07 de Agosto de 2020,

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Quinta-Feira, 02 de Julho de 2020, 11h:27 | Atualizado:

HOMOFOBIA

Movimento LGBT cobra punição a apresentador em MT

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A Coordenação Estadual em Mato Grosso da Articulação Brasileira de Gays (ARTGAY) e a Aliança Nacional LGBTI+ emitiram nota de repúdio e cobraram providências das autoridades competentes sobre as atitudes homofóbicas promovidas pelo apresentador Welerson de Oliveira Dias, que imitou de forma jocosa o defensor público Vinicius Ferrarin Hernandez, no dia 17 de junho, no programa Olho Vivo (TV Nativa) em Alta Floresta (790 km de Cuiabá).

Nesta segunda-feira (29), a Defensoria Pública de Mato Grosso, por meio do defensor público-geral, Clodoaldo Queiroz, e do defensor Cardos Eduardo de Souza, ingressou com uma ação civil pública (ACP) contra o Sistema MBS de Comunicação LTDA. (TV Nativa/Record Alta Floresta), na pessoa de sua sócia-proprietária, Vera Lúcia Cardoso, e Welerson Dias, apresentador de TV e radialista em Alta Floresta, solicitando indenização de R$ 100 mil por dano moral coletivo contra a comunidade LGBTI, valor a ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

“A LGBTIfobia segue tentando mascarar-se de liberdade, seja liberdade de expressão, seja liberdade jornalística”, destaca a Aliança Nacional LGBTI+.

Já a ARTGAY afirmou que ação homofóbica promovida pelo funcionário da emissora, enquanto agente de veiculação de informações pública, caracteriza-se como uma agressão moral, social, política e cultural a todo o movimento LGBT.

"A ação, por si só, é capaz de produzir danos lesivos a todas as pessoas homossexuais e trans, quer seja telespectadora da emissora, quer seja, de forma indireta, atingida pela ação homofóbica", diz trecho do documento.

De acordo com a Aliança Nacional LGBTI+, o apresentador feriu os princípios contidos no Código de Ética do Jornalismo. “Ofendendo, ao invés de informar, transformando o programa em um propagador de piadas jocosas, sendo que, ao ocupar um espaço de uma concessão pública e se portar de tal maneira, acaba por ser um formador de opinião e torna-se mais um dos responsáveis por afiar a faca do preconceito, a faca que por muitas vezes ceifa milhares de vidas pelo mundo”.

Homofobia – Nesta quarta-feira (1º de julho), o Conselho Nacional de Ouvidorias de Defensorias Públicas também repudiou publicamente a discriminação sofrida pelo defensor público. “A homofobia direta e indireta não só atinge a população LGBTI+, mas também outras pessoas que de alguma maneira se comportam fora dos padrões heterossexuais”, manifesta trecho da nota.

As associações que representam a comunidade LGBTI em Mato Grosso e em todo o país são uníssonas no pedido de ação reparatória por parte dos agentes delituosos, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero passou a ser considerada crime de homofobia.

Revolta – Josiane Marconi, coordenadora do coletivo Mães pela Diversidade em Mato Grosso, revelou ter ficado extremamente chocada e decepcionada com o episódio. “Esse profissional que aparece na televisão não tem a menor noção do que seja a Defensoria Pública, do papel de um defensor. Ele usa a orientação sexual de um defensor público como se isso interferisse em seu trabalho ou no seu caráter. Esse apresentador não devia estar onde está, fez um desserviço. As pessoas LGBTs merecem respeito”, desabafou.

Marconi ressaltou que a Defensoria Pública é um órgão que protege as minorias. “Quando um LGBT é assassinado, violentado, ou xingado, é como se tivesse xingado nossos filhos e filhas. Então, esse apresentador não entende qual é o papel da Defensoria no estado e no município. Ele usa de termos chulos para falar sobre a Defensoria”, afirmou.

“É por pessoas como esse senhor que nossos filhos são violentados, agredidos verbalmente, mortos. Nós, mães e pais, não admitimos esse tipo de atitude, ainda mais vinda de um profissional de comunicação, dentro de um veículo como a TV”, salientou.

Além da indenização por dano moral coletivo contra a comunidade LGBTI, a ação também demanda a penalização dos requeridos a fazer a leitura de eventual condenação judicial no mesmo programa ou em similar, por duas ou mais vezes, pelo mesmo apresentador.

 



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