09 de Abril de 2020,

Política

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Sábado, 26 de Outubro de 2019, 10h:57 | Atualizado:

GESTÃO BOLSONARO

Deputado de MT sugere "governo de coalizão", mas sem oferta de cargos

"Agora, nós temos responsabilidade com o país, e não podemos ajudar a desequilibrar ainda mais do que já está desequilibrado


Da Redação

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O MDB não é fiador do governo de Jair Bolsonaro (PSL) e qualquer argumento favorável a um alinhamento caminha em sentido contrário à vontade da maioria dos filiados e políticos com mandato na legenda. A avaliação é do presidente da sigla no Estado, deputado federal Carlos Bezerra (MDB), uma das mais antigas lideranças do Movimento Democrático Brasileiro fundado em 1980. Hoje, o partido tem hoje 33 entre os 513 deputados da Câmara Federal.

Bezerra comentou que o partido não tem influência sobre a indicação de um ministro e dos líderes na Câmara e Senado serem filiados a sigla. “Não temos nada a ver com isso. É escolha pessoal do presidente da República. Somos um partido que mantém a independência com relação a esse governo”, considerou.

Perguntado sobre como fazer para não ver — como ele diz à imprensa local — a imagem do MDB atrelada às ideias e atos cada vez mais desgastados do bolsonarismo, à parte o populismo presente na legenda, Bezerra afirma que essa é uma reconfiguração natural, pautado no momento histórico e político, apesar de parecer chocante tentar entender o MDB caminhando em sentido contrário ao da própria história desde a redemocratização. “Tivemos uma convenção nacional agora, na semana passada. É uma posição nacional, não só da bancada federal, dos senadores ou dos deputados federais. É decisão nacional: o partido não está atrelado ao governo. Agora se o próprio governo quer pensar em quadros deste ou daquele partido, é um problema do governo. O MDB não participa disso e não quer auferir nada disso. Não quer cargo, não quer nada”, posicionou-se.

Com experiência de 50 anos de vida pública, onde ocupou cargos de prefeito, governador, senador e deputado federal, Bezerra, entende que não é hora, porém, de jogar nada no ventilador do futuro da nação. “Lógico que nosso partido, como o mais antigo do Brasil, tem quadros experientes, preparados e essa loucura que tá aí, de autofagia na esfera federal, é o que sobra pra encaminhar alguma coisa”, considerou.

E por isso mesmo, o conselho para que Jair Bolsonaro faça o dever de casa, para o qual, segundo ele e analistas políticos, foi eleito e caminhe para o único rumo possível — o da conversa e acordo republicanos. “Existe governo de coalizão, sem trocas de cargos, em qualquer lugar do mundo. Sempre é coalizão. Veja na Inglaterra agora, estão em crise lá por isso. Não queremos participação nem proximidade com o governo, mas temos responsabilidade com o país e por isso não podemos ajudar a desequilibrar o Brasil, mais do que já está desequilibrado”. 

Apesar do tom duro, o também ex-governador (1987-1990) e colega por três mandatos do atual presidente na Câmara aconselhou Bolsonaro a fazer o que gestores públicos fazem em toda democracia do planeta: ao invés de se perder num tom belicoso não só aos adversários, mas aos próprios aliados, como revelou a recente guerra de listas por liderança de bancada. “Ele deveria fazer um governo de coalizão, que é o que todo mundo faz. Você quer a maioria para governar. Não fez maioria? Então faz coalizão. Eles ficam aí com essa história de nova política, mas não é bem assim”, continuou, criticando os discursos dos "rostos novos" que ganharam espaço nas últimas eleições, proporcionando uma das maiores renovações no parlamento. 

“Quer dizer, não tem velha política ou nova política, tem boa e má política. Uma ciência que não muda, é imutável, mas é científica. Agora, a velha politicagem, essa sim, muda com[o mudam] os cafajestes que se aproveitam da vida pública para enriquecer e outras coisas mais. Então, o que está havendo no Brasil é uma distorção: o governo, ao ganhar a eleição, sentiu que não tinha maioria, deveria ter procurado fazer uma coalizão para dar equilíbrio e governar o país”.

Assim, o apoio à turma de Olavo de Carvalho colocada em Brasília pelo PSL e sua mais conhecida figura até haverá, mas só nas pautas e demandas pertinentes a tirar o país do lugar nada confortável de crescimento pífio, deflação, queda de consumo e desemprego fora de controle (13,2 milhões, segundo o último estudo do Caged). “O que podemos fazer é ajudar naquelas coisas que estão corretas, como no Congresso Nacional, [onde] o MDB tem participado e ajudado. Inclusive na reforma previdenciária que foi o principal projeto que se votou ultimamente. E agora estamos preparando para votar a reforma fiscal, que é tributária e a próxima reforma a ser votada. Tudo que for do interesse do país, vamos estar votando, inclusive com o governo”.

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Comentários (4)

  • Armindo de Figueiredo Filho | Sábado, 26 de Outubro de 2019, 17h55
    1
    0

    COMENTAR O QUE??????Ninguém da mais OUVIDO á RAPOSA VELHA... Validade "VENCIDA" há muito ...... Fim de Papo .....

  • Galdencio | Sábado, 26 de Outubro de 2019, 14h36
    3
    0

    Opinião desse velho calhorda não interessa a ninguém. Que esta precisando escorraçar um lote de vagabundos desse País disso ninguém duvida. Principalmente uns 7 do famigerado STF. Inclusive você.

  • So jesus na causa | Sábado, 26 de Outubro de 2019, 12h26
    4
    0

    Piada pronta....Se enxerga ..Vc acusado de desvios e etc..Quem foi politico que precisou de vc sabe o tal dos 30%..A teta secou né...Ficaria preocupado se vc falasse bem do bolsonaro...Esse daí era pra estar preso faz tempo....Padrinho do palitó...ridiculo...Cuidado MP, MPF e etc ,,Os cargos e etc do sistema prisional esta nas maos do MDB..Ficam de olho...

  • O atalaia | Sábado, 26 de Outubro de 2019, 12h07
    4
    0

    É de adimirar esta proposta do deputado Bezerra. Ele, que representa a geração do corenelismo, que anda com pastinha cheia de curriculo de correligionários para exercer cargos de confiança .....será que mudou mesmo ou está usando a máscara da prudência e da seriedade?

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