18 de Agosto de 2019,

Opinião

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Quarta-Feira, 22 de Maio de 2019, 09h:25 | Atualizado:

Renato Nery

Vale de lágrimas

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Uma casa noturna que frequento tem em frente um estacionamento para clientes. Lá um Senhor, já de idade avançada, é o responsável pelo serviço.  Ele cuida de negócio próprio, com a ajuda da mulher, até perto do amanhecer, quando os últimos clientes vão embora. E nos finais de semana, ainda trabalha pela manhã, pois essa casa noturna  fornece o almoço. 

Ele me disse que antes não conseguia pagar as contas com os proventos da pequena aposentadoria. E que agora, apesar de ter que trabalhar a noite e durante o dia, nos finais de semanas, estava conseguindo “graças a Deus” manter-se com a sua família.

Em outra oportunidade, eu conheci uma professora, refugiada cubana que morava em Cuiabá e trabalhava de segunda a quarta-feira numa cidade do interior do Estado a 200 km; e de quinta-feira a sábado, em outra com a mesma distância, em outro local no interior do Estado.  Eu lhe disse que  a sua vida era difícil e penosa e ela com toda calma me respondeu: penoso e difícil é não ter trabalho! Eu fiquei desconsertado e sem palavras. 

E me veio na memória a crescente alta da taxa desemprego desse País sem remissão.  Quanta gente sem trabalho que aceita qualquer ocupação para sair de vida de privações. Quem não tem trabalho precisa de um a ser conseguido a qualquer custo.  Difícil é passar necessidades e não ter como se manter e nem comprar o pão de cada dia.  

Por outro lado, tanta gente que  reclama de tudo sem ter a devida dimensão das provações do  mundo e de seus altos e baixos, e de seus inúmeros e cruéis percalços. E outros a quem nada falta, mas que se negam em reconhecer a existência de um mundo de necessidades e privações que agridem o senso cristão da vida em sociedade. 

A palavra do filho de Deus é definitiva: “Sempre haverá pobres na terra. Portanto, eu lhe ordeno que abra o coração para o seu irmão israelita, tanto para o pobre como para o necessitado de sua terra”. (Deuteronômio 15:11). 

Até quando a dor do outro não nos atingirá? Até quando uns terão tudo e outros nada? Até quando esse imenso e rico País continuará a ser um impiedoso padrasto?

O tema aqui abordado me é caro e já o mencionei em diversos artigos, mas sempre fico com a impressão que os ouvidos são moucos e que estou bradando no deserto. Resta-me apenas uma certeza: estou fazendo a minha parte e a dúvida  de que se isto fará alguma diferença!

P.S. – Fundo do Poço – Com as eleições de outubro/2018 parecia que iriamos sair do fundo do poço. Transcorridos mais de 120 dias do novo Governo, a impressão que se tem é que não chegamos ao fim de tal poço. Parece que muita água vai rolar até que isso aconteça. Portanto, haja fé e “pé na tábua”, pois o suplício ainda continuará por mais tempo. Entretanto, é preciso que cheguemos lá, pois somente depois do caos é que virar a ordem, como ensina um provérbio chinês sempre citado pelo jornalista Onofre Ribeiro. Ressalte-se, por fim, que não existe remédio para a falta de empatia e de sensibilidade, infelizmente! E contra a psicopatia não há remição! E este Brasil é, com certeza,  um vale de lágrimas! Até quando!

Renato Gomes Nery. E-mail – rgnery@terra.com.br

 

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Comentários (3)

  • alexandre | Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 08h00
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    Quando não se tem argumento, parte para ignorância e chingamentos, tá no manual MAV, to arrependido não, dia 26 o povo volta as ruas firme e forte em apoio as reformas e combate a corrupção. ninguem falou que seria fácil mudar este pais, enfrentar a velha politica e vicios de velhos politicos tradicionais....até agora os cortes na educação foram 2,5%, na verdade foi protesto pelo lula livre... faça texto melhor então ?

  • Ângelo | Quarta-Feira, 22 de Maio de 2019, 23h10
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    Deixa de ser canalha, Alexandre ! Gente como você e o suposto "articulista" não passam de bolsominions arrependidos ... que texto infantil e ingênuo ..

  • alexandre | Quarta-Feira, 22 de Maio de 2019, 12h17
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    A esquerda chora pois não aceitou perde a lacração, a direita reclama pois os partidos do centrão , querem o toma lá e cá, para votar os projetos do governo,enquanto isso o pais patina, quem criou o presidencialismo de coalizão, foi o lula, quem infelizmente originou o mensalão e o petrolão, que arrebentou com pais. para gerar empregos tem que controlar o deficit publico, só empatia não gera empregos...

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