24 de Agosto de 2019,

Política

A | A

Domingo, 21 de Julho de 2019, 22h:30 | Atualizado:

MATERNIDADE TELEFÔNICA

Gaeco faz grampo em 46 telefones, mas não inclui número de deputado alvo de operação em MT

Lista de números revela prefixos de nove estados; Juarez vê ação política na eleição de 2016


Da Redação

JUAREZ-SINOP2.jpg

 

A defesa do deputado federal Juarez Costa (MDB) recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) com uma notícia crime pedindo que seja investigada a prática de escutas telefônicas não autorizadas e crime de falsidade ideológica no bojo da "Operação Sorrelfa" deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) em setembro de 2016. Os autos tramitam no Órgão Especial do TJ sob relatoria do desembargador Orlando de Almeida Perri desde o dia 11 deste mês, que analisa se avoca a investigação para si. 

Na época dos fatos, em 15 de setembro de 2016, Juarez era prefeito do município de Sinop (500 km de Cuiabá) e foi alvo de mandados judiciais juntamente com sua esposa Ivone Latanzi da Costa, então secretária municipal de Assistência Social. Na operação foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Sinop e outros três no estado de Santa Catarina.

À época, o Gaeco informou que o casal era investigado por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O inquérito policial relativo à operação tramita desde janeiro de 2017 na 1ª Vara Criminal de Sinop sob a juíza Rosângela Zacarkim dos Santos e continua sob segredo de Justiça.

Porém, FOLHAMAX constatou que não há movimentação processual nos autos desde o dia 13 de novembro de 2018. A defesa de Juarez cita nos autos 46 terminais telefônicos que foram grampeados.

Tratam-se de dois telefones fixos e o restante celulares com prefixos de Mato Grosso (66 e 65)  e mais oito Estados: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Paraíba. Na notícia crime, os advogados Flaviano Kléber Taques Figueiredo, Jackson Coutinho e José Eduardo Polisel sustentam que as investigações foram iniciadas com base numa denúncia apócrifa, ou seja, sem autoria conhecida e justo num período pré-eleitoral.

Detalham que no dia 1º de julho de 2016 o promotor de Justiça, Marco Aurélio de Castro, então coordenador do Gaeco, recebeu uma denúncia composta por 75 folhas impressas e dois pendrives e ainda dois documentos soltos sobre uma aeronave contendo várias denúncias contra o então prefeito. Dentre elas constavam: enriquecimento ilícito envolvendo a compra de imóvel de luxo em Sinop, automóveis de luxo, apartamentos luxuosos em Balneário Camboriú (SC) e utilização de cheques emitidos pela empresa José E. Dona Construtora-ME.

A denúncia foi encaminhada ao Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), na época coordenado pelo promotor de Justiça Antônio Sérgio Cordeiro Piedade que determinou a instauração de procedimento investigativo. Conforme a defesa do parlamentar, em 5 de julho de 2016, o Gaeco mesmo não tendo competência funcional para investigar autoridades com foro especial por prerrogativa de função instaurou procedimento investigatório e expediu uma ordem de serviço.

A partir de então foram feitas várias diligências em agosto daquele ano com relatórios assinados pelo subtenente da PM, Franckciney Canavarros Magalhães e encaminhados ao Naco. Observa que depois o policial chegou a ser preso em razão do vazamento das investigações na "Operação Convescote". “O mesmo agente policial, sub tenente policial militar Franckciney Canavarros Magalhães, elaborou na data de 24 de agosto de 2016 uma complementação ao relatório de informações nº 160/2016/G.A/Gaeco-MT, em que ficou evidenciada a prática da famigerada barriga de aluguel”, consta na petição da notícia crime à qual FOLHAMAX teve acesso com exclusividade. “Apresenta-se nítida a intenção de indução do juízo ao erro à medida que apenas 07 (sete) pessoas foram investigadas (Juarez Alves da Costa, Ivone Latanzi da Costa, Valdecir Gazziero, Aureliano Amaro da Costa Alencar, José Evaldo Dona, Roni Carlos Dona e Mauro Maganha) mas 46 (quarenta e seis terminais telefônicos sofreram pedido de interceptação telefônica)”, sustentam os advogados ao apresentarem todos os telefones alvos das escutas. 

Os advogados afirmam ainda que dentre os telefones grampeados estavam da esposa e filhos de Juarez, mas o celular dele não constava na lista. “O noticiante não consegue conceder o fato de que, embora tenha sido declinado como alvo principal da inclusão policial posteriormente denominada Operação Sorrelfa, não tenha o seu número pessoal incluído na relação de 46 terminais telefônicos interceptados”, sustentam os juristas. 

Depois, segundo a defesa do deputado, no final de agosto de 2016, dois meses após a denúncia apócrifa, o Naco sem realizar qualquer diligência complementar requereu ao Tribunal de Justiça a instauração de inquérito policial com pedidos de busca e apreensões contra o então prefeito para investigar possíveis crimes de responsabilidade, bem como eventual corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Por fim, os advogados citam que o Gaeco de Mato Grosso ficou conhecido nacionalmente pela quebra ilegal de sigilo telefônico de pessoas e autoridades na modalidade “barriga de aluguel”.

Sustenta que tal prática ilegal bem como o crime de falsidade ideológica ocorreram em investigações conduzidas por membros do Ministério Público razão pela qual a noticia crime deve tramitar na Tribunal de Justiça. Dessa forma, pediu que o inquérito policial que está parado desde novembro do ano passado na 1ª Vara Criminal de Sinop seja remetido ao Tribunal de Justiça e que os membros do MPE envolvidos na ilegalidade sejam investigados. 

CABO DELATOR

A tese de escutas ilegais e fraude processual denunciada pela defesa de Jurez é reforçada pelo cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa Júnior, através de reinterrogatório ocorrido na última quarta-feira (17) na ação criminal da “grampolândia pantaneira”, qual o policial é réu junto com outros quatro militares. À ocasião, Gerson afirmou que o Gaeco praticou “barriga de aluguel”, nas investigações contra o político. Conforme Gerson, o ex-prefeito de Sinop foi grampeado às vésperas da eleição de 2016 com número inserido em outra investigação sem qualquer relação com os fatos investigados pelo Gaeco. 

Gerson afirmou em juízo foram grampeados 46 terminais telefônicos e disse não conseguir imaginar que Juarez conseguisse utilizar 14 celulares. Ele acredita que dentre esses celulares talvez o número dele de prefixo 66 não estava entre os demais.

Ele questionou o motivo de interceptar telefones não pertencentes ao então prefeito e qual a finalidade disso e onde foram utilizadas tais informações. Também deixou claro que ele não participou das interceptações e dos relatórios o que prova que ele  não era o único integrante do Gaeco inserir telefones em outras investigações para a prática de “barriga de aluguel”.

Gerson garantiu que tais fatos chegaram a ele por uma fonte idônea do Gaeco e serão juntados no processo.

 

Juarez Costa

 

 

Postar um novo comentário

Comentários (3)

  • Pedra 90 | Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019, 08h42
    5
    2

    Por favor MPF E POLICIA FEDERAL,ENTREM NESSE CASO,POIS ESSE CRIME É CONTRA NOSSA PRIVACIDADE E PRATICADO POR PESSOAS Q SE JULGAM DEUSES!

  • Lucas | Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019, 07h13
    2
    1

    Só bandido nesse Ministério Público, tem que prender todo mundo.

  • ALAISTAR | Domingo, 21 de Julho de 2019, 22h48
    16
    1

    O PROBLEMA É QUE O GAECO ERROU mas quem vai cobrar esse erro ? Seus próprios pares ?

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS