17 de Fevereiro de 2020,

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Quinta-Feira, 16 de Janeiro de 2020, 15h:30 | Atualizado:

PEDOFILIA

Empresário da moda é denunciado por crime sexual

Reprodução

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Eduardo Costa, criador da marca Brechó Replay, está sendo acusado de assédio sexual por modelos, coreógrafos e diretores de criação que trabalharam com ele. 

Marie Claire conversou com cinco homens que afirmam que foram assediados e/ou abusados sexualmente pelo empresário, entre 2014 e 2019. Após as polêmicas, ele deletou as contas (pessoal, na qual se intitulava Um Anjo Adolescente, e da marca) do Instagram. 

A marca, que integrava o calendário dos desfiles da Casa de Criadores, é famosa pela representatividade em seus castings e campanhas, já vestiu nomes como Linn da Quebrada e MC Soffia, e se define como uma iniciativa de jovens artistas, trabalhando com brechós virtuais e espalhando sua estética pelo Instagram.

De acordo com os depoimentos ouvidos por Marie Claire, o empresário recebia os modelos apenas de cueca para as sessões de fotos realizadas em seu apartamento, localizado no centro de São Paulo, convidava os mais vulneráveis para morar com ele e assediava menores de idade. 

"O que posso dizer é que as pessoas da marca não tem a ver com o que aconteceu, o único culpado é o Eduardo Costa", contou o diretor criativo H.L., 23 anos, que escreveu em postagens em suas redes sociais que foi abusado pelo empresário.

Bernardo*, 20 anos, bailarino

"Tinha 15 anos quando fiz o primeiro ensaio com a Brechó Replay. Usava roupas apertadas, marcando as partes íntimas em fotos sexualizadas dirigidas por ele. Eu não tinha noção do que estava acontecendo, mas ele terminava os ensaios passando a mão na minha bunda e no meu pênis. Acabamos ficando próximos por dois anos. Até que em uma festa, me enquadrou usando apenas cueca. Falei que não queria e fui embora. Não nos falamos mais".

João*, 26 anos, coreógrafo

"Estava chegando em São Paulo e me ofereci para coreografar o desfile da Brechó Replay em troca de styling da marca, que já era bem famosa pela internet. Em um domingo à noite, Eduardo me convidou para ir ao seu apartamento para ver as roupas da apresentação. Chegando lá, me recebeu de cueca e me fez experimentar os looks enquanto me fotografava. Ele também passava a mão pelo meu corpo e se esfregava em mim. O desfile aconteceu e nunca mais trabalhamos juntos". 

Ricardo*, 23 anos, empresário

"Participei do primeiro ensaio da Brechó Replay, que aconteceu em 2015. Tinha 18 anos e conheci o Eduardo por meio de um amigo em comum, um ano antes. No dia da sessão de fotos, que aconteceu no apartamento dele, ele apareceu só de cueca e sempre dava um jeito de encostar e passar a mão na gente, nos constrangendo. Acabei me afastando um tempo depois, mas sempre via que ele se aproveitava dos mais vulneráveis". 

Bruno*, 30 anos, modelo 

"Eu já tinha uns 25 anos e nunca trabalhado com moda. Através do Instagram, me chamou para fazer uma sessão de fotos que tinha como ideia principal um dormitório russo só de garotos. Não rolava cachê, só permuta, o que eu não fui pegar. No ensaio, que era de cueca, o Eduardo já nos olhava de forma objetivada. Ele olhava os volumes nas cuecas e disse que precisava arrumar: colocou a mão dentro da minha cueca, chacoalhou meu pinto como queria que ficasse. Depois, dava um jeito de encostar o corpo dele no nosso, como se estivesse esbarrando. Ainda trabalhamos juntos mais duas vezes e sempre foi abusivo e anti-profissional. Não culpo a indústria, o único culpado é o Eduardo Costa".

A Casa de Criadores usou o Twitter para se manifestar, afirmando que a marca não integra mais o calendário do evento desde 2018.

"A Casa de Criadores esclarece que sua direção jamais teve conhecimento anterior de qualquer coisa e/ou fato que levantasse dúvidas sobre um possível comportamento abusivo de Eduardo Costa, do coletivo Brechó Replay. Até então, nunca havia nos chegado qualquer informação parecida com os depoimentos que vieram a público via Twitter e Instagram nos últimos dias. Se isso tivesse acontecido, teríamos imediatamente retirado a marca do line-up do evento. Acreditamos que os fatos aqui descritos são muito graves e nunca seremos coniventes com qualquer. Tipo de assédio, até porque a Casa de Criadores sempre lutou para tornar a moda brasileira mais justa, inclusiva e transparente. Diante de todos estes acontecimentos gostaríamos, portanto, de comunicar que o Brechó Replay não faz mais parte do nosso line-up, inclusive nem tendo se apresentado na última edição do evento -ocorrida em novembro de 2019- por decisão da própria marca."

Em sua conta no Twitter, MC Soffia afirmou que mantinha contato com Eduardo apenas profissionalmente. "Mesmo não fazendo mais parte do Brechó Replay, estou vendo tudo envolvendo a marca e estou bem triste com toda essa situação. Minha relação com eles sempre foi apenas profissional. Quem me conhece e segue meu trabalho, sabe que sou contra qualquer tipo de atitude de desrespeito". 

Marie Claire tentou contato três vezes com Eduardo Costa pelo telefone, que disse que procuraria seu advogado para um posicionamento. Até o fechamento desta reportagem, o empresário não se posicionou. 

* Os nomes foram preservados a pedido dos entrevistados

 

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