

14H35 - Com a negativa de se inverter a oitiva de Correa, está mantida a ordem dos depoimentos começando pelo coronel Zaqueu Barbosa, que também sinaliza revelar fatos impressionantes. Neste momento, o promotor Vinicius Ghayva faz uma contextualização do processo militar dos grampos telefônicos ilegais.

14H25 - Começa a audiência. O advogado Neyman Monteiro pede diante do vazamento da petião protocolada pelo cabo Gerson Correa npo úlitmo dia a mudança da ordem das oitivas com o cabo iniciando o depoimento. Segundo ele, a exposição dos fatos está atrapalhando a defesa. O promotor diz que o MP não vê problemas, mas vai atrasar ainda mais o andamento processual. O juiz Marcos Faleiros nega o pedido para inverter a ordem das oitivas. Ou seja, o Gerson não será o primeiro a falar hoje como pediu a defesa agora na audiência.

13h55 - A Audiência vai começar em instantes. Os policiais militares que são réus no processo da Grampolândia Pantaneira já se fazem presentes no Fórum de Cuiabá. O coronel Zaqueu Barbosa, porém, ainda não está presente na sala de audiências. Ele deve ser o primeiro a depor. Diversos veículos de imprensa se fazem presentes para acompanhar os depoimentos, que prometem trazer todos os bastidores do esquema de interceptações telefônicas ilegais no Estado.

 

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Comentários (20)

  • Marcos Paulo | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 23h05
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    PERRI TENHO QUE IR PRA CIMA DESSE MINISTÉRIO PÚBLICO!!!UMA VERGONHA ESSE PROMOTOR!!O MAIS VAGABUNDO EH ESSE PROMOTOR!!!TODO MUNDO SABE QUE PAULO E PEDRO TOQUES MANDARAM GRAMPEAR!!!CABO,SOLDADOS NÃO TERIAM O PQ GRANPEAR ESSES POLÍTICOS!!AGORA EH SÓ DEIXAR PAULO TABUS PRESO 5 ANOS QUE ELE DELATA PEDRITA!!!DELATA LOGO PAULO TOQUES QUE O FERRO ENTRA MENOS..QUAQUAAA..ARROGANTE vai PAGAR POR TUDO AGORA..

  • LUIS | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 21h13
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    Que vergonha hein mp?? Não querem investigar??

  • Reginaldo | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 18h14
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    Eu entendi?O Cel Zaqueu tentou delatar no Mistério Público Federal e não conseguiu? E também não conseguiu no Ministério Público Estadual? Poque?

  • romualdo | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 18h01
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    1

    É um choque ver que o MP tenta de todos os jeitos proteger Pedro Taques.

  • José | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 17h55
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    Já está saindo fumaça da sala de audiências mas não é fogo não é a pizzaria que está sendo montada com ajuda do MP TJ olha🍝 pizza

  • ELEITOR | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 17h09
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    FINALMENTE OS SERVIDORES PÚBLICOS VÃO TER O GOSTO DE VER NA CADEIA AQUELE QUE FOI COMO GOVERNADOR UM ARROGANTE, PREPOTENTE E QUE PISOU NOS SERVIDORES. ISTO É A PROVA DE QUE A JUSTIÇA TARDA MAIS NÃO FALHA E O SENHOR MAURO MENDES QUE É TÃO ARROGANTE E PREPOTENTE COMO FOI O PEDRO TAQUES FIQUE TRANQUILO QUE SUA HORA VAI CHEGAR PORQUE AO FINAL DO SEU GOVERNO TUDO MUDA E OS SERVIDORES PODERÃO TER O MESMO GOSTO E EXPECTATIVA DE VELO NO MESMO LUGAR DO PEDRO TAQUES QUE É CADEIA...

  • MARIA TAQUARA | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h34
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    2

    que horror o posicionamento do MPE-MT... qual o interesse deles em pedir que os réus não contem tudo que sabe? isso é contra a lógica

  • José | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h24
    2
    1

    CPI da toga já

  • valda | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h17
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    1

    desde quando que grampear bandido e crime barbaro. o certo seria usar os grampos para punir os bandidos que estavam fazendo maracutaia e foram pegos de surpresa.

  • FERNANDO | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h16
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    1

    GRAÇAS A DEUS BARROU O ESQUEMA DO RIVA

  • SEM ESCOLA | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h13
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    pedro taques vc vai ser o segundo ex governador a ser preso, eu acho que mauro mendes e que vai pedir musica ao fantástico daqui uns dias.

  • Analista Politico | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 16h11
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    Quanta podridão!!!!!

  • João | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 15h22
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    2

    CONDENAÇÃO 1000 anos pra todos

  • Cobrador | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h35
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    4

    Cb gerson VC TEM QUE SER CONDENADO 300 anos de cadeia

  • José | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h28
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    DUVIDO MUITO se coronel ZAQUEU VAI FALAR A VERDADE ... já teve tantas oportunidade quer falar logo agora ?

  • alex | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h27
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    3

    Éh "seus" TAQUES, a prisão espera VOCÊS!!!!!

  • Advogado Criminalista | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h25
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    2

    Espero que ao final desta audiência e se forem apresentadas provas robustas pelos Réus confessos, in casu, os militares, os mandados de prisões sejam expedidos contra os delatados, sejam estes, ex-Governador ou Membro do MP. É de se esperar uma medida concreta contra os malfeitores deste crime bárbaro, a tal da grampolândia.

  • Sgt | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h14
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    9

    CORONEL ZAQUEU E INOSCENTE

  • Caveira | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h13
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    0

    CORONEL ZAQUEU VIRA HOMEM FALA VERDADE FICA MAIS BONITO PRA VC .

  • BREDHOT | Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 14h07
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