24 de Agosto de 2019,

Opinião

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Domingo, 21 de Julho de 2019, 10h:00 | Atualizado:

Renato Nery

O poder discricionário

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No dia 16.06.2019, foi publicada no Jornal A Gazeta – Caderno 3B, uma entrevista com o famoso arquiteto Jaime Lerner  precursor e realizador das muitas inovações urbanas em Curitiba-PR. Nela, há várias e dolorosas verdades a respeito do VLT (trens urbanos). Inicialmente, fica claro que este modal é de ricos, pois pobres andam de BRT (ônibus). Por exemplo, Curitiba que é pobre optou pelo BRT e Cuiabá que é rica pelo VLT. Os “sabem tudo” daqui deveriam, antes de tomar uma decisão de tal envergadura, não somente consultar os seus interesses e bolsos, mas, também, quem entende do “riscado”. 

O renomado arquiteto, após afirmar que o cidadão precisa trabalhar mais próximo da moradia ou ter transporte que facilite a locomoção para o trabalho, acrescenta: “acredito que o BRT, hoje presente em mais de 170 cidades do mundo afora, é a solução que melhor equilibra  a oferta a um transporte de qualidade, a um custo de implantação e operacional mais acessível”.....É o melhor custo benefício, ... e capacidade  de absorver inovações, acredito no BRT como a melhor solução”.

E continua - em uma  elaboração que fizera de um plano preliminar  para uma rede de transportes urbanos para Cuiabá em 2006, afirma: -  “Na época do estudo, nossa proposta focava o BRT, e quando Cuiabá anunciou o investimento em VLT, na esteira dos preparativos da Copa do Mundo, não vi como uma decisão acertada”.

Ele é incisivo a respeito do caminho a tomar na atual situação do fracasso da implantação do VLT. “Entretanto, independente do caminho que se escolha, será uma decisão dolorosa, pois ou se irá comprometer a capacidade de investimento do município em todas as áreas por muitos anos no futuro, ou ficará um marco na trama da cidade e na memória dos cidadãos de mais um projeto em que recursos públicos não tiveram o melhor destino”. 

Os jornais anunciam que se formará uma parceria entre membros do Executivo Estadual e do Ministério do Desenvolvimento Regional para estudar a viabilidade e a solução para o insepulto VLT Cuiabá/Várzea Grande. E a novela que já completou um lustro, sem solução, promete se prolongar ainda mais, com o ônus decorrente da continuada e infausta demora. 

Os administradores públicos têm como parâmetro para tomar decisões, o Poder Discricionário que implica em tomar a melhor e mais acertada decisão para preservar o interesse público. Não me parece, pelo exposto acima, que o VLT foi a melhor decisão! Isto implicou em severos prejuízos para os cofres públicos e deixou as cidades à míngua de um serviço de deslocamento urbano, digno deste nome. 

O Jornal, A Gazeta, tem reiterado, em diversas edições, que os delatores devolvem apenas uma parte ínfima do patrimônio que se apropriaram. Esta afirmação nos leva a uma conclusão muito simples: o crime compensa. 

Decisões desastrosas como a do modal VLT devem ter responsáveis? Eu creio que sim, até para serem pedagógica e evitarem em que situações como esta se repitam. A situação clama por uma punição e a integral composição do dilapidado patrimônio público ou acabará, como promete, em pizza!      

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br

 

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Comentários (2)

  • Citizenship | Segunda-Feira, 22 de Julho de 2019, 05h41
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    PS: Onde se lê: "avolumando o tráfico/', leia-se: "avolumando o tráfego".

  • Citizenship | Domingo, 21 de Julho de 2019, 12h46
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    1. O modelo de transporte público que Jaime Lerner estruturou para Curitiba datta de aproximadamente 40 anos atrás, do final dos anos 1970 e início dos anos 1980. 2. O modelo baseava-se no conceito de integração de itinerários, em linhas circulares abrangendo a totalidade do território do município da época, em corredores centrais e itinerários de proximidade circundantes avolumando o tráfico nos corredores centrais. 3. Nas cidades médias e grandes de todo o planeta sabe-se que o melhor modelo de transporte público é baseado em trilhos. Metrôs e trens de superfície. Se há um primeiro impacto financeiro mais alto de implantação, a vantagem nos custos de manutenção no decorrer do tempo evidenciam-se por tornar o sistema menos oneroso e muito superior em termos de qualidade de transporte, redução de acidentes, redução da poluição, segurança de trânsito e outros benefícios. 4. Se o financiamento da implementação fosse feita com recursos orçamentários próprios, o argumento do custo de implementação valeria, mas segundo o que se divulgou, o custo de implementação seria custeado por financiamento de longo prazo, cujos recursos, inclusive, já tiveram grande parte do seu montante, liberados. Para financiamento de longo prazo, avaliaçao de longo prazo. No médio e longo prazos, os sistemas VLT são muito superiores aos BRT.

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