24 de Janeiro de 2020,

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Domingo, 08 de Dezembro de 2019, 14h:00 | Atualizado:

MÚSICA CLÁSSICA

Auxiliar de pedreiro brilha como bailarino clássico

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O encanto dos movimentos delicados do balé harmonizam com o talento de Rômulo Mello, pedreiro-bailarino de 32 anos. Aos 17 anos, o jovem descobriu sua paixão pela dança clássica com o projeto Dançando para Não Dançar, tradicional Escola de Balé das Comunidades, após recomendação da irmã, Samara. No estúdio do Pavão-Pavãozinho, comunidade do Morro do Cantagalo, na Zona Sul, Rômulo aprendeu os primeiros passos que, depois, levaram-no a palcos muito maiores.

Desde pequeno, o caminho de Rômulo se cruzou com o da dança. Em casa, a inspiração vinha do berço, com o pai, dançarino de soul, e a mãe, ex-passista da Unidos de Vila Isabel. Mas seus caminhos se entrelaçaram definitivamente na juventude, quando começou a aprender o balé clássico no Dançando. Depois, sua paixão pela dança mudou seus rumos, e o palco virou seu grande amigo. 

"O Dançando mudou tudo na minha vida, eles são minha segunda família. A partir da minha vivência aqui, pude conhecer muitas pessoas e entrar em contato com outras escolas de arte e dança. Além disso, em 2005, dancei para o então presidente Lula. A experiência foi maravilhosa, eu nunca acreditei que chegaria lá", contou Rômulo, orgulhoso.

Depois de entrar no mundo da dança, teve que dividir seu tempo entre o Exército e o balé clássico mas, em nenhum momento, abandonou os passos que enchiam seus olhos. "Quando eu disse que era bailarino, eles ficaram muito orgulhosos, e falaram que eu era homem de verdade de assumir, sem medo, essa paixão", explicou. Além disso, palavras de apoio de amigos e familiares lembravam-no de nunca desistir de seus sonhos, e o bailarino persistiu.

Apesar dos anos de dedicação, Rômulo ainda não consegue se sustentar apenas com a dança. Hoje, começa a construir uma família e, com um filho de dois anos para cuidar, decidiu seguir os passos de seu pai como auxiliar de pedreiro. O ganha-pão permite que, um dia, realize seu sonho: ganhar dinheiro com o que ama. Enquanto isso, faz dos palcos seu espaço de expressão. Ao subir para uma performance, ele deixa a timidez na coxia, e abre espaço para seu melhor amigo: Rômulo, o bailarino.  

25 anos da fábrica de talentos

A Escola de Balé das Comunidades Dançando para Não Dançar completa 25 anos transformando a vida de crianças de jovens de 8 comunidades espalhadas nas zonas Sul, Norte e na região central do Rio de Janeiro - Rocinha, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Mangueira, Chapéu-Mangueira, Babilônia, Borel e São Carlos. Hoje, o projeto ajuda 150 jovens, e já formou alunos que integram companhias nos Estados Unidos e na Alemanha.

Para Thereza Aguilar, coordenadora e idealizadora do projeto, o sonho começou depois que desceu de um voo, voltando da Alemanha. "Eu sempre tive vontade de criar uma companhia acessível porque o balé sempre foi uma dança muito cara, e eu queria encontrar alguma forma de mudar a vida das pessoas", explicou. A primeira sede foi no Pavão-Pavãozinho, escola que formou Rômulo há 15 anos. Atualmente, o único patrocinador do projeto é a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. 

Desde então, seu encantamento pelos jovens alunos apenas cresceu, e o projeto também ganhou mais importância. Mesmo depois de formados, retornam à casa como professores, desde que estejam com um diploma de ensino superior, formalidade cobrada por Thereza. Para ela, ver o retorno dos alunos enche os olhos de água, porque eles "querem deixar um pedaço deles com o Dançando".

Acima de tudo, o projeto é sinônimo de transformação. "Tentamos promover uma transformação social através da arte, além de conseguir resgatar o direito e a civilidade. Vivemos em sociedade, e não pode ter maus-tratos ao ser humano. Temos que pensar um pouco no futuro, sonhar um pouco", concluiu. 

 

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