17 de Novembro de 2019,

Opinião

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Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 13h:45 | Atualizado:

Lício Malheiros

A caixinha dourada

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Vamos falar de amor, carinho, dedicação, companheirismo, solidariedade, compreensão e por ai vai. O mundo moderno, através do processo evolutivo tecnológico, permitiu ao homem do século XXI, uma série de mudanças estruturais em suas vidas, tendo como carro chefe a informatização, através da qual, a utilização exacerbada das redes sociais, como Facebook,  WhatsApp e Instagram acaba fazendo com que, participemos menos da vida de nossos entes queridos.

Com esses adventos tecnológicos, as pessoas de alguma forma, acabaram deixando de interagir de forma direta com as pessoas, sentindo-as  ouvindo-as, por mais simples ou singelas que  estas fossem.

Isto ocorre de forma direta, principalmente no seio familiar, no qual, muitas vezes deixamos de dar atenção aos nossos pais, filhos, sobrinhos, enfim a um parente próximo; isso é fruto, dessa busca incessante por informações, por dinheiro, por poder, pelo egocentrismo, pela vaidade, por curtidas nas redes sociais e por ai vai.

Diante dessa narrativa, vou declinar uma história que não é minha, porém retrata bem a exacerbação desmedida, por parte de muita gente, que vem trocando, o amor, o carinho a dedicação, a atenção, por outros valores pouco ortodoxos.

Em uma cidade de porte médio, um pai castigou sua filinha de três anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.

Naqueles dias, o dinheiro na família andava escasso, razão pela qual o pai ficou furioso ao ver a menina  envolvendo uma caixinha com aquele papel dourado e coloca-lo debaixo da árvore de Natal.

Apesar de tudo, na manhã seguinte a menininha levou o presente a seu pai e disse-lhe, isto é para você paizinho. Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reação, mais voltou a explodir quando viu que a caixinha estava vazia gritou a ela dizendo-lhe.

Como na maioria das vezes, estamos acostumados a dizer de forma impensada e desmedida, como se fossemos os donos da verdade, repreendendo certas atitudes.

O pai agiu dessa forma, ao dizer-lhe em tão áspero, você não sabe que quando se dá um presente a alguém, agente coloca alguma coisa dentro da caixa?!

A resposta da menina foi comovente e direta, ao dizer-lhe de forma branda, porém com os olhos lacrimejando, pela resposta do pai. Oh, paizinho, a caixinha não está vazia, soprei beijos dentro dela, todos para o senhor.

Diante dessa situação, o pai envergonhado, abraçou a menina e suplicou-lhe que o perdoasse.

Segundo relatos, o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos e sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, tomava da caixinha um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.

Confesso, ao ouvir essa narrativa fui às lágrimas. E que esta situação, sirva de exemplo para todos nós, ditos adultos, que muitas vezes agimos como seres insensíveis, nos pautando sempre por algo palpável e de valor monetário relevante; dessa forma, acabamos nos esquecendo dos valores abstratos e, um deles de grande valia em nossas vidas, o amor.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo  

 

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Comentários (4)

  • Valeria Chavier | Quarta-Feira, 23 de Outubro de 2019, 22h04
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    Com o amor ao próximo o pobre é rico, sem este amor, o rico é pobre. Santo Agostinho

  • Joelma | Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 17h28
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    Gostei, são poucos articulistas que tem a sensibilidade do professor Licio, isso é algo importantissimo nos dias atuais, em que se torcermos os jornais irá jorrar sangue, fruto do desamor da falta de carinho isso vem se tornando uma constante, quando alguem se propoe a falar de amor acaba gerando nas pessoas amor, excelente

  • Cleide | Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 17h22
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    Excelente artigo professor, você demosntra ser uma pessoa temente a Deus e mais do que isso tem um bom coração pois sempre fala de amor algo esquecido por muitos parabéns

  • Anderson Siqueira | Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 17h03
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    Belo artigo grande professor

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