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Opinião

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Quinta-Feira, 06 de Março de 2014, 16h:05 | Atualizado:

Renato de Paiva Oliveira

Lei da Oferta e Procura

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O endereço de e-mail abaixo com o nome da empresa, no caso um hotel, pode sugerir que estou escrevendo em causa própria. Não é verdade e no final explico a razão. 

O assunto é o valor da hospedagem nas sedes da copa, caso de Cuiabá, durante o evento da Fifa, no próximo mês de junho. 

O Procon daqui, segundo ouço na imprensa, parece que está pressionando os donos de hotéis a não elevarem os preços das diárias durante as competições aqui na capital. Parece que estão tentando anular os efeitos da conhecida “lei” de procura e oferta. Acho que neste caso o mais fácil seria pedir à Câmara de Cuiabá que anule esta lei. “A casa dos artistas” como tem sido chamada pela imprensa, se acha tão poderosa que, pelo menos, tentaria essa façanha. Brincadeira a parte, todos os setores são influenciados por ela (a lei, claro). As passagens aéreas, por exemplo, às vezes duplicam, triplicam ou até quadriplicam de preço, conforme a disponibilidade das companhias ou a proximidade dos voos. 

Quem usa hotéis no Rio de Janeiro precisa estar disposto a enfiar bem fundo a mão no bolso se quiser hospedar-se lá no carnaval, na passagem do ano ou em outros eventos grandiosos. 

Também, se o tempo não ajuda e a chuva tarda, temos que pagar mais pela carne de boi, e, se chuva se alongar, gastar mais para comprar verduras. Há pouco mais de um ano, o preço do tomate quadriplicou porque o tempo não favoreceu a cultura. O preço que era de pouco mais de 3 reais passou para 13 o quilo. Por que o Procon não foi lá intimar os produtores: “Ó gente, vamos baixar esse preço aí, tá muito caro”. Ou ligar pra Tam e exigir igualdade de preço em qualquer ocasião. 

O ano passado houve uma grande seca nos Estados Unidos e o milho aqui em Mato Grosso ficou com o preço muito interessante para o produtor. Depois a produção americana regularizou-se e com ela os preços do cereal. 

Lembram-se dos preços do petróleo há alguns anos? A diminuição da oferta dos países produtores elevava tanto os preços que virava notícia obrigatória nos telejornais. Depois com a descoberta de mais campos de produção e do gás e óleo de xisto nos Estados Unidos a oferta estabilizou-se e com ela os preços. 

Com o perdão da obviedade, claro que a demanda e a oferta determinam os preços. Por que então, no momento em que há uma maior procura por leitos nas sedes da copa, os hotéis de Cuiabá não podem cobrar mais caro? Se eles exagerarem, que assumam o risco de ter uma ocupação menor que o desejado. Não há como os “Procons” da vida se meterem nessa negociação. Mesmo porque inexistem partes vulneráveis envolvidas no processo. Vir para os jogos é uma escolha de quem tem dinheiro e quer gastá-lo. 

Agora uma coisa é certa, a cobrança deste ou daquele preço não afetará em nada o interesse dos turistas pelo nosso estado no pós-copa. Todo mundo sabe que ocasiões especiais levam a cobrança de preços especiais. Só o Procon tá por fora. 

Voltando ao começo: não escrevo em causa própria porque nosso hotel não tem unidades para ser ofertadas ao público no período do mundial de Futebol. É o Hotel oficial da Fifa e com ela negociamos toda a disponibilidade. 

Também não escrevo em nome dos companheiros, pois não me deram procuração para fazê-lo e nem me pediram que o fizesse. Mas incomoda ver tantos empresários, a maioria donos de pequenas empresas familiares preocupados com a pressão. 

Não entendo de leis e de Procons, assim não posso opinar se há algum amparo legal para essa interferência. O melhor é consultar nossas associações para tomar uma posição mais segura. 

*RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor. 

 

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