23 de Maio de 2019,

Política

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Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 09h:00 | Atualizado:

OPERAÇÃO RÊMORA

Delator revela que conselheiro "prometeu negociar" HC no TJ

Permínio Pinto citou que Guilherme Maluf ainda teria ajudado financeiramente dois ex-servidores presos


Gazeta Digital

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O ex-secretário de Estado de Educação (Seduc), Permínio Pinto (PSDB), disse em sua delação premiada, que o ex-deputado estadual e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Guilherme Maluf, teria lhe prometido intermediar junto a desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para que acatassem os habeas corpus de Fábio Frigeri, Moisés Dias da Silva e Wander Luiz dos Reis, presos durante a primeira fase da Operação Rêmora.   

A informação consta no termo 11 de seu depoimento junto ao Ministério Público Federal (MPF). Permínio diz que logo após a deflagração da operação policial, vários integrantes do grupo político do governo Pedro Taques (PSDB), o teriam procurado para saber o que estaria ocorrendo. Entre eles, o então deputado Guilherme Maluf, lhe chamou para uma reunião no Hospital Santa Rosa (que é de propriedade de Maluf), onde relatou todos os ilícitos. “Guilherme Maluf deixou claro que sabia dos esquemas, haja vista ser o primo do empresário Alan Malouf”, diz trecho da delação.  

Ainda de acordo com o documento, o delator teria demonstrado preocupação com o avanço das investigações, assim como Guilherme Maluf, segundo o próprio Permínio.  

Na reunião, Maluf pediu que Permínio ficasse responsável por assistir materialmente a família do então servidor preso, Fábio Frigeri, enquanto o parlamentar ficaria responsável pelas famílias de Wander dos Reis e Moisés Dias, todos os 3 presos preventivamente.  

“Guilherme Maluf ainda disse, por ocasião dos pedidos de liberdade, que iria conversar pessoalmente com os julgadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para pedir que todos respondessem em liberdade”, afirma Permínio Pinto.   

Na época, o desembargador Rondon Bassil Dower Filho era o relator de todos os processos oriundos da Rêmora. Os HCs foram julgados pela Segunda Câmara Criminal, que, além de Bassil, era composta pelos desembargadores Alberto Ferreira de Souza e Pedro Sakamoto.   

Guilherme Maluf é réu na ação penal oriundo da operação Rêmora, que investigou esquema de fraudes em obras de reforma e construção de escolas que inicialmente estavam orçadas em R$ 56 milhões.   

Nilson Leitão   

Permínio também afirma que foi chamado a Brasília para conversar com o então deputado federal Nilson Leitão (PSDB), e que ao contar “toda verdade”, o parlamentar teria ficado surpreso e que orientou Permínio a procurar um assessoramento jurídico com o então chefe da Casa Civil Paulo Taques. “Nessa ocasião, Nilson Leitão disse que o ajudaria e teria mencionado, inclusive, que procuraria o então procuradorgeral de Justiça Paulo Prado, para saber das investigações”, diz outro trecho da delação.   

Ex-secretário cita ‘acordo’   

O ex-secretário de Educação Permínio Pinto (PSDB) relata em sua delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o suposto acordo entre o exgovernadores Pedro Taques (PSDB) e Silval Barbosa, era de conhecimento de todos os envolvidos na campanha do tucano ao governo em 2014. O fato corrobora com as delações do próprio Silval, do exsecretário Pedro Nadaf e do empresário Alan Malouf, que também alegam que Silval prometeu passar R$ 10 milhões para a campanha, via JBS.  

De acordo com a delação a qual A Gazeta teve acesso, Permínio relata que o assunto era recorrente pelo Comitê de Campanha de Taques, e que Glaucio Leitão (irmão de Nilson Leitão) e o ex-senador Osvaldo Sobrinho (PTB), que era um dos coordenadores da campanha, teria confirmado que Taques teria selado acordo com Silval Barbosa que ele deixasse de investir na campanha do candidato adversário, Lúdio Cabral (PT). “E ainda colaboraria com combustível e financiamento para a campanha de Pedro Taques com a promessa de que Taques não o denunciaria em possíveis investigações futuras”, diz trecho do documento.  

Permínio Pinto ainda diz que ficou indignado com o acordo e teria relatado o fato para o então deputado federal Nilson Leitão (PSDB). No entanto, Permínio afirma que soube depois, que Silval Barbosa teria cumprido em partes o acordo, sendo que deixou de apoiar financeiramente a campanha de Lúdio, mas não realizou nenhuma doação para a campanha de Taques.   

Dinheiro em Caminhonete   

Perminio Pinto também diz que presenciou uma caminhonete cheia de dinheiro em envelopes, com notas de R$ 100 e R$ 50. Que pela quantidade de envelopes, o delator acredita que o total seria de R$ 100 mil, que iriam para a cidade de Cáceres. O mesmo também teria visto o empresário Alan Malouf levando dinheiro em espécie para o Comitê de Campanha.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com o conselheiro Guilherme Maluf e seu advogado. Porém, ambos não retornaram as ligações. O ex-deputado federal Nilson Leitão também não atendeu as nossas ligações. Já o ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado, disse que sempre atende cidadãos e autoridades que o procuram. E que quando o assunto se trata de investigação ou prisão, “sempre orientei e oriento que procure um bom advogado criminalista e que converse com o réu ou investigado para que, se possível, colabore com a justiça”, afirmou. Já os desembargadores do Tribunal de Justiça não foram localizados para comentar o assunto.

O deputado Guilherme Maluf se posicionou sobre a delação de Permínio.

Veja a íntegra:

Nota 

O conselheiro do Tribunal de Contas, Guilherme Maluf, em função das notícias veiculadas na imprensa, faz questão de esclarecer que: 

- Sempre prezou pelo respeito máximo à Justiça, e nunca ousou buscar qualquer interferência nas decisões do Tribunal de Justiça, ou em qualquer instância do Poder Judiciário.

- Já esclareceu à Justiça que as indicações de servidores no âmbito da Seduc foram feitas pelo partido, ainda assim, reforça que não determinou ou autorizou que qualquer pessoa utilizasse seu nome para práticas ilícitas.

- Por último, enfatiza que confia na Justiça e que ao final do processo tem a certeza de que ficará comprovada sua inocência das acusações dos delatores.

 

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Comentários (14)

  • Ggm | Sábado, 20 de Abril de 2019, 07h27
    3
    0

    Injustiça vergonha matogrossensse.

  • Andre | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 16h38
    8
    8

    Nap foi esse sakamoto que condenou a juiza selma, minha senadora? Sera que a Justica para ela faltava um.Maluf desses interferir é?

  • LUNETA | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 16h15
    15
    1

    POSSUIR IDONEIDADE MORAL E REPUTAÇÃO ILIBADA...QUALIDADES JÁ FORA DE MODA NO ATUAL SERVIÇO PÚBLICO. LASTIMÁVEL!!!!

  • Ulisses | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 15h03
    18
    1

    Desde a época do JOSINO que se vende sentenças Numca parou, e eles os de capa preta não se envergonham

  • Jr Cardoso | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 13h51
    18
    2

    Uma vergonha esssa justiça, deixar Maluf ser conselheiro do Tce, um corrupto desse, réu na operação remora e Ainda de boa lá...Quem não coenhce esse Maluf, q compre,esse é um câncer da política de MT há anos delapidando o patrimônio público c sua quadrilha corrupta.....acorda TJ....

  • Alípio Santiago | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 12h18
    22
    0

    Coisas de MT. Prefeito flagrado enchendo o bolso do paletó de dinheiro ilícito e continua Prefeito, como nada tivesse acontecido. Conselheiro do TCE, com vários processos nas costas, continua conselheiro e querendo julgar contas. Aí fica desanimador, não tem jeito.

  • alexandre | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 12h02
    17
    2

    lava togas urgente, para o bem do sistema de justiça...

  • aureo | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 11h56
    17
    0

    Esta explicado o porque que os mais humildes não ganha uma demanda contra os grandes (principalmente se for contra politicos) .Essa nossa justiça é a mais injusta do mundo. Agora o seu Perminio tinha que dar nomes dos tais desembarcadores e a policia prender esse tal de Maluf que alem de ser corrupto é um corruptor tambem

  • José | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 11h55
    14
    1

    É aí que fica a pergunta cade a CPI da toga eos deputados de mato grosso os senadores estão calados porque

  • JOSE NETO | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 11h48
    14
    1

    TODOS DE REPUTAÇÃO ILIBADA... TJ, MALUF, TAQUES, LEITÃO, PERMÍNIO, E CIA... SÓ GENTE BOA.... ELITE MORAL, CULTURAL E ECONÔMICA DE MT... DEUS ILUMINE ESSES ILUSTRES E SEUS ADMIRADORES QUE TANTO TRABALHAM PELO BEM DA SOCIEDADE....

  • Juca Curimba | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 10h15
    16
    0

    Lembrem-se, o mesmo tribunal entendeu que o site senhor tem conduta ilibada.

  • Lucas | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 09h52
    15
    1

    É uma palhaçada todo sistema mato-grossense judiciário, essas pragas tem q ser afastadas pois todos ali são parentes e julgam em causa própria.

  • José | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 09h45
    17
    1

    Quando envolve desembargadores começa a cheirar uma pizza um que cheirosa

  • bobo chera chera | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 09h30
    20
    1

    olha ladrão sempre vai existir, agora justiça podre igual nos temos hoje, ai sim fica difícil.

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