13 de Agosto de 2020,

Política

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 09h:30 | Atualizado:

CONSELHO DOS GRAMPOS

Cabo aponta "condenação antecipada" e pede suspeição de 2 coroneis

Gerson Corrêa Júnior afirma que coronéis da PM que fazem parte do Conselho Especial de Justiça que o julgou sobre participação nos grampos cometeram “antecipação de juízo”


Da Redação

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A defesa do cabo Gerson Corrêa Júnior, preso desde maio de 2017 acusado de participação no esquema de interceptações telefônicas ilegais promovidas pela Polícia Militar, interpôs um incidente de exceção de suspeição contra os coronéis da PM Valdemir Benedito Barbosa e Luiz Cláudio Monteiro da Silva. Ambos fazem parte do Conselho Especial de Justiça que negou, no último dia 9 de fevereiro, o pedido de liberdade do cabo, que alega que os oficiais cometeram “antecipação de juízo”. Se a Justiça acatar os argumentos, os coronéis serão afastados do caso. Os advogados também pediram a suspensão do processo até posterior deliberação.

O incidente de suspeição foi interposto na última quinta-feira (15). Na audiência realizada em 9 de fevereiro, o coronel Valdemir Benedito Barbosa chegou a afirma que Gerson Correa “tomava decisões superiores ao coronel”, numa referência ao ex-comandante Geral da PM de Mato Grosso, o coronel Zaqueu Barbosa, apontado como idealizador da Central Clandestina de interceptações telefônicas da Polícia Militar. O fato foi citado pela defesa de Gerson Corrêa Júnior.

“Aos 28’22” (vinte e oito minutos e vinte e dois segundos) do arquivo, o primeiro excepto (Coronel Valdemir Benedito Barbosa) assertoa em relação ao excipiente que ‘está clarividente nos autos que, embora seja um cabo, mas diante dos autos ele tomava ou tomou decisões superiores ao coronel’ [...]Em seguida, lança desairosa suspeita em relação ao excipiente ao redarguir que ‘não sei qual é a influência que ele tem no governo’”, diz trecho do incidente.

A defesa do cabo alega ainda que o coronel Valdemir Benedito Barbosa tentou imputar um suposto ato de improbidade administrativa referente ao pagamento do aluguel do imóvel utilizado para realizar as interceptações clandestinas – fato que eventualmente não teria relação com os crimes investigados. “Ainda que não bastasse, o primeiro excepto induz suspeita de improbidade sobre o excipiente ao reverberar: ‘eu tenho a impressão, doutor, que em hipótese alguma o cabo pagava o aluguel desse escritório com o dinheiro dele’, acrescentando a indagação no sentido de que ‘R$ 1.500,00?’ e concluindo que ‘eu não acredito’”, diz outro trecho do documento.

Já o coronel Luiz Cláudio Monteiro da Silva disse estar “patenteado” que o cabo “extrapolou” sua esfera de atribuições. Segundo a defesa, esse tipo de afirmação só poderia ser feita após o final do julgamento do cabo, cuja ação ainda tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e não está conclusa.

“Aos 34`29” (trinta e quatro minutos e vinte e nove segundos) do arquivo, o segundo excepto Coronel Luiz Cláudio Monteiro da Silva, por seu turno, redargui que ‘com relação ao réu Cabo Gerson acredito eu e está patenteado no processo e no inquérito policial que foi juntado que extrapolou a esfera das atribuições’”.

“Ocorre que os exceptos não se ativeram aos pressupostos da manutenção da prisão cautelar, preferindo exarar juízo de valor (culpabilidade) sobre a controvérsia antes do momento propício (sentença de mérito). De fato, ao invés de procederem à cognição sumária dos fatos para justificar a manutenção do decreto prisional, os exceptos tratou o excipiente como autor certo de crimes já comprovados, em caráter de definitividade, inclusive atribuindo-lhe participação superior ao primeiro acusado (Coronel Zaqueu Barbosa)”, emendou a defesa do cabo.

Os representantes do cabo PM ainda afirmaram que a Lei Orgânica da Magistratura “veda aos magistrados emitirem opiniões pessoais sobre os processos pendentes de julgamento” e defendem que os coronéis não reúnem “as condições constitucionalmente impostas para julgar a causa”. “O excesso de linguagem em decisões interlocutórias que precedem a sentença de mérito permite entrever que o magistrado já se convenceu acerca da culpabilidade do acusado, mesmo antes do término da instrução processual”, transcreveu os advogados, citando jurisprudência do próprio TJ-MT - sentenças proferidas em outros processos que podem servir de base para decisões de magistrados.

GRAMPOLÂNDIDA

O caso dos grampos ilegais tornaram-se públicos após a veiculação de duas reportagens no Fantástico, da Rede Globo – em maio e julho de 2017.

Jornalistas, médicos, advogados, políticos e até uma ex-amante do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, sofreram interceptações telefônicas clandestinas que teriam sido feitas por policiais militares.

Além do coronel PM Zaqueu Barbosa – preso 9 dias após a veiculação da reportagem no Fantástico, que foi ao ar em 14 de maio de 2017 -, o cabo PM Gerson Luiz Ferreira, acusado de ser o operador da central clandestina, também teve mandado de prisão cumprido.

Já na deflagração da operação “Esdras”, no dia 27 de setembro de 2017, foram presos a personal trainer Helen Christy Lesco, o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, além de coronel da PM, Airton Benedito Siqueira Junior, o também coronel da PM e ex-Chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, além do ex-secretário da Casa Civil, Paulo César Zamar Taques. Todos são acusados de obstrução à Justiça.

Em outubro de 2017, o Ministro Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell Marques, “avocou” (reivindicou) os autos dos inquéritos que tramitavam em Mato Grosso para o órgão. Após a medida, o STJ acatou o pedido de liberdade dos investigados, livrando-os da prisão ainda no mês de outubro do ano passado - com exceção Gerson Corrêa e Zaqueu Barbosa, que continuaram presos. No último dia 9 de fevereiro, um Conselho Especial de Justiça, formado por 4 coroneis da PM e pelo juiz da 11ª Vara Criminal Militar do TJ-MT, Murilo Mesquita, concederam a prisão domiciliar a Zaqueu, mantendo Gerson Corrêa preso.

 



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Comentários (14)

  • Xa por Deus | Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018, 09h05
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    Uai, masse o cabo grampeou o amigo que devia pra ele é fato que,dessa forma, agiu acima do coronel, isso é só uma constatação. Ele tem que entrar com suspeição é contra o amigo dele, esse sim ferrou coma vida dele.

  • Juca | Segunda-Feira, 19 de Fevereiro de 2018, 07h09
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    Conselho formado por coronéis é para salvar coronéis. Por conseguinte a esposa do coronel também, porque não faz sentido salvar um e deixar outra pessoa importante à revelia. Se MP e a gloriosa justiça de MT deixarem, a culpa cairá somente no cabo, que segundo coronéis mandava mais que o Comandante Geral da PMMT e tinham suspeitas sobre a influência do cabo no governo. É hilário. Mas o que o Willian disse tem fundamento e os que criticaram são puxa saco extremos do casal. Acredito que se tanto um quanto o outro tiveram algum envolvimento no caso eles devem ser punidos. Mas lembramos que estamos no Brasil e tanto a justiça quanto o MP não são tão corretos na aplicação da lei em poderosos.

  • Val | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 22h13
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    Covardia o que fizeram com a esposa do cel. Tentaram destruir a moral dela. Tentaram. Não conseguiram porque voltou a trabalhar com muita fibra como sua mãe. Alto Araguaia confia na inocência dela.

  • Santos | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 22h10
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    Professora, continuaremos rezando pela senhora. Acreditamos que vai passar tudo isso e provará sua inocência

  • Mario | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 22h07
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    Willian,deixa a esposa do Lesco em paz. Além dela não estar nessa gramoolandia, já foi humilhada e prejudicada mais que todos. Pegaram a professora para bode espiatório, enquanto todos iam ser ouvidos de terno e gravata foi algemada e fortemente escoltada. Deixa a professora em paz.

  • Gervásio | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 22h01
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    Willian, está bem mal informado,hein?

  • Eleitor insatisfeito | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 15h12
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    O mais duro é saber que tudo isso não dará em nada!!! Vai dar o que todos já sabem.....vão empurrar tudo no cabo; afinal das contas;praça serve pra que;ne......!!!! O que a sociedade espera ;é que divulguem a lista das pessoas que foram grampeadas!!!

  • Juninho | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 14h58
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    Fiquei sabendo que o tal contador que ferrou o cabo, o tal dinheiro foi para pagar um desfalque realizado pelo contador na antiga empresa e o mesmo agora trabalha no setor de compras da Águas Cuiabá.... Kkkk é M. Pra todo lado. Eai Águas Cuiabá vai deixar esse contador sujar a empresa?

  • Sociedade atenta | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 13h16
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    Willian, meu bom, deixa eu te contar uma: você acredita que o processo que Helen figura não é este? Sabe aquele processo que ficou com o Campbell? Aquele que o primo poderoso também estava? Pois é, é este. Debaixo do braço do ministro. Bem cuidado! Neste, quem ferrou o cabo foi um amigo dele. Você sabia que o amigo deve 30 mil para o Cabo Gerson? É que o cabo o ameacou. Você sabia? E disse mais: disse que tinha medo do cabo. Aliás, o cabo ameacou promotor, amigo, inimigo, foi pra putaria quando estava preso. Aprontou horrores. Igual Lesco, que foi bem ali, no banco, na farmácia, quando estava preso e quem o soltou foi o Perri, lembra? Depois ele foi preso de novo e o Ministro o soltou. Pois é. Veja você. A teoria da conspiração tá meio confusa com eles aprontando confusões.

  • Adão | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 13h14
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    Já era previsto. Vai sobrar apenas para o Cabo.

  • Carlos Nunes | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 11h16
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    Pro Cabo a gente só pode pedir uma coisa: CONTE TUDO! FAÇA UMA DELAÇÃO PREMIADA PORMENORIZADA...nos mínimos detalhes. Quem deu a ordem? Quem era o Chefão do negócio? Geralmente essa espionagem tupiniquim tem Chefão, chefete, chefinho, e Cabo...E a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Sobrou pro Cabo, uai. Em pleno século 21, qual foi o enérgumeno que pensou em fazer espionagem igual no tempo da Guerra Fria. Autoridades, jornalistas, advogados, cidadãos de bem, foram sumariamente espionados, mas jamais saberão se foram ou não foram...Cadê a lista de quem foi?

  • Sociedade | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 11h10
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    2

    Abre a boca joga a bosta no ventilador....entregue o MANDANTE TAQUES.....vai ser condenado...vai perde o salário....vai ficar com fama de vagabundo....enquanto isso os coronéis estão rindo de você cabo puxa saco....ACABOU CARA PARA DE PUXAR SACO.....

  • willian | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 11h01
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    2

    Quem é que não sabia que esse conselho formado por coronéis ia simplesmente "salvar" apenas seus amigos (Zaqueu, Lesco e esposa). É o corporativismo até na (in)justiça.

  • Claudio | Domingo, 18 de Fevereiro de 2018, 10h58
    21
    2

    É o velho ditado amigo é quando da certo.

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