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Quarta-Feira, 09 de Julho de 2014, 14h:10 | Atualizado:

Marcelo de Carvalho

Copa, eleições e todos nós

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Desde o final do ano passado, a sociedade brasileira já comentava sobre o clima que o país passaria em virtude da proximidade entre um super evento esportivo internacional em nosso país e apenas dois meses e meio depois após o fim dele (a Copa do Mundo da FIFA®) termos eleições gerais em nosso país.

Em razão deste calendário, foi impossível para muitos de nós, aqui no Brasil, não associarmos os dois acontecimentos e o contexto explica o quão natural isso faça sentido. Diante deste cenário, houve consequente e infelizmente a associação entre futebol e política, ou seja, associar um esporte com o futuro do país, enfim, dois assuntos muito antagônicos para serem associados.

No entanto, isto só acontece por causa do estrondoso contexto envolvido. De um lado, um dos eventos televisivos e virtuais de maior audiência no mundo, no país onde este esporte é considerado exagerada e comercialmente uma religião por milhões de torcedores com emoções alimentadas pela mídia, que no caso de alguns veículos de comunicação inflamam a massa em todas as classes sociais (independente da renda, religião, escolaridade, valores morais e familiares), seja por meio da sobrevalorização comercial (canais de televisão aberta, por exemplo) ou pelas opiniões apresentadas por profissionais de mídia de canais de esportes por assinatura, que em suas mesas redondas tratam o futebol como se fosse “o assunto”. Do outro lado estãoas políticas públicas, gostem ou não, futebol e qualquer outro esporte são apenas um mero assunto quando comparados a saúde pública, educação pública, comércio exterior, ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, segurança, saneamento básico, indústria e habitação, assuntos estes que, por sinal, são pauta daquilo que será colocado com maior ênfase em debate nos próximos meses e por fim com as aplicações nos próximos quatro anos definidas no próximo dia cinco de outubro. 

Ver crianças chorando enquanto acontece a pior apresentação da história da seleção brasileira de futebol por um lado é compreensível, dada a ingenuidade e inocência comum nesta fase da vida e por outro inadequado, uma vez que mostra como desde cedo doutrinamos crianças a se apegarem emocionalmente a algo tão corriqueiro como um esporte, seja este futebol, basquete, vôlei, automobilismo, natação ou qualquer outro. Agora, ver adultos chorando copiosamente pelo mesmo motivo me causa estranhamento.

Sim, quem escreve esta opinião também grita, xinga, brinca e se envolve com a transmissão de um jogo de futebol, mas depois disso age como alguém que acabou de jogar um vídeo game: o juiz apita o final do jogo, se desliga do assunto e segue sua vida em frente, se importando e se esclarecendo sobre os assuntos públicos supracitados.

Aproveitar este momento exato entre minutos e poucas horas depois após o término do fato que encerrou a participação brasileira neste evento, para afirmarem indiretamente em comentários na rede de que quem torce pela seleção brasileira e está gostando da Copa necessariamente não trabalha e é indiferente aos problemas do país e que quem não se importa com a Copa é um exemplo a ser seguido e finge ser totalmente alheio ao clima de agitação provocado pelo evento, especialmente aqueles que moram nas cidades-sede, mostra um pseudo intelectualismo por parte destas pessoas apenas para se classificarem como cidadãos de primeira classe ao imaginarem que tais perfis (o do torcedor e do cidadão esclarecido) não podem estar presentes num único ser.  

Portanto, sem extremismos e hipocrisias. Torcer sem alienações e discutir e fazer um país melhor dentro de uma só pessoa é perfeitamente possível e normal! E brasileiros assim existem e são mais comuns do que possa parecer.

Marcello Ferreira de Carvalho é Administrador Especialista em Comportamento Humano e Gestão Pública

 



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