10 de Dezembro de 2019,

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Domingo, 17 de Novembro de 2019, 21h:45 | Atualizado:

‘No fundo eu queria viver’, relata mulher que tentou suicídio


Gazeta Digital

Carina* tem 25 anos, ensino superior, emprego estável, uma vida relativamente tranquila. No entanto, a relativa tranquilidade era só aparência. Por dentro, ela não sentia vontade de viver e tentou tirar a própria vida. Ela não conseguiu, mas, por ano, cerca de 200 pessoas cometem suicídio em Mato Grosso.

A vida de Carina mudou depois desse episódio. Ela foi internada, precisou de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Com o tempo conseguiu mudar de vida e voltar a ver o lado bom das coisas.

O caso de Carina não é isolado. Para se ter uma ideia, em 2018 foram registrados em Mato Grosso 745 casos de pessoas que atentaram contra a própria vida ou provocaram lesões graves com automutilação. No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) existe uma subnotificação do tema, pois grande parte das vítimas não procura atendimento médico.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram que em Mato Grosso a maioria das tentativas, 61,4% são feitas por mulheres. Mesmo assim, em 78,3% dos casos de morte por suicídio, as vítimas são do sexo masculino. "Eu comecei a perder o encanto com as coisas. Nada parecia estar bom. Dinheiro, festas, bebida, nada me deixava bem. Só queria sumir, dormir e não acordar. Parecia que ninguém se importava comigo, que não sentiriam a minha falta se eu morresse", relembra Carina.

No momento mais crítico de sua doença - ela foi diagnostica depois com síndrome do pânico e transtorno de ansiedade - tentou acabar com a própria vida. Mas se arrependeu após tomar medicamentos. "Eu procurei o médico, contei tudo. Apesar de querer morrer, quando comecei a passar mal me deu um pânico. No fundo eu queria viver, só não queria mais viver naquela tristeza profunda", lembra ela.

Além de ser mulher, Carina também está na faixa etária com maior mortalidade de suicídio em Mato Grosso, dos 20 aos 29 anos. Pessoas solteiras ou sem relacionamento estável, assim como ela, também são 72,8% das vítimas desse tipo de morte.

Mesmo com algumas características mais expressivas, o suicídio pode acontecer com quem menos se espera. Uma pessoa jovem, alguém com dinheiro ou até mesmo quem aparentar estar sempre feliz. "Tinha gente que não sabia que eu estava mal. Porque eu me fechava para todo mundo, até os meus amigos. Quando tentei me matar vieram me perguntar por que não pedi ajuda. Mas eu não sabia como e algo na minha cabeça me dizia que ninguém iria ouvir", afirma Carina.

Para superar o período difícil, ela escutou os médicos e iniciou um tratamento com remédios e terapia. Aos poucos começou a melhorar e mesmo não estando "100%", já consegue lidar melhor com os problemas. "Não sou sempre feliz. Tenho dias péssimos, mas hoje consigo ver que eles vão passar. A gente não vê saída, não vê ajuda, só enxerga a rejeição. Mas vale a pena procurar ajuda, eu sou a prova disso. Fazer o tratamento mudou completamente a minha vida", comemora.

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