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Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h:00 | Atualizado:

Rodivaldo Ribeiro

Desperdício e fome

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Todo ano, o Brasil joga no lixo mais de 380 mil toneladas de batatas. Visto como alimento mais importante do planeta, não é muito valorizada quando o assunto é descarte. Parte imprescindível na dieta de praticamente todo o mundo ocidental é descartada muitas vezes por motivos como estar fora de padrão. As pessoas simplesmente rejeitam batatas que não sejam, digamos, belas. Isso tem nome e se chama mau hábito de consumo, pois esse alimente poderia ser ofertado a preço menor ou simplesmente distribuído. 

Não acontece nem uma coisa e nem outra. 

Com o volume jogado fora anualmente por puro desperdício, poderíamos suprir toda a demanda importada dos países do leste da África, Ásia Central, América do Sul ou Leste Asiático. Isso encarece o custo de vida, pois reflete nos preços à população. 

E não para por aí, Cuiabá também costuma desperdiçar pelo menos seis toneladas de alimentos em condições de consumo por dia, de acordo com estimativa do Banco de Alimentos da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Urbano (Smasdh). 

Os diretores do lugar sempre falam sobre a dificuldade em conseguir convencer donos das bancas do terminal atacadista e dos supermercados a doarem verduras, legumes e frutas. 

Ainda assim, o banco consegue recolher mensalmente uma média de 86 toneladas. Esses vegetais são levados e embalados em um centro de reciclagem localizado no bairro do Porto e beneficia nada menos que 130 famílias e outras 86 entidades sociais. 

O aumento do custo de vida e inflação tem ligação direta com o desperdício e funciona como um ralo silencioso. Políticas públicas mais eficientes são pouco discutidas no país e também em Mato Grosso, ironicamente conhecido pelos altos índices de produção de alimentos de toda espécie. De arroz a milho, de leite a carne. De vários tipos de frutas e verduras. 

Com tudo isso, ainda tem gente passando fome na capital e no interior. De volta às batatas, são produzidos 3,700 milhões de toneladas. Deve ser por isso que muita gente considera que 380 mil toneladas são um número aceitável, razoável. Mas não é. É comida que deveria estar nas barrigas das pessoas, não na lata do lixo. Uma em cada 10 pessoas passa fome no mundo. A prioridade pode e deve mudar. 

RODIVALDO RIBEIRO é jornalista 

 

 

 

 

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