10 de Abril de 2020,

Economia

A | A

Quinta-Feira, 26 de Março de 2020, 21h:35 | Atualizado:

Associação de MT já teme desabastecimento

Com a decisão dos governadores em manter a quarentena devido a pandemia do novo coronavírus, se não houver entre os estados um alinhamento sobre a restrição de trânsito e transporte nas estradas brasileiras, o país corre o risco de sofrer com um desabastecimento em poucos dias. A análise é da presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR) Margareth Buzetti, em relação às medidas restritivas que estão sendo tomadas pelos estados e o constante recuo e indecisões do governo federal.

Na terça-feira (24.03), em pronunciamento oficial, o presidente República Jair Bolsonaro pediu que o país volte à normalidade para que não haja mais prejuízos a economia. Mas, os governadores definiram por manter o isolamento social com o fechamento do comércio, empresas e restrições nas estradas, sendo permitido apenas os serviços considerados essenciais.

O problema, para Margareth Buzetti, é que alguns estados e municípios estão tomando medidas extremas que poderão comprometer o abastecimento do país. “É preciso haver coerência e cautela nas decisões sobre os serviços e atividades profissionais que devem funcionar neste período. Os decretos estão mantendo serviços essenciais, mas estes serviços também podem necessitar de outras atividades profissionais para sua manutenção que podem estar restritas”, complementa.

A empresária aponta que é preciso manter um mínimo de atendimento aos trabalhadores que continuarão na ativa, como transporte. Já para os caminhoneiros é necessário manter toda a rede de apoio ao longo das rodovias, como borracharias, oficinas, restaurantes e lanchonetes, pousadas e hotéis, “senão daqui a pouco eles poderão não ter mais como trabalhar. Temos que lembrar que, enquanto estamos em casa em isolamento e protegidos, uma gama de trabalhadores estão lá foram na ativa, correndo riscos”. No Brasil, aproximadamente 60% do transporte de cargas é feito pelas rodovias.

Santa Catarina, por exemplo, inicialmente tomou medidas consideradas drásticas, mas recuou devido ao risco de ficar sem produtos básicos neste momento de crise. Outro exemplo é Cuiabá, onde o prefeito, num primeiro momento proibiu a circulação total do transporte coletivo, esquecendo que os trabalhadores não só da saúde, mas de supermercados, farmácias e postos de combustíveis, entre outros, também são usuários do transporte público. Posteriormente, após críticas e protestos, o prefeito também recuou de sua decisão.

Buzetti, que é empresária do setor de reforma de pneus dá como exemplo seu próprio negócio, que pelo decreto federal 10.282 é considerado essencial e deve continuar funcionando. No entanto, não foi contemplado pelo decreto da prefeitura de Cuiabá em relação as medidas de enfretamento a pandemia. O decreto municipal prevê apenas “borracharias e oficinas de manutenção e reparos mecânicos de veículos automotores, excetuadas as oficinas de lanternagem e pintura”. “Mas a reforma de pneus não é uma borracharia, é muito diferente, uma borracharia não reforma pneus”, comenta.

No dia 20 de março, a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR) encaminhou ao Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, um ofício em que ressalta a preocupação com o momento atual do país e a manutenção de serviços essenciais para garantir o abastecimento nacional. O ofício destaca que o funcionamento de toda a cadeia de serviços que dá suporte ao setor de transportes no Brasil, incluindo a reforma de pneus, é essencial.

A presidente da ABR e da Associação das Empresas do Distrito Industrial (AEDIC) critica o presidente Jair Bolsonaro. Para ela, o presidente é quem deveria dar as diretrizes que o país tem que seguir neste momento, sem radicalismos. “Sem minimizar e sem maximizar nada. Gostaria que ele apresentasse uma projeção e um planejamento sobre os riscos de qual caminho devemos seguir. Quais os riscos da quarentena e quais os riscos do isolamento, sem extremismos”. Para Bolsonaro, o país deve voltar à normalidade imediatamente, para ele os riscos para a economia são maiores que que os riscos de um colapso na saúde devido a pandemia da Covid-19. “Prefeitos, governadores e presidente Jair Bolsonaro deixem a política de lado e vamos cuidar do povo e da economia”, conclama Buzetti.

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS