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Política

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Sexta-Feira, 29 de Novembro de 2019, 16h:42 | Atualizado:

OPERAÇÃO ARARATH

Empreiteiro delata deputados e garante que fez "empréstimos fantasmas" em banco

Dono da Conspo assume esquema bancou várias campanhas


Da Redação

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Em depoimento ao Ministério Público Federal, o dono da empresa Consop Construções, Ulisses Viganó, admitiu ter criado um verdadeiro sistema de financiamento ilegal de campanhas políticas por meio do esquema de empréstimos fraudados montado dentro do extinto Bic Banco a pedido de deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e do ex-secretário da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Eder Moraes Dias. Ele também contou à Procuradoria da República que políticos como o ex-deputado estadual Dilceu Dal Bosco (DEM) e o ex-prefeito de Sinop e hoje deputado federal Juarez Costa (MDB) eram diretamente favorecidos. “Foram várias pessoas, eu peguei empréstimos orientados pelo Ságuas Moraes, da Seduc, pelo falecido Vilceu Marchetti, o secretário dele lá, o Ezequiel de Lara, para deputados que precisavam de dinheiro lá para campanhas, eles chegavam lá com a carta, o Dilceu Dal Bosco, o ex-prefeito de Sinop Juarez Costa, para vários deputados foi feito a pedido do governo, o governador Silval Barbosa na época era vice do Blairo. Tinha secretarias que eu pegava cartas em que eu nem tinha contrato com o governo”, entregou o empreiteiro.

Viganó foi denunciado por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro em um grupo de pelo menos 14 pessoas, todas acusadas de participação em simulações financeiras — e portanto sem lastro idôneo — que depois eram tornadas reais. E viravam até obras para o corruptor. “Eu tinha uma empresa em Sinop que não fazia obras públicas, aí eu fui procurado pelo deputado Dilceu Dal Bosco e pelo Junior Leite e me disseram o seguinte: você quer fazer obra no governo? A condição é esta: você pega, vai lá no BIC, abre um cadastro lá, troca uma carta [precatória] que nós garantimos obras para vocês. Eu fui lá, me apresentei com o Luiz [Carlos Cuziol], que na época era o superintendente. Eles pegaram uma carta, que essa carta eu não tinha nem um contrato com o governo, me deram uma carta assinada pelo Vilceu, o BIC trocou e eu repassei o dinheiro para eles. E aí começou as obras”, descreve.

Era a maneira utilizada para obter dinheiro e com eles pagar as contas da turma de poderosos ligada aos ex-governadores Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa, hoje sem partido, mas do MDB durante todo aquele período. “As cartas que eram para uso político. Todas as empresas pegavam cartas frias, levavam a carta lá no BIC, pegavam o dinheiro. No meu caso, eu transferia a maior parte pelo Brasil; sacava e era distribuído. Era assim a condição para pegar a obra no governo Maggi e no governo do Silval”, consta em outros trechos do depoimento.

De acordo com a PGR, todos contratos firmados entre a Consnop Construções e o Bic Banco traziam falsas garantias de cessão fiduciária dos direitos creditórios devidos pelos entes da administração pública governamental, notadamente naquela com um dos maiores orçamentos, pois cuida justamente de praticamente todas as obras públicas de Mato Grosso: a Sinfra (Secretaria de Infraestrutura e Logística). Assim, os trabalhos de engenharia civil oferecidos pelo Governo de Mato Grosso — ao serem entregues de maneira direcionada a um dono de empreiteira — a Consnop Construções assemelhou-se a entregar a chave de um galinheiro cheio de poedeiras a uma raposa gigante, que sistematicamente trocava os ovos ou a promessa deles por carne tenra de frango quando bem queria, pois como não passavam de simulações sem fundo real, inexistiam juridicamente falando.

Sem relação jurídica estabelecida, parecia a todos uma ótima maneira de esconder o roubo de dinheiro público, conforme as palavras do MPF, pois não passava de uma garantia de negócio mentirosa, pautada em serviços verdadeiramente prestados à Sinfra, mas sem nenhum tipo de relação ou ligação legal com os responsáveis pelas cartas precatórias, que existiam, mas eram títulos podres, sem capacidade de garantir absolutamente nenhum pagamento por parte do Executivo.

Segundo Ulisses Viganó, todos os empréstimos citados foram obtidos ao agrado de vários poderosos, entre os quais ex-secretário de Educação Ságuas Moraes, o já falecido ex-secretário da Sinfra de Mato Grosso durante todo o governo de Blairo Maggi, Vilceu Marchetti, além do seu ex-secretário-adjunto de Gestão Sistêmica da Sinfra, Ezequiel de Jesus de Oliveira Lara.

ENTENDA

Por causa dos atos citados, o MPF denunciou os nomes relacionados por crimes de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. A acusação inclui os executivos e gerentes do BIC Bank em Cuiabá e depois do desdobramento da Operação Ararath, ligou diretamente o então titular da Sefaz, Eder Moraes Dias, bem como o casal de empresários donos da Consnop Construções, Denise e Ulisses Viganó.

Ato contínuo, o ex-superintentendente do BIC Bank, Luiz Carlos Cuziol, firmou um acordo de delação premiada. Nela, foi revelado que a Consnop Construções pegou empréstimos até o montante de R$ 4,3 milhões.

Antônio Eduardo de Carvalho Freitas, Luiz Carlos Cuzziol e Fabrício Figueiredo Acosta, também ex-superintendentes do BIC, foram denunciados por crime de gestão fraudulenta. Elisa Shigeko Kamikihara Kochi e Hermes Rodrigues Pimenta, ex-gerentes, respondem por gestão fraudulenta; Carolina Kassia Cocozza Fonseca Yamanaka, Khalil Kfouri e Sérgio Marubayashi, todos membros do comitê Superior de Crédito e também respondendo à justiça por seus supostos atos de gestão fraudulenta. Completam o núcleo financeiro denunciado o então presidente do BIC, José Bezerra Menezes.

No núcleo público ligado ao Poder Executivo foram denunciados por gestão fraudulenta o ex-superintendente administrativo e financeiro da Sinfra Paulo da Silva Costa; o ex-secretário Éder Moraes Dias, por gestão fraudulenta e lavagem de capitais, o ex-adjunto de Gestão Sistêmica Ezequiel de Jesus de Oliveira Lara.

Responsável pela denúncia, a procuradora da República Vanessa Cristhina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani no último dia 20 de agosto. Com o avanço das investigações, um pedido de quebra do sigilo bancário da Consnop foi feito. Simultaneamente, outro delator, o empresário Júnior Mendonça acabou indicado como testemunha de acusação.

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Comentários (2)

  • Olho Vivo | Sábado, 30 de Novembro de 2019, 09h26
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    Para todo lado que se olha é só ladrão e corrupto. Políticos em sua totalidade (100%), só tem intenção de corromper e furtar o erário público, preocupados exclusivamente com o bem estar da própria família, e de seus amiguinhos laranjas que ajudam por intermédio de sua empresas. Ainda se vê em redes sociais o povo discutindo esquerda e direita. Coitado do povo, burros e jumentos que trabalham para enriquecer essa corja de ladrão. (detalhe: incluo-me entre esses burros). Quando vamos reagir violentamente contra tudo isso ?

  • José | Sexta-Feira, 29 de Novembro de 2019, 21h37
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    É incrível como os políticos maís graduados; como os ex governadores são blindados?

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