09 de Julho de 2020,

Opinião

A | A

Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020, 11h:10 | Atualizado:

Lusanil Cruz

Adoção – a família sonhada é possível, sim!

lusanil-cruz.jpg

 

Falar de adoção requer que se fale antes de abandono.

O abandono pode ser definido como a perda do direito da criança de viver no seio de uma família que a ame, reconheça, eduque e proteja, direito este postulado universalmente.

O abandono legal, que não está claramente definido no ECA, permite respeitar o desejo dos pais de não assumir o filho, oferecendo, ao mesmo tempo, possibilidade à criança de ter a segunda melhor chance de construir relações estáveis que são de vital importância para o seu desenvolvimento.

Importante enfatizar, que o objetivo da colocação familiar é o de assegurar a cada criança em situação de abandono, a integração em um lar e a possibilidade de manter, estabelecer ou restabelecer laços afetivos entre a mesma e figuras parentais. Tal anseio vem ao encontro com o que a sociedade almeja e pode oferecer as melhores condições para a criança, buscando sempre o seu desenvolvimento.

A Adoção é um tema ainda muito difícil de ser abordado no país como o Brasil, pois, pode-se considerar que grande parte da população foi abandonada pelo Estado.

É momento de reflexão e de agir diante de tanto descaso por parte do poder público. A sociedade civil pode e deve exigir medidas mais eficazes para solucionar tal problemática, lançando políticas públicas condizentes com a realidade.

Campanhas de mobilização e conscientização são necessárias.

Ora, a Constituição Federal e o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente já trazem avanços fundamentais quando passam a considerar a criança e o adolescente como sujeitos de direito e pessoas em condições peculiares de desenvolvimento de prioridade absoluta. Isso já basta!!

A sociedade civil também não pode deixar ser levada pelo descaso e preconceito que a maioria esmagadora tem em relação a adoção em pontos mais controvertidos na sua prática, como o preconceito social e a estigmatização do adotivo na construção de sua identidade social e nas relações geradas nesse contexto. É preciso ter amor e compaixão com essas crianças que precisam de uma oportunidade.

Um filho adotado não é um “super filho” nem será um “super homem”. É só um filho, um ser humano que se gesta em nosso coração e nele se alimenta de todo o amor que um casal que se ama é capaz de oferecer.

A adoção de crianças que passam a ser filhos de verdade, a integrar novas famílias é uma questão que não interessa apenas aos protagonistas do processo, mas, em última instância, a toda uma sociedade. Afinal, o que é um povo onde seus filhos não chegam a ser assumidos em um seio de afeto real, onde possam enriquecer essa comunidade com sua presença?

Lusanil Cruz, formado em Economia e Direito, é servidor público e pai de dois filhos biológicos e um por adoção

 

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS