07 de Abril de 2020,

Opinião

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Segunda-Feira, 23 de Março de 2020, 07h:58 | Atualizado:

Gonçalo de Barros Neto

Saúde para todos e todas

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Desde o final do século XVI, a esmagadora maioria dos países europeus se preocuparam com o estado de saúde de sua população em um clima, político, econômico e científico característico do período dominado pelo mercantilismo (Foucault, em Microfísica do Poder). 

Diferentemente, a Alemanha, saindo da perspectiva mercantilista, que consiste basicamente em controlar os fluxos monetários e mercantis entre as nações e do mercado interno dos países, adota uma política médica de Estado. 

Essa política médica, em apertada síntese, consistia: num sistema muito mais completo de mobilidade que o simples levantamento das taxas de mortalidade e natalidade até então praticada; instrumentos de normalização da prática e do saber médico; uma organização administrativa para controlar a atividade dos médicos; a criação de funcionários médicos pelo governo etc. (Foucault, idem).

Assim, ao colocar em vigor essa política médica, a Alemanha do século XVIII já contava com um elevado conhecimento e prática em torno do que seja saúde pública.

Mas o que se nota, em pleno século XXI, por parte de alguns países? A volta de políticas voltadas ao mercado no âmbito da saúde coletiva, culminando na desestruturação e quase falência de seus sistemas públicos de saúde.

A retórica não é panfletária, é real e implacável. 

A Alemanha está a enfrentar o coronavírus (COVID-19) tendo como plataforma uma sólida política de saúde coletiva, assim como enfrentou com sucesso outras virosas e pandemias do século XX. 

E os outros? Os outros direcionaram seus gastos para a área militar, bancos, mercado etc., e não pensaram em estabelecer, de forma permanente e eficaz, a gestão de seu sistema de saúde, de saúde coletiva (SUS).

Não se poderia prever! Certo. Como é certa a ocorrência de epidemias. Nessa área, não há neutralidade e isenção de pena para quem não fez o dever de casa. 

A igualdade estabelecida, representada na metáfora de que a ninguém é dado o direito de ser enterrado em pé, apavora àqueles que sempre fizeram de seu egoísmo e individualidade a panaceia de seus infortúnios. 

O COVID-19 fez a todos, iguais. E agora? 

Não coloque seus tesouros no banco, no mercado financeiro, mas no céu (no altruísmo, na bondade, na solidariedade etc.); no que é, em essência e moralmente, correto. 

Lembrando a Russell: ‘não é com orações e humildade que fazemos com que as coisas aconteçam do modo como a gente quer, mas com o conhecimento das leis naturais’ (Robert E. Egner, trad. De Pedro Jorgensen Jr., O Melhor de Bertrand Russell). 

Apesar de que, particularmente, reconheço o poder da fé e da oração voltados para o reencontro natural do povo consigo mesmo e com Deus. Mas a ciência tem, sempre e sempre, seu lugar. 

‘Dizia-se que a fé remove montanhas, e ninguém acreditava; hoje, ninguém tem dúvida de que a bomba atômica (coronavírus) as remove’ (idem).

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é formado em Filosofia e Direito.

 

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Comentários (1)

  • Pacufrito | Segunda-Feira, 23 de Março de 2020, 21h36
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    No Brasil meu amigo, a única preocupação destes políticos imorais, e boa parte do judiciário e a saúde dos seus, mas não do seus irmãos brasileiros, eles estão preocupados com os seus mesmo, sua família e amigos, boa parte deste turma quando ficam doente, sabe onde eles vão se tratar??? nos se melhores hospitais do Brasil, e sabem com que dinheiro??? com dinheiro público, VERGONHA. Se estes imorais fossem obrigados a se tratarem nos hospitais públicos, com certeza teríamos uma saúde de qualidade.

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