20 de Junho de 2019,

Política

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Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019, 09h:30 | Atualizado:

INVESTIGAÇÃO NA SODOMA

Esposa e mãe de ex-secretário tentam reaver imóveis bloqueados em MT

Familiares devem provar que bens bloqueados não pertencem a Marcel de Cursi


Da Redação

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A empresária Marnie de Almeida Cláudio e Valdelice Souza de Cursi, esposa e mãe do ex-secretário de Estado de Fazenda (Sefaz) Marcel de Cursi, envolvido nos esquemas revelados pela Operação Sodoma, tentam retirar seus imóveis do sequestro de bens decretado pela justiça a pedido do Ministério Público Estadual (MPE).

Em decisão da juíza da Sétima Vara Criminal, Ana Cristina Silva Mendes, proferida no dia 03 e publicada na quarta-feira (17), as duas são intimadas a apresentarem provas de que os imóveis são de propriedade delas e não do ex-secretário suspeito de participação em desvios até o montante de R$ 7 milhões dos cofres públicos.

As duas entraram com embargos de terceiro contra a determinação do sequestro.

Marnie de Almeida Cláudio, entretanto, foi denunciada ao lado de seu marido pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposta participação em crimes de lavagem de dinheiro. Segundo investigações da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), a partir da quebra do sigilo bancário da empresária, ficou comprovado que uma empresa aberta em seu nome (a M de A Claúdio EPP) movimentou mais de R$ 6,8 milhões em três anos, entre 2012 e 2015, época em que De Cursi fora indicado para gerir a Sefaz.

“Intimem-se as partes para especificação das provas a serem produzidas, justificando-as, sob pena de indeferimento. Não havendo provas a serem produzidas, que se manifeste quanto a eventual julgamento antecipado da lide. Às providências. Cummpra-se”, escreveu Silva Mendes na intimação do dia 03. O texto é idêntico no caso da mãe do ex-secretário, Valdelice.

OUTRO SEQUESTRO

Marnie também já sofreu um sequestro físico e agressões por parte de quatro homens, no dia 21 de junho de 2016. Disfarçados de policiais civis, eles pediam R$ 7 milhões de resgate. Todos foram presos meses depois. A defesa dela chegou a pedir escolta policial à Secretaria de Segurança Pública (Sesp), à época comandada por Rogers Jarbas, que negou o pedido.

Na época, ela contou à Polícia Civil que os criminosos exigiam saber onde estariam os R$ 7 milhões roubados pelo marido. Como disse que esse valor não existia, foi ameaçada, levou coronhadas e foi largada em um matagal. As polêmicas desses tempos envolveram a então juíza e hoje senadora Selma Arruda (PSL), responsabilizada pelos advogados da empresária à época como “culpada”, junto com a imprensa, pelo ocorrido ao não decretar segredo de justiça nos atos processuais dos quais Marnie e Marcel de Cursi eram alvos.

MPF TAMBÉM QUER

O MPF também pede a indisponibilidade de bens do casal, juntamente com os do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, do ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros, e ainda André Luis Marques de Souza, além de Walid Kassab no valor de R$ 4.825.469,61 por suposto esquema envolvendo a retenção fraudulenta de tributos estaduais, durante a gestão Silval Barbosa, além da utilização de cheques emitidos em nome de uma empresa fantasma que recebia esses valores e que depois eram depositados e sacados para distribuição de propina.

A denúncia foi assinada pela procuradora da República Vanessa Cristina Marconi Zago Ribeiro Scarmagnani no dia 13 de setembro de 2018 como fruto de investigações advindas da Operação Ararath, que apura crimes contra o sistema financeiro em Mato Grosso da ordem de R$ 500 milhões, e também contém fatos apurados ainda na Operação Sodoma, da Defaz.

Na denúncia, o esquema começou com dois decretos de números 924/2011 e 1.642/2013, assinados pelo ex-governador Silval Barbosa. Ambas normativas permitiam que empresas do ramo de transportes aproveitassem em “conta gráfica” – um recurso contábil que compensa o imposto que foi pago na aquisição de um produto caso na venda deste bem o valor seja menor do que preço pelo qual ele foi adquirido.

Esse recurso contábil vigorou nos meses de janeiro a dezembro de 2012 e entre março de 2013 e fevereiro de 2014. Neste contexto, entra em cena o empresário do ramo de transportes Genir Martelli, de Rondonópolis (216 km de Cuiabá), proprietário dos postos Taperão e Siloeiro.

Em meados de 2013, Pedro Nadaf chamou o declarante na Casa Civil, por algumas vezes, e questionou ao declarante se conhecia alguém que pudesse trocar cheque ou empresa que o fizesse.

Cheques do Grupo Martelli foram emitidos em favor da M DE A Cláudio EPP – empresa supostamente fantasma da esposa de Marcel de Cursi, Marnie de Almeida Cláudio –, aproveitando-se dos referidos decretos aprovados por Silval Barbosa, conforme narra a denúncia.

“Por meio da investigação realizada, constatou-se que os cheques emitidos pelas empresas do Grupo Martelli, em benefício da empresa M DE A Claudio EPP, possuíam correspondência com os Decretos nº 924/2011 e 1.642/2013, que alteraram o Decreto nº 2.683/2010, responsável por permitir que o segmento das transportadoras do Estado de Mato Grosso aproveitassem em conta gráfica o valor nominal do crédito do imposto retido na aquisição de óleo diesel, ao arrepio da legislação vigente”, diz.

Leia a matéria completa sobre esse caso aqui.

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Comentários (2)

  • Maria | Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019, 11h29
    1
    0

    A justiça é um tanto controvertida as vezes. A operação Ararath que teve o 1 delator o sr. Junior Mendonça que como outras instituições e pessoas usaram, abusaram e ganharam muito grana em cima destes esquemas e que entregou todos que ele quis- convenientemente- é casado desde 2007 com a sua esposa que também é co participante direta e indireta. Fora os não denunciados por ele. Sem contar que o Nadaf que hoje trabalha para um dos seus parceiros de gtandes negócios Fernando Mendonça da J&F deixou a ex esposa legitima e sabiente de tudo com muitas posses junto aos filhos, deixou a outra intermediaria com 3 milhoes so de bondade e a que ele estava por ultimo o deixou levando muito dinheiro dele na surdina para Paris e todas vivem como rainhas e ninguem tocou nesses dinheiros que vieram das propinas por ele recebidas. Que Brasil hein..

  • JUSTICEIRO | Quarta-Feira, 24 de Abril de 2019, 10h58
    3
    2

    Não pode deixar os bens decretado pela justiça a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), pois isso faz parte do desvio...Tem que leiloa ou fazer doação para uma instituto carente, exemplo câncer e outros é o que mais...NÃO PODE LIBERAR PARA FAMILIA NENHUMA...

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