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Opinião

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Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 08h:10 | Atualizado:

Miranda Muniz

Projeto Único, Todos Contra Taques ou Unidade Popular?

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Neste período que antecede as convenções surgem “teses” para todos os gostos sobre possíveis alianças. Analisarei as três que considero mais “consistentes”, logicamente, sob o ponto de vista das forças democráticas e populares, nas quais eu me incluo.

A primeira, “Projeto Único”, foi aventada pelo ministro Blairo Maggi que de bobó só tem a cara e o andado. Propôs uma estranha união englobando a “situação”, “oposição” e os “em cima do muro”, logicamente com ele liderando o processo para o Governo ou amealhando uma das vagas ao Senado. Ou seja, uma eleição sem disputas.

Sua justificativa pública: “será melhor para todo mundo e para o Estado.”

Será mesmo? A Oposição deixaria de fazer as justas críticas à administração atual? E os palanques nacionais não iriam ser reproduzidos aqui no Estado? Seria um grande conchavão, envolvendo tucanos, emedebistas, petistas, comunistas, etc. Uma espécie de “Torre de Babel”, cada um falando sua língua.

A meu ver, com remotas chances de prosperar.

A segunda tese é a chamada “Todos Contra Taques”, ou seja, “fazer um junta-junta” de todas as forças de oposição para enfrentar o adversário estadual comum. Aqui residem três complicadores: a) a questão dos palanques nacionais; b) a ocupação dos principais espaços na chapa majoritária de Governador, vice e as duas vagas ao Senado. Alguém teria ilusão de que nessa coligação sobraria algum espaço relevante para os partidos do campo democrático e popular, como PT, PDT, PSB, PCdoB? e c) as dificuldades em estabelecer um programa comum, ante a diversidade de forças políticas envolvidas.

Já a terceira é a que eu simpatizo - a “Unidade Popular”. Seria formada pelos partidos do campo democrático e popular, citados acima, podendo atrair outros que se colocam na oposição ou que estejam em conflito com o Governo. Seu grande desafio será reunir força eleitoral para garantir a eleição de deputados estaduais e federais.

A ideia da construção da unidade do campo da esquerda é o centro da tática do meu Partido, o PCdoB, bem expresso no documento da Comissão Política Nacional: “O movimento de Frente Ampla, construído e liderado pela esquerda, é o caminho, da ótica do PCdoB, à vitória das forças progressistas para que retomem o governo da República.”

Tudo indica que o “assalto” ao PPS, colocando no comando lideranças ligadas ao projeto Pedro Taques, será um fator de fortalecimento do bloco “Unidade Popular”, haja vista que o seu (ex)grande líder Percival Muniz, afastado abruptamente, já se colocou no campo da oposição e com disposição para encarar um projeto majoritário.

Recente manifestação do deputado federal Valtenir Pereira, reafirmando que permanece no PSB, também reforça essa construção. Do mesmo modo, a posição do deputado Zeca Viana, presidente do PDT, ao deixar as portas do partido abertas para acolher Percival. O presidente do PT, deputado Valdir Barranco, também tem sinalizado neste mesmo sentido.

Nós do PCdoB, queremos ajudar a construir um Novo Projeto de Desenvolvimento para Mato Grosso. Também daremos nossa contribuição à chapa majoritária, com o nome da Professora Maria Lúcia, ex-reitora da UFMT, num projeto ao Senado.

Mesmo considerando a “Unidade Popular” ser a construção prioritária, é preciso deixar canais de diálogos abertos às outras forças de oposição afinal, política é a arte das circunstâncias e nem sempre acontece de acordo com nossos desejos. Sem contar que uma disputa com três grandes blocos de forças tende a ser resolvida apenas no segundo turno.

Miranda Muniz – agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, dirigente da CTB/MT e do PCdoB-MT.

 

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Comentários (12)

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h39
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    dia que a esquerda tomar medidas Keynesianas de ajuste fiscal e responsabilidade, e esquecer o socialismo clássico e arcaico, pode mudar o nome do partido pra PSDB..

  • +Marcelo F | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h35
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    Eduardo sanduba de mortaNdela, Portugal é um país com nível cultural muito maior que o nosso, inseridos no continente Europeu com nível sócio-econômico o qual nem se compara com o tupiniquim aqui. Tem menos de 100 mil km² e uma população menor que a capital paulista, consequentemente os desafios são infinitamente menor para se governar. Lá a absoluta maioria da população trabalha e retira do suor o próprio sustento, também acredito que o governo como em qualquer país do mundo não seja 100% correto, mas certamente é muito diferente da QUADRILHA DO LULLO-PETISTA QUE TOMARAM O PODER E ESTABELECERAM O POPULISMO E A VIGARICE COMO FORMA DE MANIPULAR OS DESPROVIDOS DE "INTELIJENÇA". Obs. Não podemos esquecer, que além daqueles "coitados" que votam no PT e não sabem o que estão fazendo, tem também aqueles "formadores de opinião" que utilizam-se de mais variados meios, pois estão vendo que o leitinho da vaca leiteira está ficando cada vez mais aguado. Obs. se ficar difícil de entender peça ao pessoal do Folhamax para lhe disponibilizar meu e-mail que eu posso tentar te explicar de forma mais lúdica.

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h28
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    tenta fazer ajuste no Brasil pra ver se a esquerda, MST, MTST, sem terra e demais movimentos bolivarianos e forum de SP, não são contra ?

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h25
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    Leia alem do carta capital e do sitio 247...o "superkeynesiano" e "anti-austeridade" governo de esquerda de Portugal reduziu o tamanho do setor estatal em relação à economia portuguesa ao nível mais baixo em uma década. Entendido tudo isso, a única argumentação possível seria dizer que esta grande contenção do gasto público não afetou o dinamismo da economia porque o governo luso sabe da importância de se impulsionar a recuperação econômica com aumentos do investimento público. Mas nem isso: o investimento público em Portugal caiu sob o governo socialista. Foi de 2,3% do PIB em 2015 para 1,5% do PIB em 2016, o nível mais baixo desde 1995 (início da série histórica). Com efeito, o investimento público em Portugal, em 2016, foi menor que o espanhol.Definitivamente, Portugal não é nenhum exemplo de políticas anti-austeridade e de rebeldia à Troika. Que a esquerda esteja recorrendo a Portugal como exemplo prático de sua agenda econômica é um grande mistério. É claro que o atual governo pode realmente vir a adotar, no futuro, uma agenda econômica realmente de esquerda, passando a aumentar os gastos e o intervencionismo. Isso é algo impossível de prever. Porém, até agora, isso não foi feito. O que é certo é que, até o momento, utilizar Portugal de 2016 como exemplo de êxito de políticas anti-austeridade e expansionistas de esquerda é uma grande burla intelectual.

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 15h17
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    sim, em portugal foi feito ajuste fiscal...pela esquerda ,portugal passou pro crises, Vale ressaltar: não foi uma mera "redução na taxa de crescimento", como fazem em vários outros países. Foi corte de gastos, mesmo. Se um corte de 9% nos gastos do governo não é mais considerado austeridade, então a esquerda ficou moderada.quem faz ajuste das contas publicas é a direita, a esquerda só sabe gastar.. Como consequência deste brutal corte de gastos, o déficit do governo, que estava em astronômicos 11,1% do PIB, caiu para míseros 4,4% do PIB sob Passos Coelho. Já o socialista António Costa aprofundou ainda mais a redução do déficit, levando-o para míseros 2%.Como dito, a coalizão de esquerda liderada por António Costa começou a governar Portugal em 26 de novembro de 2015. Para agradar à sua base eleitoral, suas primeiras medidas realmente implicaram a reversão de algumas reformas recomendadas pela Troika: a jornada de trabalho dos funcionários públicos foi reduzida de volta para 35 horas semanais [quando funcionários públicos trabalham menos, a economia produz mais], as aposentadorias voltaram a ser reajustadas pelo índice de preços, algumas privatizações foram paralisadas e o salário mínimo foi aumentado em 5% em 2016 e mais 5% em 2017 (o atual e já reajustado salário mínimo português, de 649 euros, é 21% menor que o espanhol). Só que nada disso significa uma reversão das políticas de austeridade. Para começar, os gastos públicos do governo português encolheram nada menos que 9% sob o governo de Passos Coelho, de 2010 ao final de 2015. Em 2016, já sob António Costa, mantiveram-se absolutamente estáveis (e isso em termos nominais; mas dado que a inflação de preços foi de 2%, então houve uma redução de gastos em termos reais).

  • Eduardo | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 14h31
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    Portugal é rico e com alto qualidade de vida para a população, lá o estado não é minimo, lá o povo tem o salário mínimo de 550 euros e vive muito bem com isso, não há violência, nem favela e nem mendigos nas ruas...e Portugal é governado por partidos de esquerda, inclusive o partido comunista, e nenhum imigrante quer vir embora, será porque né? Algum coxinha, pobre de direita, para responder isso?

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 12h51
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    vejo a unidade popular afundando o povo na venezuela.... fome, inflação, desespero, o pais quebrou de tanto populismo num regime semelhante ao cubano...vá a Roraima ver o socialismo que deu certo...refugiados, o socialismo se aproveita das brechas na via democrática, para atingir o poder, quando consegue, não quer largar mais e vira uma ditadura de esquerda.

  • analista politico | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 10h21
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    todos farinha do mesmo saco, oposição verdadeira e com capacidade de construir um governo popular e sem corrupção é procurador mauro!!!!!!!!!!!!!!

  • +Marcelo F | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 09h37
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    Eu simplesmente não entendo a fraqueza moral de uma pessoa que se acha no direito de defender o lulla e sua quadrilha. É o futuro de uma nação que está em jogo, são 208 milhões de habitantes que não podem sucumbir pela ignorância de parte significativa dela (que quanto mais ignorante mais facilmente é conduzida) pela canalhice e pela ganância de um pinguço safado e suas amebas amestradas. FORÇA BRASIL DO BEM, VAMOS RESISTIR A ESSA ESCÓRIA.

  • alexandre | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 09h34
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    Progressista e comunista, não cabem na mesma frase, o comunismo não se renova a 80 anos, pode unir petebas e comunistas, que não ganham no Estado. Basta me provar que o socialismo é um estado viável e democrático. Onde o povo tem liberdade. O próximo governador se chama Mauro Mendes. Malvadeza rejeição total, a esquerda precisa expulgar os pecados do Lula, se limpar pra tentar representar o povo, esqueça Lênin, esqueça Stálin, esqueça O Gramicismo. É preciso uma terceira via que não seja a direita, nem esquerda, precisamos de um meio termo, um jeito melhor de administrar, com justiça social, sem populismo, onde as pessoas enriquecem através de seu trabalho, o Estado tem que prover segurança, saúde, educação, cultura, não me prover. Antes de tudo, precisamos de políticos honestos para começar.

  • Marcelo | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 08h53
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    Olha, das opções apresentadas, nenhuma me agrada, mas certamente a pior é a sua, pois tudo o que a esquerda (petistas e os pelegos chupa-sacos) defendem tem claro objetivo, transformar o Brasil em uma cuba ou venezuela (com letra minúscula mesmo), onde o estado defende o direito dos cidadãos (somente que estão no governo), no caso essa cambada de pelego dos infernos que dilapidaram as contas públicas. Se tem PT sou contra (lembrando que petismo para mim é o ajuntado de todas essas m. da esquerda Brasileira).

  • garastazul | Quarta-Feira, 14 de Fevereiro de 2018, 08h28
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    Forças e democráticas e populares.................. Trabalhar que é bom nada. "Essa merda de pais se não entrar um governo que entende que o mundo e unilateral....... é começar olhar só para seu umbigo essa porcaria aqui nao vai para lugar nenhum......... Europa ... EUA..... e outros mais.... todos vaselinaram os Petralhas..... "quem não lembra de Lula é o Cara" termo pejorativo e o babaca saiu igual um pavão. kkkkk

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