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Terça-Feira, 19 de Novembro de 2019, 14h:24 | Atualizado:

PARA DOLEIRO FORAGIDO

Ex-presidente do Paraguai deu R$ 500 mil

Reprod TV Globo

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Doleiro dos doleiros, Dario Messer pediu meio milhão de dólares em julho de 2018 ao então presidente do Paraguai, Horacio Cartes, para manter-se foragido das autoridades paraguaias e brasileiras. A força-tarefa da Lava Jato afirma que a quantia foi paga por Cartes via intermediários.

Cartes é um dos nove procurados fora do país pela Operação Patrón, deflagrada nesta terça-feira (19). Onze pessoas foram presas, como a namorada de Messer, Myra Athayde, e o dono do principal shopping paraguaio na fronteira com o Brasil, o empresário Felipe Cogorno Álvares.

Não se sabe onde Horacio Cartes está.

O pedido dos US$ 500 mil está descrito na denúncia feita pelo Ministério Público Federal. Messer está preso desde o fim de julho.

A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal fluminense, que determinou a inclusão do nome de Cartes na Difusão Vermelha da Interpol -- a lista de procurados distribuída em aeroportos do mundo todo.

"Sendo senador com ou sem direito a voto, [Cartes] não tem direito a foro privilegiado. Atuou aqui financiando uma organização criminosa. Não foi ajuda a um amigo, foi financiamento de um comparsa de organização criminosa", afirmou José Augusto Vagos, procurador regional da República.

'Fui traído'

A decisão diz que, em junho de 2018, quando estava foragido, Messer mandou uma carta ao ex-presidente do Paraguai pedindo US$ 500 mil para cobrir gastos jurídicos.

A íntegra da carta

"Patrão, 27/6/2018

Desculpa te incomodar nessa hora, mas a situação em que me encontro está muito complicada. Fui traído no Brasil e fui pego de surpresa no Paraguai. Além disso, arrastaram o Dan [irmão de Dario que fez delação] nessa confusão. A minha relação com a família ficou muito ruim também. Eles me culpam com razão por essa confusão.

Tive a grande sorte de ser acolhido por essa pessoa que está te entregando essa carta [Roque Fabiano Silveira, segundo o MPF]. Também contratei como advogado a Dra. Letícia [Maria Letícia Bobeda Andrada], que é também advogada desse meu amigo e na qual ele confia.

Infelizmente fiquei com os meus recursos bloqueados e preciso recorrer a sua ajuda para com os gastos jurídicos. Nessa primeira etapa vou precisar de US$ 500.000 (quinhentos mil dólares). Com isso consigo me apresentar, ficar numa prisão domiciliar em Assunção e poder me movimentar e articular melhor a situação. Assim que conseguir passar essa etapa vou precisar do teu apoio de sempre. Esse meu amigo vai me ajudar na entrega dos recursos de modo que os valores podem ser entregues a ele.

Esse meu amigo ficou de me ajudar com a fazenda de Pedro Juan e gostaria de ver a melhor forma.

Te agradeço pela compreensão.

Forte abraço,

Dario Messer.

Ligações com o tráfico

O MPF afirma que os negócios de Horacio e Dario envolveriam lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na tríplice fronteira e "seriam monitorados há duas décadas a partir de Assunção e de Cidade do Leste, na divisa de Brasil, Paraguai e Argentina, por diferentes agências americanas".

Uma das etapas da fuga pelo Paraguai foi em endereços da família Mota, que também "teriam ligação com negócios que passam por contrabando de cigarros, tráfico de drogas e armas", segundo os promotores.

Relação antiga

A força-tarefa da Lava Jato afirma que Dario Messer é amigo de longa data de Horacio Cartes.

"O relacionamento da família Messer com a família Cartes se iniciou na década de 80, quando Dario fundou a Cambios Amambay SRL -- atual Banco Basa --, tendo como acionista majoritário o pai do ex-presidente", escreveu Bretas na decisão.

Ainda segundo o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal, na década de 90, Horacio e Dario adquiriram uma fazenda juntos.

Em 2016, em um evento público, Horacio -- já como presidente -- declarou que Dario seria seu "irmão de alma" ("hermano de alma").

Segundo imagens colhidas no celular de Dario em junho de 2018 — logo após a deflagração da Operação Câmbio Desligo —, o “doleiro dos doleiros” encaminhou uma carta para o “Patrão” solicitando US$ 500 mil para seus gastos iniciais jurídicos, que deveriam ser entregues a Roque.

O MP afirma que “Patrão” é Horacio Cartes. “A carta de fato foi entregue e Roque passou a ser intermediário entre Horacio e Dario”, detalha Bretas.

Nos diálogos, Roque informa que o melhor período, indicado por Horacio, para Dario se entregar às autoridades paraguaias seria após 15 de agosto, quando encerraria o mandato de Horacio.

Já em março de 2019, em conversa com a advogada, Dario assinala que Julio, seu irmão que mora em Nova York, conseguiu falar com seu “hermano de alma” e que as coisas iam ficar mais calmas.

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