19 de Setembro de 2019,

Política

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Domingo, 26 de Maio de 2019, 23h:49 | Atualizado:

DECLARAÇÃO EM CARTÓRIO

Ex-secretário acusa delator de fazer acusações falsas por mágoa com prisão em MT

Brustolin diz que Malouf inventou história contra Galindo


Da Redação

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Citado na delação premiada do empresário Alan Malouf, o ex-secretário estadual de Fazenda, Paulo Brustolin, afirma que o acordo de colaboração homologado pelo ministro Marco Aurélio de Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi baseado em informações falsas. Em documento registrado em cartório em São Paulo (SP), ele sustenta que Malouf estava magoado com o ex-secretário de Segurança Pública, Fábio Galindo, que recusou ajudá-lo a fechar uma delação com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

Malouf acabou sendo preso no dia 14 de dezembro de 2016 na segunda fase da Operação Rêmora que investigava um esquema de fraudes a licitações na Secretaria Estadual de Educação (Seduc). “O declarante falou a Alan que não queria mais se envolver com essa situação e pediu que não o procurasse mais, por isso Alan achava que sua delação não iria ‘passar’, como de fato não acabou não passando. Que viveu esses fatos e pode afirmar com certeza que Alan manipulou completamente a verdade em suas declarações”, diz trecho da escritura pública declaratória feita por Brustolin e registrada no Cartório Toledo – 19º Tabelionato de Notas, em São Paulo, à qual FOLHAMAX teve acesso com absoluta exclusividade. 

Em sua delação, Malouf acusa Galindo de pedir R$ 3 milhões para blindá-lo junto ao ex-coordenador do Gaeco, Marco Aurélio Castro, e a então juíza Selma Rosane Santos Arruda, hoje senadora da República. Os três citados contestam as acusações.

O documento foi elaborado no dia 31 de outubro de 2018, período em que Brustolin não integrava mais o staff do então governador Pedro Taques (PSDB) e já estava morando em São Paulo, num apartamento situado no bairro Bela Vista, na Capital Paulista. Ele deixou a chefia da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) em junho de 2016 e voltou atuar na iniciativa privada. 

Fábio Galindo, que hoje atua como advogado, era promotor de Justiça em Minas Gerais, mas tinha parentes em Mato Grosso. Por isso se mudou para Cuiabá passando a compor o staff de Pedro Taques, em 2015, como secretário executivo de Segurança Pública.

Em dezembro daquele ano Galindo assumiu a Pasta após Mauro Zaque pedir exoneração da função. Fábio Galindo, no entanto, ficou apenas três meses no comando da Sesp e pediu demissão em março de 2016 e foi morar em Brasília (DF). 

No depoimento registrado em cartório, Paulo Brustolin relata que depois da prisão do ex-secretário de Educação, Permínio Pinto (PSDB), em julho de 2016, o empresário Alan Malouf mostrava muito apreensivo e insistia para falar com Fábio Galindo e não conseguia. Por isso, pediu a Brustolin para agendar uma reunião entre eles. 

Depois de muita insistência de Malouf, relata Brustolin, um encontro foi marcado em seu apartamento no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, ocasião em que houve uma rápida conversa sobre os fatos de corrupção investigados na Operação Rêmora.  “No meio de outros assuntos Alan passou a falar da Seduc. Que foi a primeira vez falou que tinha medo de ser envolvido na operação que prendeu Permínio Pinto, o que nos causou surpresa. Nessa ocasião, Alan alegou inocência, mas disse que tinha medo de o envolverem injustamente pois um dos presos era um empresário com contratos com a Seduc, casado com sua prima (Giovani Guizardi)”, detalha Brustolin. 

Conforme o ex-secretário de Fazenda, Fábio Galindo foi enfático com Alan Malouf orientando-o a se apresentar e esclarecer os fatos. Galindo insistia que, se Alan estive certo, era para comparecer como testemunha e se estivesse errado, era para se antecipar e fazer uma delação, mas deveria comparecer e se explicar. 

Por volta de outubro de 2016, segundo Brustolin, Alan Malouf se mostrava bastante angustiado e perguntou a ele se Fábio Galindo tinha interesse em voltar a morar em Mato Grosso e advogar. Malou teria pedido a Brustolin para fazer uma proposta de pagamento de 100 salários de promotor como garantia contratual de sua saída do Ministério Público. 

Brustolin relata que ligou para Galindo e apresentou a proposta de Maluf que foi prontamente rejeitada. “Fábio recusou taxativamente dizendo que não voltaria a Mato Grosso e não pensava em advogar, que quando exonerasse iria trabalhar com compliance em São Paulo”. 

Conforme Brustolin, a recusa foi repassada a Malouf que ainda insistia em falar pessoalmente com Galindo “só para ter uma orientação porque estava disposto a fazer uma delação, mas segundo Alan, Pedro estava segurando e precisava de alguém que ajudasse a homologar sua delação sabendo, sabendo que Fábio conhecia a o promotor”. Por fim, Brustolin relata que voltou a insistir e Fábio Galindo recebeu Malouf num café em Brasília no final de 2016.

Ao término da conversa, Alan ligou para Brustolin pelo WhatsApp e agradeceu a agenda, mas se mostrou claramente chateado e magoado com Fábio Galindo que o orientou a fazer delação no Gaeco, mas disse que não iria ajudar e nem conversar com ninguém, pois iria ficar fora daquilo. Na declaração, Brustolin diz acreditar que Malouf “ficou muito magoado por Fábio não ter lhe ajudado em sua delação no Gaeco no final de 2016, que acabou culminando com sua prisão, atribuindo a Fábio a responsabilidade por isso”. 

Brustolin afirma no documento que está disposto a ratificar o depoimento em qualquer juízo ou tribunal, orgão de investigação e “que presta a presente declaração em cartório, pois deseja deixá-la registrada por uma questão de verdade e Justiça”. 

DELAÇÃO

Em seu acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologado pelo Supremo em abril de 2018, Alan Malouf revelou ter atuado como operador financeiro de caixa 2 da campanha de 2014 quando  Pedro Taques (PSDB) foi eleito governador de Mato Grosso. Dentre vários fatos envolvendo corrupção no governo do tucano Pedro Taques, ele revelou que foi criada uma espécie conta corrente exclusiva para receber recursos não contabilizados. Apontou o ex-secretário de Administração e Casa Civil, Júlio Modesto, como o responsável por pagar as contas da campanha e gerenciar os recursos. 

O delator disse também que foi pressionado por Paulo Brustolin a detalhar o que ele havia dito em sua delação premiada para ambos pudessem “ajustar as versões e entregar apenas o governador Pedro Taques”. Tal situação teria ocorrido num encontro no final de 2017. 

Dentre os fatos criminosos apontados por Alan Malouf  com citação ao nome de Paulo  Brustolin está o pagamento de um complemento salarial no valor de R$ 1,4 milhão. Conforme o delator, teriam sido pagos R$ 500 mil a Brustolin para que assumisse a Sefaz, além de R$ 80 mil mensais como complemento salarial entre os meses de janeiro e dezembro de 2015. 

Ele também revelou um esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) durante o governo tucano para pagar dívidas de campanha. Tal esquema foi desmantelado na Operação Rêmora deflagrada pelo Gaeco em 3 de maio de 2016 e que depois resultou na prisão de Alan Malouf em dezembro daquele ano.

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Comentários (3)

  • José Cândido | Segunda-Feira, 27 de Maio de 2019, 09h40
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    1

    Secretario recebendo oitenta mil reais por mês por fora, não foi o único, eram todos amigos do Alan Maluf e agora é cada um por si. Eita governinho piorado desse Pedro Taques. Sem falar que dez secretários foram presos e agora parece que vâo continuar prendendo, só que ex-secretários.

  • Marilyn Silva | Segunda-Feira, 27 de Maio de 2019, 07h46
    7
    3

    Tenho a impressão que a corrupção está na essência de certos seres humanos que não respeitam nem a si e nem aos seus familiares e muito menos a coisa pública. Que valores essas pessoas deixam para seus filhos, netos e aos mais próximos? E, ainda se valem de uma justiça lenta e capenga e que, no final, a pena aplicada é apenas para dizer que a justiça esteve presente. O valor devolvido é uma quantia muito longe do que foi desviado e o povo vendo seu dinheiro enriquecendo os safados. O pior de tudo é tentarem subestimar a nossa inteligência. Todos farinha do mesmo saco.

  • Marcos Paulo | Segunda-Feira, 27 de Maio de 2019, 00h37
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    2

    Todos estão envolvidos!!!Só burros ou judiciario corrupto pra acreditar que não!!galindo era promotor e veio fazer o que em MT??alguém indicou!!Ele viu que tinha dado rolo com permínio e vazou!!E semana tinha indicação no governo de Pedro toques..

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