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Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 12h:13 | Atualizado:

FESTA HISTÓRICA

Casal comemora 60 anos de união em VG


G1

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Quatro palavras são os pilares do casamento de 60 anos de Gonçalina Paes de Barros da Rosa, 82 anos, e Joaquim Leite da Rosa, o 'Painha', de 85 anos: fé em Deus, amor, sabedoria e perdão. “Um pouco de respeito também”, lembra Gonçalina. O casal comemorou as Bodas de Diamante rodeado de familiares e amigos na sexta-feira (13), na comunidade de Bonsucesso, em Várzea Grande, onde se conheceu e mora até hoje.

A celebração da união também foi uma forma de agradecer, de praticar a fé em Deus. Seis padres participaram da missa. “A felicidade maior é que temos que agradecer a Deus. Para mim é um milagre, porque talvez você já viu pessoas de 80, 70 anos nem caminhando e graças a Deus estamos aqui, trabalho, durmo bem, como bem, tenho disposição”, disse Painha.

Gonçalina conta que ficou muito feliz na ocasião e se sentiu realizada. Faltando duas semanas para as bodas, mandou fazer o vestido do jeitinho que queria, com rendas e na cor marfim. “Foi um sonho, porque dois anos atrás vinha pedindo para Deus me dar saúde, vida e condições para fazer essa festa que foi muito bonita e que foi possível com a ajuda dos filhos e parentes”, comenta.

Por falar nisso, a festa foi tão organizada que cada um dos cinco filhos ficou encarregado de uma tarefa. Reuniões eram marcadas para discutir o andamento dos preparativos. O casal ficou responsável por fazer a lista de convidados e ajudar na distribuição dos convites.

A neta Laura Nívea Rosa da Silva, por exemplo, ficou incumbida em fazer os convites e encomendar os docinhos. Para ela, o casal se destaca pela animação e jovialidade. “Eles não são idosos, andam por si só, estavam animados com a festa. São festeiros e envolvidos com o carnaval na região”, afirma.

Além dos cinco filhos, eles têm 15 netos, 10 bisnetos e uma tataraneta.

Uma data tão importante para o casal ficou registrada ainda nas alianças, que Painha fez questão de comprar decoradas com seis pedrinhas para lembrar os 60 anos de casamento.

Mas nem tudo foi revelado pela família ao casal, já que todos queriam que alguns detalhes fossem surpresa. Uma delas foi a homenagem da banda Cinco Morenos, da comunidade Souza Lima, próxima a Bonsucesso. “Fiquei feliz porque dancei a valsa no violino, que Os Cinco Morenos tocaram, e também os parabéns e músicas de 1970, 1950, que são as que conheço”, lembra Painha.

Há cerca de quatro anos, o casal ganhou uma companheira inseparável: a cadelinha Mabi. O animalzinho era de um neto e o casal acabou criando. Hoje, Mabi os segue por toda a comunidade, principalmente para ir à peixaria e à missa. “Já deixamos ela presa e ela escapou para ir à missa”, diz Gonçalina.

No entanto, no dia da comemoração das bodas, não se sabe o que aconteceu, mas a cachorrinha não acompanhou Painha até o local da festa. Nesse dia, ela ganhou banho de rio e teve as unhas cortadas e pintadas, especialmente para a ocasião. Eles acham que Mabi não tem costume de vê-lo usando terno e pode ter pensado que ele não iria à missa. “Não sei o que aconteceu, estava de terno aqui na área e ela estava junto comigo. Fiquei surpreso de ela não ir. Será que ela pensou que eu não iria à igreja?”, comenta Painha.

Todos que conhecem o casal sabem como a história de amor começou. Gonçalina é cuiabana, mudou-se para Bonsucesso, onde Painha morava e ajudava o pai na carpintaria, e se tornou a primeira professora da comunidade. “Não namorei ninguém porque achava que tinha ido até lá para trabalhar e não namorar”, disse. Ela somente conheceu o atual esposo três anos depois.

Gonçalina foi assistir ao jogo de futebol do time Vila Nova, onde Painha era goleiro. Como não havia vestiário, os jogadores deixavam as roupas na beira do campo mesmo. “Quando ele foi guardar a roupa, eu disse 'Você não quer que eu segure a roupa para você?'. Quando terminou o jogo, entreguei para ele a roupa e já saímos de mãos dadas”, conta ela.

No entanto, Painha tinha uma namorada, que morava em outra comunidade. “Eu morava mais perto dele. Ainda sou amiga dela, mas eu tomei ele dela”, lembra Gonçalina. A amizade entre os dois se fortaleceu ainda mais quando participavam da organização de festas, como a de São Benedito. O casamento aconteceu pouco mais de um ano depois, em novembro de 1955.

O jeito comunicativo e trabalhador dele chamou a atenção dela. “Quando o conheci, ele era carpinteiro, ajudava o pai dele fazendo bancos, cadeiras, armário, pontes, canoa, engenho, carro de boi. A família dele era unida, fez a gente gostar um do outro”, diz ela.

Painha considera uma sorte a chegada de Gonçalina na comunidade, pois uma professora formada era algo considerado “importante” por ali. “Para mim, foi um milagre de acontecer de nos casarmos. Eu nasci e me criei aqui em Bonsucesso. Era uma comunidade pobre naquele tempo, eu fui de família pobre”, conta ele.

A paciência no início do casamento foi essencial, segundo Gonçalina. “Eu não sabia fazer nada em casa, as vasilhas que eu lavava se quebravam. Fui aprendendo a cozinhar e salgava a comida demais. Mas ele teve muita paciência, não ficou me cobrando”, lembra.

Outro ponto importante destacado por ela para uma união tão longa é o perdão. “Quando convivemos assim, se o outro faz alguma coisa e você não gosta, acaba brigando. Mas depois é importante perdoar, pois é por pouca coisa e a fé em Deus é mais que nós e a amizade continua”, afirma.

Gonçalina é professora aposentada e o marido trabalha preparando peixes no restaurante da filha em Bonsucesso de quarta a domingo.

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Comentários (4)

  • Carlos Alberto Inacio vargas | Quinta-Feira, 19 de Novembro de 2015, 07h22
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    Quando aqui cheguei e fui pescar pela primeira vez no rio Cuiabá, ha 23 anos, foi a simpatia do Sr. Painha que me cativou.., Pescar não vou mais,,, pois a fartura de peixe acabou.. mas ainda vou almoçar em seu restaurante. Parabéns e Felicidades ao casal.

  • Ida Bernardo Rondon | Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 17h15
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    Parabéns ao casal Seo Painha e D.Gonçalina. Exemplo de casal, amor, perdão e alegria. Muitas felicidades, que Deus derrame chuvas de bençãos sobre voces e seus familiares. Um grande abraço pra vocês.

  • Ana Lucia | Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 14h13
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    Que história linda! Fiquei emocionada. Parabéns para o casal e toda família! Que sejam sempre unidos!

  • José Eustáquio Pulula da Silva | Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 13h39
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    Parabéns ao casal 'Painha" e dona Gonçalina. É bom lembrar, conforme a história, que Painha foi um grande astro do time do Vila Nova de Bonsucesso no início dos anos 50. Ao seu lado tinha o falecido Adilson, músico e mecânico conhecido e lembrado pelo povo várzea - grandense. Zé Pulula.

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