09 de Agosto de 2020,

Política

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Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 20h:20 | Atualizado:

DEPOIMENTOS NA METÁSTASE

Ex-servidor assume comissão de 5% em NFs frias; advogado reclama de impacto em sua vida

Esquema chefiado por Riva teria desviado cerca de R$ 1,7 milhão, segundo MPE


Da Redação

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Durante um interrogatório na tarde desta terça-feira, na Sétima Vara Criminal, o ex-servidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Vinicius Prado Silveira, confirmou que ficava com 5% do valor que era desviado das verbas de suprimento do legislativo estadual, entre 2010 e 2014. Ele é réu na ação penal da "Operação Metástase - Célula Mãe".

De acordo com o ex-funcionário, que fez as afirmações durante uma audiência nesta tarde comandada pela juíza Selma Rosane Santos Arruda, ele arrumava as notas fiscais e fazia a prestação de contas das verbas de fundo. “Quem me pedia era o Geraldo Lauro. Arranjava notas de materiais de consumo. Tinha a empresa VPS Comércio. E o contador Hilton arrumava as notas. Fiz várias vezes. De 2012 a 2014. Fazia todo mês”, confessou.

De acordo com o Ministério Público Eleitoral (MPE), a organização criminosa, que era comandada pelo ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia, José Geraldo Riva, teria desviado cerca de R$ 1,7 milhões destes recursos. Foram denunciados pelo órgão ministerial Riva, Silveira, o advogado Alexandre de Sandro Nery Ferreira, os ex-chefes de gabinete do ex-parlamentar, Geraldo Lauro e Maria Helena Caramelo; os delatores Hilton Carlos da Costa Campos e Marisol Castro Sodré, e dezenas de servidores e ex-servidores.

Segundo Vinicius Prado, ele era responsável por preencher os termos de prestação de contas e entregar as notas fiscais. "Eu entregava as notas para o Geraldo Lauro. Eu entregava pra ele, ele me passava a quantidade que precisava. Eu preenchia o termo de prestação de contas e ele passava para as pessoas que atestavam. Me passavam 10% do valor das notas. Desses 10%, 5% era para mim e 5% pro Hilton", afirmou.

Ele também afirmou que as notas tinham um limite de valor para evitar que se gerassem suspeitas pelos desvios. “Não sei se os proprietários das empresas sabiam porque era o Hilton quem fazia as notas. O Geraldo falava das despesas que tinha que fazer. Tinha a verba indenizatória e a de suprimento de fundos. Nessa da verba indenizatória Geraldo Lauro arrumava também, mas aí não tinha limite de R$ 4 mil. Quando eu fazia a prestação da verba indenizatória, também complementava com as notas frias”, disse.

Ele também confessou que chegou a abrir uma empresa para facilitar o esquema. “Eu já era funcionário da Assembleia. Eu falei com o Hilton e ele disse que as duas empresas dele não eram suficientes. Aí abriu outras para fazermos”, pontuou.

Já o ex-procurador da Assembleia Legislativa, Alexandre de Sandro Nery Ferreira, refutou a denúncia do MPE. "Eu fui professor do ex-deputado José Riva e em 2002 ele me convidou para ser procurador-geral da Assembleia. Fiquei um ano e 10 meses, depois atuei junto à Presidência. Desempenhei uma série de funções nesse cargo, atendendo pessoal, deputados, lideranças. Durante todos esses anos, conheci algumas pessoas que viraram meus amigos. Também exerci a advocacia para algumas dessas pessoas, em alguns casos sem cobrar", se defendeu.

Alexandre Nery ainda reclamou dos prejuízos a sua atividade profissional após ser denunciado por participação no suposto esquema. "Estes autos me causam profundo dissabor, pois atacam minha profissão dizendo que eu fiz uma coisa que pra mim é nojenta, que é pegar meu ofício para crimes. Mas com isso hoje eu percebo quem são meus amigos", desabafou.

 

 



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Comentários (4)

  • Julio | Quarta-Feira, 31 de Janeiro de 2018, 09h04
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    Não bastasse tudo isso, ainda responde por um homicídio...e o pior, olha quem levou ele para a assembleia para trabalhar? Chica e Roberto Nunes...isso mesmo.

  • Alemão | Quarta-Feira, 31 de Janeiro de 2018, 05h23
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    Esse Vinícius é burro, ganhou dinheiro e gastou tudo com puta e farra, wisky igual água...

  • Raimundo | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 21h36
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    Espero que a OAB não passe a mão na cabeça do citado 'adevogado'.

  • Observador | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 21h03
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    Roubou ? Tem que ir pra cadeia ! Nada de tornozeleira, ação comunitária, é caaadeia ! Chega a população merece mais respeito !

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