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Terça-Feira, 23 de Janeiro de 2018, 07h:45 | Atualizado:

Eustáquio Rodrigues

A Ilha de Vera Cruz, seus detentos e o seu sistema de governo

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Certo dia, a Ilha de Vera Cruz, complexo penitenciário localizado em uma ilha no meio do Oceano Atlântico e formado por 5 presídios de segurança máxima em 5 regiões diferentes da ilha, amanheceu sem guardas e sem nenhuma pessoa “de bem”. Os detentos estranharam as portas das celas abertas logo cedo e ninguém para vigiá-los (e nem puni-los). A primeira reação foi de alegria incontida. Um mundo novo recém descoberto, pronto para ser explorado, com suas belas praias, florestas intocadas e uma terra em que se plantando tudo dava.

Logo os presos das cinco regiões se reuniram. O primeiro ato foi definir como capital da ilha uma área localizada no planalto central do local. Em seguida, decidiram que elegeriam um presidente. O primeiro candidato era um senhor da região nordeste da ilha, que fora preso por roubar uma prótese de dedo – esse era o mais inteligente. O segundo candidato era um senhor da região sudeste, que fora preso por terrorismo – esse era o mais forte. O terceiro candidato era um senhor proveniente da região sul, preso por evasão de divisas – esse era o mais rico.

Na manhã seguinte os 3 fizeram seus discursos finais: o mais inteligente disse que todos deveriam se unir para criar um presídio mais igualitário, que todos tivessem as mesmas oportunidades para cometerem bons crimes - ahn? O mais forte disse que criaria a pena de morte e que todos poderiam portar uma arma para se proteger dos criminosos - oi? O mais rico não disse nada, pois era péssimo para falar e só abria a boca quando tinha certeza. Após os discursos, a votação. O mais forte arrebanhou apenas 2% dos votos. O mais inteligente conseguiu 3% dos votos. Logicamente quem venceu foi o mais rico, pois durante a madrugada, enquanto o mais forte e o mais inteligente tentavam se matar, o mais rico comprou quase todos os detentos com um maço de cigarro, prometendo que, se vencesse, ganhariam outro maço de cigarro no dia seguinte. Arrasou nas urnas: 95% dos votos, ganhando no primeiro turno.

Após a vitória, reuniram-se o presidente, os candidatos derrotados e mais 10 presidiários notáveis para fazerem a Constituição, inspirada na dos Estados Unidos, curta, moderna e defensora dos direitos e garantias fundamentais. A Carta Magna ficou assim: Art. 1º - Todos são inocentes; Art. 2º - Ninguém poderá ser preso em hipótese nenhuma, mesmo com provas óbvias, até mesmo sendo filmado cometendo crime; Art. 3º - Todos são quase iguais, diferindo-se uns dos outros pelo tamanho da arma que portarem; Art. 4º - É proibido roubar, pois ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de prisão; Art. 5º - Todos podem se candidatar a cargos eletivos, pois já possuem a “expertise” para tanto.

Após a promulgação da Constituição da Ilha, procedeu-se à escolha dos seus ministros, todos especialistas em suas respectivas áreas: para o Ministério da Fazenda o condenado a roubo; para o Ministério da Educação o condenado analfabeto; para o Ministério do Trabalho, o condenado em processos trabalhistas; para o Ministério dos Direitos da Mulher, que por ventura vierem a habitar a ilha, o condenado por estupro; para o Ministério do Trânsito e Transportes, o condenado a dirigir bêbado que atropelou e matou 15.

Formado aquele glorioso estado, gigante pela própria natureza, e vendo o nível da sua classe dirigente, percebeu-se quão rico e próspero seria aquele país, com pessoas do mais alto gabarito governando e pessoas da mais alta sabedoria os elegendo. Senhor Jesus, volta logo!

Eustáquio Rodrigues - Servidor Público

 



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