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Opinião

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Sábado, 26 de Abril de 2014, 01h:32 | Atualizado:

Jorge Maciel

Enfim, uma Câmara proba

Jorge Maciel

 

Uma votação que correu dentro da normalidade, embora sem surpresas, apartou o até então vereador João Emanuel dos 24 vereadores extremamente retos e virtuosos, fazendo, certamente a sociedade cuiabana suspirar o oxigênio do conforto. Agora, a peleja do cão com os templários está selada. O exorcismo foi consumado antes mesmo de uma hora além do meio-dia.

Agora, palmas, e para felicidade geral, eis que o único mau elemento do produtivo, casto, sensato e comprometido parlamento cuiabano a partir deste instante jaz, inerte inofensivo. A Câmara Municipal, assim, seguirá seu curso plácido, seu destino em direção às luzes angelicais.

Na próxima terça-feira, não serão oradores, mas cântaros a ocupar o plenário. Na próxima terça-feira, estarei acertado com minha consciência, redimido. A partir de agora me curvarei, cívico, ao compromisso de cumprir, sem questionar,  meus deveres como cidadão, assegurado de que os meus impostos e assim a sociedade deste lugar, estarão sendo direcionados ao parlamento para bem único e exclusivo do cidadão.

Emanuel, o único, como d. Manuel foi o Venturoso,  ou Alexandre, foi o Grande, não mais habita o parlamento imaculado, o que implica que a depuração foi total. Nos próximos dias, até que chegue 1º de janeiro de 2017, a sociedade está sob a proteção fiel de um parlamento diferente, sem Emanuel: com a lisura de Júlio Pinheiro, a atuação premente e invejada de Chico 2000, os discursos acalorados, polêmicos e enriquecedores de Haroldo Kuzai, a sapiência de Wilson Kero-Kero, ou a coragem intrépida e decidida de Luecy Ramos. 

João Emanuel merecia ser cassado? Ora, o homem público que recebe e se beneficia das posições que o voto traz, tem, por ofício, que zelar da confiança confiada. Emanuel está, justamente, no processo de expio sob a forte pressão de comissários da ética e da justiça. Quem lhe cassa, hoje, em maioria, lhe foi emprestar [ou vender] fidelidade há meses. João caiu em desgraça!, sob o peso da justiça dos que lhe cobriam de afagos outrora, e hoje são moscas bicheiras. Mas essas coisas de amor e de dinheiro eu nunca entendi bem.

Quedo-me aos pés da realidade, aguardando que doravante tenhamos uma Câmara reta, firme e comprometida. Afinal, as juras de amor eterno a Cuiabá e aos princípios morais, à exaustão, nos pareceres éticos e pronunciamentos febris desta manhã de sexta-feira, leva-me a crer que o demônio foi expropriado, expulso do paraíso. Daqui em diante, firme e renhido, vou torcer para que Emanuel não venha a ser apenas, ou tão somente, aquele a  abrir a porteira para expulsar impurezas. 

 

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