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Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2019, 16h:40 | Atualizado:

CPI SECRETA

Doleiro confirma que empresário era operador da JBS em MT e diz ser "amigo" de Riva

Lúcio Funaro criticou o fato de seu depoimento em CPI ser realizado a portas fechadas


Da Redação

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Operador financeiro do MDB e um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro contou há pouco que o empresário Fernando Mendonça, principal doador da campanha que elegeu o então senador Pedro Taques (PSDB) ao governo de Mato Grosso em 2010, era sim o braço direito dos irmãos Joesley e Wesley Batista no Estado. “Fernando Mendonça era o operador financeiro da JBS no Estado de Mato Grosso e isso foi falado por ele próprio para mim dentro da casa do Joesley em Angra dos Reis”, disse, na tarde desta quinta-feira (19), no intervalo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal, na Assembleia Legislativa.

Funaro confirmou o que havia dito em outra CPI, a do BNDES, na Câmara Federal. Estrela do momento entre os jornalistas, disputado pelas câmeras e LEDs, ironizou a atitude do deputado Dilmar Dal Bosco (DEM), substituto de Carlos Avalone (PSDB) na comissão, por exigir sessão secreta para ouvi-lo.

“Acredito que não é uma atitude pra ser tomada num estado democrático de direito onde todas as CPIs têm sido abertas e dão conhecimento a toda a nação do que está acontecendo no país”, afirmou.

Esquivou-se, entretanto, quando perguntado sobre quais irregularidades ele teria cometido, em quais dos “vários” esquemas e quais empresas estão envolvidas nas transações financeiras ilegais realizadas pela organização criada pela maior empresa frigorífica do planeta. “Isso daí nós vamos deixar para uma próxima parte, aqui, dentro da CPI”.

Sobre o motivo de terem exigido audiência secreta, se teria algo a ver com o medo dos políticos verem revelados como funcionam os esquemas operados por ele anteriormente, limitou-se a demonstrar surpresa.

Revelou também que, especificamente sobre as muitas tramas envolvendo sonegação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por parte da JBS, ele não tinha muita ciência do que foi feito, mas sobre outras questões, há sim muitas revelações e documentos.

Funaro, porém, afirmou que não tinha nem como discriminar em quais governos ocorreram as supostas ilegalidades, porque precisava ainda aferir o período total em que as coisas se deram. Ademais, ele só teria entrado em contato com eles por força do seu trabalho na JBS, de 2011 pra frente.

“Só posso falar a partir do momento que eu conheci eles. Vou relatar perante esta comissão os fatos que eu sei, os fatos que eu posso provar, os fatos que podem ser comprovados tanto por mim quanto por outras delações, pra que sejam apuradas aqui, dentro desta Casa, as irregularidades que foram cometidas dentro do Estado de Mato Grosso”.

RIVA E MAGGI

O doleiro ainda respondeu sobre as relações que possui com alguns políticos de Mato Grosso. Por exemplo, disse ser amigo pessoal do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, mas negou qualquer relação comercial ou ilegal com ele. “Nenhum assunto a falar sobre ele, a não ser que eu conheço ele, sou amigo dele, pessoal. Nenhum. Nunca tive nenhuma transação política nem nunca financiei campanha política dele. A única transação que tive com ele foi uma transação comercial, com uma empresa dele de compra e venda de imóveis. Só isso”, garantiu.

Sobre outro peso-pesado da política mato-grossense conhecido no Brasil todo, o ex-governador, ex-senador e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), Funaro disse que só falará no final dos trabalhos. “Vamos deixar a CPI acabar, vou responder as questões da CPI e depois eu falo pra vocês”. Perto de encerrar, ele disse que trataria de todo e qualquer assunto sobre o qual tiver conhecimento e ou tenha participado em Mato Grosso, “se for permitido pelo presidente da casa e outros deputados”.

“Quero deixar uma coisa bem clara aqui: não tenho nenhum fato para omitir, não tenho nada pra esconder, estou firme no meu propósito de colaboração e vou continuar colaborando com os órgãos, sejam eles do judiciário, do legislativo ou executivo. Vou relatar os fatos”.

Para terminar, ele reforçou o estranhamento ao fato de um deputado (no caso, Dilmar Dal Bosco, DEM, liderança da base governista) pedir sessão secreta em uma CPI idêntica à que aconteceu na Câmara Federal há pouco tempo sem igual entendimento.

“Não conheço esse deputado, não sei a carreira política dele, não sei quem são os financiadores da campanha dele, não sei quais são os motivos que o levaram a pedir a reunião secreta. Respeito a opinião dele e vou cumprir a determinação como tenho cumprido todas as do judiciário”.

 

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Comentários (4)

  • Ggm | Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019, 08h27
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    Só mais despesas para o contribuinte pagar, vejam quem está questionando o doleiro. Deputados vão produzir algo útil para mato grosso.

  • Revoltado | Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019, 07h59
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    FALTA DE VERGONHA NA CARA EM DEPUTADO!!!! QUE DEUS PONHA AS SUAS PESADAS MÃOS SOBRE VOCÊS!!POIS NÃO É JUSTO A POBREZA MORRER PRO FALTA DE DINHEIRO QUE VCS ROUBARAM. VCS VÃO QUEIMAR NO INFERNO LADRÕES DO DINHEIRO PÚBLICO.. DEUS É JUSTO E VAI COBRAR PELAS MORTES CAUSADAS PELOS SEUS ROUBOS. MALDITOS.!!!!!!!!!!

  • José | Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019, 06h42
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    0

    O doleiro falou que não sabe quem são os financiadores de campanha do deputado Dilmar mas as más línguas dizem que é a sema

  • Djuca Paletó | Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2019, 19h37
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    0

    Vamos aguardar o vazamento.... Kkkkkkk! Logo aparece um, em tempos de alta tecnologia, é uma burrice sem tamanho achar que será sigiloso.

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