21 de Setembro de 2019,

Política

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Sexta-Feira, 14 de Junho de 2019, 13h:24 | Atualizado:

OPERAÇÃO RÊMORA

Justiça desiste de ouvir testemunhas de empresário; delatores depõem dia 2 em Cuiabá

Decisão atende pedido de Alan Malouf, que se tornou colaborador premiado de esquema


Da Redação

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A juíza Ana Cristina Silva Mendes, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, homologou a desistência de testemunhas de defesa de Alan Malouf e remarcou audiência para oitivas de Giovani Belatto Guizardi e Luiz Fernando da Costa Rondon, todos envolvidos na ação que apura fraudes cometidas na Secretaria de Educação (Seduc) reveladas pela Operação Rêmora. Os dois agora serão ouvidos às 09 horas do dia 02 de julho.

Também será inquirido como testemunha de acusação o empresário Ricardo Augusto Sguarezi, assim como foi determinada, na mesma decisão publicada nesta sexta-feira (14), a intimação de Alan Ayoub Malouf, Permínio Pinto Filho, Fabio Frigeri e Wander Luiz dos Reis.

“Da análise detida dos autos, observo que fora sanada a causa de impedimento desta magistrada em atuar neste feito, para prosseguimento da instrução. Outrossim, considerando que o cartório deste juízo não expediu os competentes mandados de intimação para a audiência designada, declaro prejudicada a presente audiência”, justificou Silva Mendes.

A magistrada remeteu os autos à manifestação do Ministério Público Estadual (MPE), autor da ação que busca determinar responsabilidades no direcionamento e burla de processos licitatórios e resultados de ao menos 56 licitações para a construção de unidades escolares em Mato Grosso a uma projeção inicial de custo em torno dos R$ 56 milhões. Por força da acusação, Malouf chegou a ser preso em 14 de dezembro de 2016.

Entre os desdobramentos mais recentes, o empresário entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) gravações que comprometeriam o ex-governador Pedro Taques (PSDB). Uma dessas teria ocorrido num prédio localizado no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, dias antes dele ser preso. Naquela ocasião, estariam presentes também Erivelto Gasques e Juliano Bortoloto, da empresa Todimo.

A reunião teria ocorrido numa madrugada, dias após a divulgação da delação premiada de Giovani Guizardi, um dos operadores do esquema. Naquela ocasião, Guizardi revelou que Malouf era um dos líderes do esquema e ficava com 25% da propina arrecadada junto a empresários que executavam obras na Seduc. Essa reunião de urgência teria ocorrido após informações de que um mandado de prisão contra o empresário estava na iminência de sair. As imagens do circuito interno de segurança da residência mostraram a chegada do governador e dos empresários.

Segundo Malouf, o grupo tentava convencê-lo a não colaborar com as investigações ou, caso o fizesse, ocultar a participação do então governador. Teriam feito diversas promessas de barganha ao empresário. Uma delas é de que articulariam para que ficasse poucos dias preso. Detido a mando da então titular da Sétima Vara Criminal e hoje senadora Selma Rosane Santos Arruda (PSL), ficou 10 dias trancafiado na sede da Bope e depois foi solto no plantão judiciário da juíza Maria Rosi de Meira Borba.

Desde essa liberação, sempre relatou que o ex-governador tinha conhecimento pleno de todas as fraudes, pois o objetivo dos crimes era recuperar o dinheiro investido por ele na campanha de Taques em formato de caixa dois. Alan Malouf já foi condenado a mais de 11 anos de prisão. Recorreu da sentença no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e firmou colaboração premiada junto à PGR. Esta foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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