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Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2015, 08h:35 | Atualizado:

Onofre Ribeiro

Pacto com a opinião pública

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Em Mato Grosso acompanhei a gestão de oito governadores titulares escolhidos ou eleitos, e cinco vice-governadores que substituíram os titulares candidatos em fim de mandato. Os propósitos iniciais de todos: mudar o Estado e inovar a gestão. Cada um ao seu modo, mas, sem exceção, todos pretenderam a mesma coisa. Assisto ao nono governador, Pedro Taques, iniciar o governo pretendendo, tal e qual os seus antecessores, a modernização da gestão pública estadual.

Bem verdade que ele assume num momento em que o modelo político-partidário e o conseqüente modelo de gestão pública esgotaram-se completamente no país: corrompido, ineficiente, burocrático, caro e inimigo dos cidadãos. Em Mato Grosso a situação é bem grave porque a gestão pública está no nível abaixo da crítica. O governador tomou posse prometendo um “choque de gestão, com o choque primeiro”. Parece justo e necessário.

Porém ele precisará enfrentar cartéis de negócios e feudos de poder instalados dentro e no entorno da gestão. Precisará lidar, por exemplo, com gastadores eméritos como os poderes, igualmente ineficientes e distantes da sociedade. Nesses governos que acompanhei antes do atual assisti à bajulação inicial e à vassalagem ao novo governador. Puro cinismo pra terem o tempo de compreender o seu modus operandis. Uma vez detectado, cessa a vassalagem e começam as cobranças, como no boxe, com golpes no fígado. Assoberbado com os problemas típicos da gestão e mais o que lhe serão empurrados goela abaixo no típico jogo de pressão, o governo acaba fazendo pesadas concessões, certo de que ainda continua mantendo sua filosofia inicial. Nenhum dos oito escapou disso.

O governador Pedro Taques tem um estilo de guerrilhas. Logo, vai abrir flancos de luta com os cartéis e com os feudos de poder solidamente instalados dentro e no entorno do poder. Quando começarem os ataques à sua gestão, serão ataques bem articulados e acertarão no seu fígado. A única certeza que poderá lhe restar, fiel e definida, será se ele puder conseguir construir um pacto de apoio da opinião pública. A eleição por si só, não basta. Os votos se esvaem na memória popular. Será profundamente estratégico ao governador Taques construir apoio junto à sociedade que, de fato, deseja mudanças na gestão pública. Mas não será uma batalha fácil. Até porque a má vontade dos cidadãos com o governo é muito grande! Contudo, é uma guerrilha dentro da guerra!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@terra.com.br   www.onofreribveiro.com.br

 



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Comentários (3)

  • Marisa | Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2015, 19h04
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    0

    Por dezenas, centenas de vezes li e reli artigos do meu querido amigo, o jornalista Onofre Ribeiro. Alguns chegaram a me emocionar profundamente! Onofre é bom nisto, talvez porque nestes tipos de artigos ele chore primeiro, depois nos juntamos a ele. Mas, em particular, neste artigo, mais um alerta muitíssimo bem feito,Onofre está, obviamente, coberto de razão, sob um diálogo pautado em análises e neles inseridos um ou outro viés, que dialoga com uma vontade em discurso, não com uma vontade de fazer, como só sabem fazer os bons de coração e aqueles que não se utilizam de cargos em seu próprio benefício.Mas como Onofre, ou quem sabe até mais, porque ele já atingiu o tempo dos sábios, eu temo sempre pelos paladinos, apesar de desejar todos os dias que realmente apareça um e sobreviva. Amo os destemidos, os aguerridos, mas, igualmente, temo pela cobrança alta que o mundo faz a estes caçadores de sonhos. Assim, torço a ponto de colocar o nome de Taques em minhas orações, para que um só homem ( de carne e osso), Onofre, desta sua longa lista, enfim possa nos vingar. Ou melhor, que nos devolva a honra roubada e nos limpe de toda a impotência jogada sobre nós pelo poder que se arma até os dentes contra os que falam a verdade.

  • Fran.CO | Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2015, 14h01
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    0

    E é preciso mesmo ter cuidado, senhor Governador. Boas intenções nós sabemos que o senhor tem. Mas é preciso muito cuidado, pois unhas de feras vão ser postas para fora.

  • Francisco | Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2015, 09h31
    2
    1

    Parabéns ao Sr. Onofre pelas verdades ditas. Verdades que não devem ser desconsideradas em nenhum momento nos próximos quatro anos pelo chefe do Executivo estadual. O homem natural é mal (Hobbes). E quando aprende a ser dissimulado, hipócrita, sem respeito para com seus concidadãos e amante de si mesmo não merece ter um cargo público. Cuidado com gente desse tipo, governador!

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