12 de Julho de 2020,

Opinião

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Sexta-Feira, 05 de Junho de 2020, 08h:29 | Atualizado:

Rosana Leite de Barros

A casa é da mulher...

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Este é o início de um ditado popular que assim termina: “e a rua dos homens.”. Através de alguns ditos, culturalmente a humanidade foi construída. O crescimento em uma sociedade patriarcal muito se deve ao que foi ouvido e cultivado como correto.

Os ditados populares são consideradas expressões da sabedoria, passadas ciclicamente entres as famílias. Em regra, são utilizados como transmissores de conhecimento. Antigamente, e até o presente, ainda determinam comportamentos.

Verdadeiramente, frases e conceitos falados e repetidos por diversas vezes e por inúmeras gerações, se tornam realidades a serem seguidas. Muitos desses dizeres são tão conhecidos que basta alguém iniciar a sentença, que a outra pessoa completará com naturalidade, ou como dizem: “de cor e salteado”. A origem dessas expressões ou a autoria, em sua grande maioria são desconhecidas. Independente de classe social, raça, credo, grau de escolaridade etc., pessoas seguem ditados.

E muitos desses, machistas. “Segredo de casa quem conhece é barata.”. “A mulher e o vinho tiram o homem do juízo.” “Ruim com ele, pior sem ele.” “Do homem a praça, da mulher a casa.” “Mulher no volante perigo constante.”

A diversidade cultural faz surgir outras tantas frases a ferir e proliferar discriminações, primordialmente, contra o gênero feminino.  O desfavor existe e sempre existiu nessas passagens, incrustando na memória, até afetiva, dizeres a arranhar a pessoa que profere, os interlocutores e interlocutoras. 

A afirmação de que o ambiente doméstico e familiar deve ser dominado pelas mulheres, e o de fora pelos homens, já patrocionou tragédias de todas as órbitas.

Tempos atrás, ao gênero masculino era totalmente possível os passeios noturnos sem a esposa ou companheira, com a obrigação delas ficarem em casa trancadas à espera dos seus “amos”. A eles também era resguardado com maior possibilidade o labor fora de casa.

Ora, era delas a obrigação de cuidados com o lar, filhos e filhas para que nada saísse errado. A poucas era dado o direito de estudo e capacitação, sendo a eles tudo possível e normal.

Chegava-se ao cúmulo de muito estranhar ao se deparar com mulheres a exercer funções dantes ocupadas apenas por eles. Até hoje as discriminações existem em algumas ocasiões onde o “esperado” é o exercício de determinadas atividades por eles.

A “preocupação de mentira” é visível algumas vezes. Na política as mulheres exercem mandatos, porém, com pequena representação, levando-se em consideração a quantidade de habitantes do gênero feminino. E os homens o que dizem disso? Alguns, de fato, se preocupam. Outros tantos, apresentam “apreensão” pouco convincente. Se, de fato, houvesse essa “preocupação” elas já estariam em 50% dos cargos eletivos. Na direção de veículos ou aviões, a conversa não é diferente.

Há pouco tempo as mulheres conseguiram sair do ambiente doméstico e familiar e ganhar o espaço de fora. O visto é que algumas são consideradas notáveis e acabam se destacando, sendo colocadas em verdadeiros pedestais. E merecem, de fato. Entretanto, não só as excepcionais fazem jus ao respeito.

Essa realidade só será modificada quando, com normalidade, elas estiverem em todos os lugares. Momentaneamente as cotas de gênero deveriam fazer as vezes, com a finalidade de garantia.

A casa é da mulher e do homem. E a rua? Também...

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

 

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