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Cultura

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Terça-Feira, 18 de Fevereiro de 2014, 10h:08 | Atualizado:

Moradores do Bonsucesso, em VG, criam bloco para mostrar tradição

Um passeio pela história e a cultura de Bonsucesso. É o que estão preparando os integrantes do bloco Império da Rapadura, que em seu segundo Carnaval querem emocionar os foliões com um desfile digno de uma escola de samba.

Para isso trabalham firme em alegorias para as seis alas que pretendem levar para a passarela do samba da tradicional comunidade várzea-grandense. Para dar forma a seu enredo, que leva o nome “A Cidade de Várzea Grande e a Copa do Pantanal”, o bloco conta com o apoio do escultor Ariston Paulino de Sousa.

Ele adianta que serão seis esculturas ao todo todas em generosas proporções. Além de Nossa Senhora da Guia, do Tuiuiu e da Taça do Mundo, ele preparou algumas surpresas que dividirão espaço com os cerca de 600 componentes que descerão com o bloco. Uma delas, prevê o artista plástico, deverá chamar muita atenção.

Mostra o planeta Terra se dissolvendo entre os dedos onde os continentes são vazados e ganham destaque graças a uma iluminação interna. Outra mostra revolveres que servem de suporte para um ninho com aves. a ideia, explica ele, é não só falar de cultura, mas passar mensagens de respeito ao meio ambiente e de não violência.Uma outra alegoria mostra bem isso.

Consiste de um peixe divido em seis partes que trazem mensagens como “não jogue lixo no rio”. Esses pedaços do peixe em determinado momento de unirão para reconstruir o animal que é símbolo da cultura e durante séculos também serviu de meio de subsistência dos ribeirinhos em Mato Grosso.

A própria comunidade de Bonsucesso é conhecida pela grande quantidade de peixarias.Mas nem só de peixe viveu e vive Bonsucesso, avisa a presidente do bloco, Silbene Maria da Rosa Conceição. Uma das alas fará referência ao Império da Rapadura, com direito a rei e rainha. Ela conta que o distrito, o mais antigo do município, passou por um forte ciclo da rapadura entre as décadas de 1950 e 1960. “Cada família no seu quintal tinha um engenho e fazia essa produção artesanal, que continua. Hoje ainda tem seis engenhos que produzem as rapaduras”, calcula.A carnavalesca salienta também que Bonsucesso também é terra de futebol. O bloco vai fazer homenagem a um time que nasceu ali, em 1951, o Vila Nova. Fará inclusive referência a um de seus criadores, o ex-jogador Joaquim Leite da Rosa, o Painha, de 83 anos. Ele é pai de Silbene e também trabalha na construção do desfile do bloco.

Saudoso dos 20 anos de atividade do time, ele exibe orgulhoso a foto da primeira formação da equipe, onde aparece como goleiro.“Ele foi um dos fundadores do time, ajudou a limpar lá para fazer o campo [onde hoje há um miniestádio]. A gente procura buscar essas pessoas para desfilar e homenageá-las também. Junto com eles fazer esse resgate da história”, frisa. Referindo-se ao enredo do bloco, ela conta que o Vila Nova fará essa ligação com o futebol e a Copa do Mundo.Não faltarão ainda lembranças de pessoas importantes na história como Seu Fião, bisneto do fundador da comunidade, Antonio da Silva Claro. Ele possuía um engenho na região e o distrito se formou com os empregados que decidiram ficar por ali. “Daqui até a Capela era considerado Bonsucesso. Souza Lima, tudo era uma terra só que era desse Antonio Claro”, informa.Outra figura importante da história do local e que está em plena atividade no bloco é a mãe de Silbene, Gonçalina Barros da Rosa, de 80 anos.

A professora aposentada chegou à comunidade em 1952 e em sua memória traz muito da história do local. Ela lembra que naquele ano em quase todas as casas se faziam rapaduras. “A gente escutava logo cedo o barulho da moenda, puxada por bois”, conta, ressaltando que em muitas dessas casas também se teciam redes.Gonçalina é uma verdadeira enciclopédia do tradicional Carnaval de Bonsucesso. Segundo ela, em 1942 já havia um bloco chamado Pau Rolou. “Acho que porque teve a enchente então muito pau rolou”, sugere. Depois foram surgindo outros, como o Clube do Meu Coração, em 1955, comandado por Aquino de Magalhães. O bloco foi resgatado em 2005, ano em que a folia várzea-grandense passou a ocupar oficialmente o distrito. Hoje estão cadastrados 12 blocos, diz a veterana carnavalesca. 

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