17 de Fevereiro de 2020,

Política

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Sábado, 04 de Janeiro de 2020, 18h:14 | Atualizado:

INCÊNDIO EM GABINETE

Família de trabalhador morto na AL cobra R$ 281 mil de ex-deputado

Três trabalhadores morreram em março de 2015, quando trocavam carpete do gabinete de Gilmar Fabris


Da Redação

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A família de um dos três trabalhadores mortos na explosão e consequente incêndio ocorridos em um dos gabinetes da Assembleia Legislativa em março de 2015 resolveu acionar o ex-deputado Gilmar Fabris (PSD) em busca de uma indenização até o montante de R$ 281,100 mil. As circunstâncias do sinistro não foram esclarecidas até hoje.

Corria a noite do dia 13 de março de 2015 quando aconteceu a suposta combustão espontânea e conseguinte deslocamento de ar causados pelo encontro de material químico industrial — os homens estavam lá trocando o carpete do escritório dele (114) para colocação de outro tipo de piso —, como colas super adesivas e solventes como thinner e outros formaldeídos, e uma fagulha elétrica.

As investigações da polícia chegaram à conclusão de que se tratou de acidente de trabalho decorrente do conjunto de equipamentos, material e ambiente inadequados, conforme trecho do inquérito, e por isso não haveria que se responsabilizar ninguém pela fatalidade. Isso foi complementado por um laudo da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica), que apontou o atrito entre as partes elétricas expostas de uma enceradeira com gás (formaldeído) ou  líquido (os solventes e colas) inflamável.

Essa versão nunca conformou as famílias. Uma delas, a de L.H.P., abriu a ação de indenização para obter compensação financeira pela tragédia que se abateu sobre seus filhos, esposa, mãe e demais parentes com sua partida. Para eles, houve “completa ausência de segurança oferecida pela Assembleia Legislativa e por Gilmar Fabris” aos três trabalhadores.

Os familiares também afirmam que Fabris tem responsabilidade pelo acidente porque não teria adotado procedimentos corretos para a realização da reforma do gabinete 114. Nos autos foram anexados trechos dos depoimentos de um servidor da AL sobre o acontecido na noite da tragédia.

Ele disse textualmente: “não tinha conhecimento dos serviços que estavam sendo realizados, os quais originaram o acidente de trabalho na data do dia 13/03/2015, pois os procedimentos não passaram pela secretaria de Administração e Patrimônio; Dos 40 dias que esteve trabalhando na AL não teve conhecimento de nenhuma reforma; que não tem conhecimento se existe ou não está trabalhando na Assembleia Legislativa que autorize os deputados a fazerem pequenas reformas sem a autorização prévia da Secretaria Geral. Afirma que somente tomou conhecimento dos serviços que estavam sendo realizados no gabinete 114 quando ocorreu o acidente na data do dia 13/03/15”, conforme a transcrição do depoimento do servidor que o advogado da família anexou ao pedido  da família da vítima.

Os familiares alegam que tanto no inquérito policial quanto no laudo da Politec há evidências de que o acidente podia sim ser evitado se o ex-deputado e a AL adotassem na ocasião práticas de segurança do trabalho fartamente descritas na legislação brasileira.

“Ainda que se comente que as três vítimas não estavam utilizando equipamentos de proteção individual (EPI), saliente-se que eles não seriam suficientes para evitar a tragédia”, pois a explosão foi de tal monta que teriam morrido do mesmo jeito, sempre segundo a representação. Na inicial, a AL constava como parte solidária em uma virtual condenação ao pagamento da indenização de Fabris, mas a instituição foi retirada do processo.

 

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Comentários (5)

  • Luciana | Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2020, 11h35
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    Bom dia... Que a justiça seja feita da melhor forma possivel! E que não demore para dar a sentença final! Caro Gustavo, seu amigo estava no local na hora do fato? Porque não socorreu e não ajudou a abrir as portas? Estar do lado de fora isso responde o que estava pelo lado de dentro? faça me o favor, seja inteligente! Você está afirmando que eles provocaram a morte deles? Meu sobrinho estava no auge da idade e feliz! 😭Belo julgamento seu, enfim, que venha a execução dos laudos e tenha seu veredito rápido 😭😭 aos olhos de Deus nada é oculto! Deus proverá!

  • João Paulo Lima barbosa | Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2020, 11h14
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    Como a corrupção fala mais alto nesta terra sem lei. Até onde eu sei , perante a lei de segurança e trabalho. A assembleia é responsável pelo todo perímetro patronal ( dependência interna /externa) do seu patrimônio. Obrigações e Requisitos Obrigatórios pela ABNT e as suas NBR / NR. Corpo de Brigadista. Engenheiro de Segurança, por ser um Prédio de grande proporção. Técnico de segurança. ASO (Atestado de Saúde Ocupacional).de todos os prestadores de serviços e entre outros (Vitimas) . Integração com todos os prestadores de serviços ( Vitimas). DDS (Diálogo Diário de Segurança) todos os dias de serviços prestados no local. NR 6 EPIs ( E qto de proteção Individual). Espaço confinados NR33 NBR 16577:2017 . NR26 manobras com produtos químicos. NR 10 pois houve manobra com equipamentos elétricos . A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA CUIABÁ É RESPONSAVEL. A partir do momento que o suposto contratante - Deputado GILMAR FABRIS ( PSD) não assume a sua ; A RESPONSABILIDADE é transferida para a ASSEMBLEIA LEGISLATIVA CUIABÁ , sabe porque. O Prédio (Patrimônio físico) é da assembleia legislativa e ñ do suposto Deputado GILMAR FABRIS. Srs: Familiares procures novamente os seu ADVOGADOS / Engenheiro de Segurança do trabalho para mais informações e faça a representação novamente na justiça. Procurem saber também se os Documentos do Bombeiro AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiro) estão em dias, se estiver vencidos poderá até interditar o Prédio da assembleia legislativa de CUIABÁ. SRs: Governates da Assembleia legislativa de CUIABÁ !!! Vcs DEVERIAM ter é Vergona na Cara e Assumir está RESPONSABILIDADE e Mostrar para o seu POVO que Vcs tem o mínimo de CARÁTER e ÉTICA PROFISSIONAL de ASSUMIR as RESPONSABILIDADE. E não simplesmente deixar arquivar uma TRAGÉDIA que aconteceu dentro da sua casa e embaixo do seu NARIZ !!!!

  • Celso robson | Domingo, 05 de Janeiro de 2020, 17h47
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    Mais como assim ?????? Eu contrato uma empresa terceirizada e sou responsável pelo acidente que eles cometem?????? Aí já é demais

  • Gustavo | Domingo, 05 de Janeiro de 2020, 10h05
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    como pode isso se os propios funcionarios provocaram o incendio..tenho um amigo q estava na hora do fato..

  • Mário Márcio da Costa e silva | Sábado, 04 de Janeiro de 2020, 19h04
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    Não conheço o deputado,nunca votei nele, mas a instituição é que deve ser responsabilizada por este sinistro,no meu ponto de vista.As reformas,as ampliações e mudanças tem que serem aprovadas por uma equipe qualificada ,que daria seu parecer,favorável ou não para execução dos serviços.Agora,caso tenha este setor e não tenha sido consultado ,o nobre tem que pagar.

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