03 de Abril de 2020,

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Domingo, 23 de Fevereiro de 2020, 23h:42 | Atualizado:

DOENÇA RARA

Menina recebe transplante de medula de irmã

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A pequena Yasmim Marques Brito, de apenas 7 anos, recebeu nesta semana uma nova medula óssea, necessária para cura de uma doença rara. A menina de Cubatão (SP) foi diagnosticada pela segunda vez com leucemia mielóide aguda (LMA) - uma doença que geralmente acomete pessoas com mais de 55 anos. A doadora é a irmã mais nova da garota, Ana Lívia, de apenas 1 ano, que tem compatibilidade de 100%.

O transplante foi feito na última quinta-feira (20), quando a menina recebeu a medula da irmã, no Hospital do Graacc, em São Paulo. O local que traz esperança para a cura, foi onde ela também recebeu o diagnóstico nas duas vezes e passou pelas quimioterapias. A menina descobriu a doença em março de 2019, após apresentar manchas na membrana branca dos olhos.

O tratamento realizado no Hospital do Graacc consistiu em cinco sessões de quimioterapia. Em agosto, a medula de Yasmim entrou em remissão, ou seja, parou de apresentar sinais de atividade da doença no sangue. A partir daí, ela precisou fazer acompanhamentos mensais para saber se a leucemia havia mesmo ido embora.

Em janeiro, a menina começou a reclamar de muitas dores nas pernas e, em um dos exames de rotina, foi surpreendida com a notícia de que a doença havia voltado. Em entrevista ao G1, a mãe Daniela Cristina Marques de Araujo Brito informou que a filha tinha apenas três meses para conseguir encontrar um doador compatível já que, de acordo com os médicos, ela não poderia passar por muitos ciclos de quimioterapia. Com a descoberta, a família de Yasmim passou a procurar por um doador 100% compatível e o encontrou na irmãzinha mais nova.

Na quinta, eles iniciaram a processo de cura de Yasmim. A mãe das meninas contou que a preparação foi um pouco invasiva na mais nova, já que ela teve de ser anestesiada para fazer o procedimento de coleta. “Ela ficou no centro cirúrgico cerca de duas horas. Quando saímos de lá, a Ana acordou batendo palminha. Parecia que sabia que estava salvando a vida da Irmã”, afirma Daniela emocionada.

Ana Lívia acordou agitada e queria ver a irmã, que já estava recebendo sua nova medula. A mãe explica que as células vêm em uma bolsa parecida com a de sangue e a infusão dura cerca de três horas. Durante o procedimento, a mãe colocou as duas irmãs deitadas juntas, que logo começaram a se abraçar e se beijar. “Foi emocionante demais. Quando a Yasmim estava recebendo a medula, eu falei para ela: ‘Filha, essa é a bolsinha da sua cura. Talvez você fique um pouco doente, mas vai melhorar logo'. Na hora ela ficou com os olhinhos cheios de água, toda emocionada”, conta a mãe.

Neste domingo (23), a menina já chegou no estágio de aplasia medular, que é quando sua medula já não produz células sanguíneas suficientes, processo normal no transplante. Com isso, ela passou a sentir alguns efeitos colaterais, como enjoo e diarreia. Daniela afirma que ela está bem e que esses efeitos estão completamente dentro do normal, conforme previu a equipe médica.

Yasmim continua internada no Hospital do Graacc e espera pela medula. Conforme explica o diretor e coordenador do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Graacc, Victor Gottardello Zecchintodo, todo transplante tem risco de ter rejeição. No entanto, segundo ele, só é indicado o transplante quando a chance de ficar curado da leucemia supera o risco do procedimento.

O sucesso do transplante da nova medula pode demorar entre 15 e 20 dias. A mãe se diz tranquila em relação ao procedimento. “Não tenho nenhuma preocupação em relação a isso. Meu coração está cheio de alegria, é inexplicável isso. A gente tinha pouco tempo para conseguir e conseguimos dentro de casa. Tenho certeza que a medula vai pegar”, finaliza Daniela.

Conforme explica Victor Gottardello a leucemia é o ‘câncer do sangue’. As células sanguíneas são produzidas pela medula óssea, que é um órgão líquido localizado no interior dos ossos. “O tempo todo nosso organismo produz células com defeitos, que passam por vários processos de ‘checagem’ antes de serem liberadas para a circulação. Se é detectado algum erro na célula, nosso organismo a destrói. Eventualmente, alguma destas células defeituosas escapa destes processos e começa a gerar outras células iguais a ela, todas com defeito, o que dá origem ao câncer”, esclarece.

O médico informa que a necessidade de transplante de medula ocorre em casos de alto risco ou então quando a doença é tratada e volta a aparecer. Ainda de acordo com ele, o resultado do transplante depende de uma série de fatores, porém, ainda hoje os melhores resultados são obtidos com um doador familiar (em geral, o irmão ou irmã) totalmente compatível.

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