Cidades Terça-Feira, 14 de Maio de 2019, 12h:21 | Atualizado:

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SAÚDE DAS TRIBOS

Indígenas ocupam órgão em Cuiabá

Ação foi realizada após morte de crianças em Mato Grosso

TARLEY CARVALHO
Da Redação

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Um grupo de 40 indígenas, da etnia Enawenê-Nawê, ocupou nesta manhã de terça-feira (14) a sede mato-grossense do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), localizado no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. O órgão é o responsável pela saúde indígena no país e o protesto dos indígenas se dá após a precarização na prestação de saúde nas aldeias, já tendo registro de mortes, inclusive de crianças, pela situação que se instalou. Eles cobram a saída do coordenador do órgão, Argon Norberto Hachmann.

De acordo com um fonte ligada às causas indígenas, a exigência dos manifestantes é que o coordenador se faça presente no prédio, para dialogar com eles. Ele já foi informado da mobilização e deve chegar ao prédio em instantes. Os funcionários da organização não puderem deixar o local e estão recebendo marmitas para almoçar.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e está acompanhando o caso, por meio de uma equipe da Rotam (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas). Até o momento, o protesto é considerado pacífico.

A Polícia Federal (PF) também está no local, tentando fazer a negociação com os indígenas. Mas, por enquanto, a ocupação segue de pé.

As informações dos indígenas são de que o atual coordenador está demitindo vários profissionais e substituindo alguns. Os demitidos são pessoas que já atuam nas aldeias há anos e são conhecedores das culturas de cada etnia, além de serem fluentes em suas línguas. Alguns dos profissionais demitidos já atuam no local há mais de 10 anos.

Atualizada às 13h13 – As ligações feitas a Hachmann foram ignoradas e as mensagens não foram respondidas. Porém, em entrevista ao jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, afiliada à Record, o coordenador do DSEI afirmou que os indígenas reivindicam a ampliação da Casa de Saúde Indígena (Casai), que atende a etnia. Isso porque, a mesma unidade atende a três etnias diferentes e uma delas tem conflito histórico com a Enawenê-Nawê. A reivindicação tem por objetivo, segundo o coordenador, evitar que as duas etnias entrem em conflito. Para isso, cada grupo deve ser atendido em um dos lados da unidade.

Hachmann afirma que a reivindicação já foi aprovada, mas que os indígenas não compreendem a burocracia da Administração Pública, se referindo ao fato de que, apesar de ter sido aprovada, ainda não foi atendida. O coordenador também classificou os indígenas como pessoas facilmente manipuláveis.

“Esta etnia tem muita dificuldade de entender o processo burocrático, os prazos, os tempos, como as coisas se dão, a burocracia da licitação, dos editais, das autorizações dos órgãos em Brasília. Então, acaba, muitas vezes, sendo vítimas de pessoas inescrupulosas, que os manipula, os trata de uma forma não lógica dentro do ordenamento jurídico legal”, afirmou.

Hachmann também afirmou que os indígenas requerem a recontratação de um enfermeiro que foi demitido pelo órgão. Ele justificou o desligamento do funcionário por não comparecer ao trabalho após ser transferido de aldeia.

“Ele foi realocado em outro lugar para trabalhar. Ele não compareceu, o ordenamento legal diz “o senhor não compareceu ao serviço, tem que ser demitido” e é o que aconteceu. Mas ele não imaginava que a gente faria, por conta dessa eterna manipulação [que fazia com os indígenas]”, afirmou.

Por fim, o coordenador do órgão afirmou que também já atendeu à reivindicação da etnia em disponibilizar um intérprete exclusivo para a aldeia, com exclusividade 24 horas por dia. Segundo ele, a contratação foi realizada na semana passada.

 





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Comentários (1)

  • Raimundo

    Terça-Feira, 14 de Maio de 2019, 12h54
  • As movimentações petralhas agindo, tem que abrir investigação e penalizar qualquer indício de incitação a invasão de prédio público, depredação e cárcere privado, alem disso tem que exonerar qualquer um que ocupa cargo público sem concurso. Espero que a polícia investigue o cárcere privado sob pena de prevaricação.
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