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Opinião

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Segunda-Feira, 05 de Maio de 2014, 09h:06 | Atualizado:

Gabriel Novis Neves

Complexo de inferioridade

Gabriel Novis

 

De um modo geral o brasileiro sofre dessa patologia - onde o bom é sempre de marca estrangeira. Ultimamente tenho viajado em aviões da Embraer, mas o preferido pela maioria são as máquinas francesas e americanas.

Considero essa manifestação de preferência à herança colonialista, muito difícil de apagar.

Reconheço que sem pesquisa e produção de ciência e tecnologia, bens indispensáveis a uma nação civilizada, o Brasil ficará sempre a reboque dos países que investem em educação.

Os países ditos do primeiro mundo são os mais atentos nessa área e, por isso, julgados como os donos do nosso Planeta.

Somos considerados os melhores do mundo em carnaval, venda de jogadores de futebol, violência e corrupção - com a inseparável impunidade.

Temos ilhas de excelência em determinadas atividades, como a medicina para poucos em centros médicos de referência mundial.

Mas, na educação, saúde, ciência, tecnologia, emprego e condições de vida e trabalho, nós estamos numa escala bem inferior em relação a muitos países.

Precisamos exorcizar a demagogia da apologia da irracionalidade e investir, prioritariamente, na indústria do conhecimento e saberes.

Vivemos o paradoxo de termos centros médicos produzindo a melhor medicina do mundo e, ao mesmo tempo, importando milhares de médicos (?) cubanos para ocupar grandes espaços do nosso território sem nenhum desse profissional - em um país com duzentas e vinte e oito escolas médicas, perdendo apenas para a China, com mais de um bilhão de habitantes.

Os Estados Unidos da América do Norte possui um pouco mais de cem faculdades de medicina, para uma população de trezentos milhões de habitantes.

Enfim, a nossa cultura é de valorização daquilo que é feito fora do país, pois não fazemos o simples dever de casa.

Continuaremos com esse complexo de inferioridade enquanto demonstrarmos incompetência nas nossas mínimas obrigações constitucionais.

Precisamos de um governo “padrão FIFA”, onde tudo é do primeiro mundo. 

Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT

 

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