18 de Fevereiro de 2020,

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Terça-Feira, 21 de Janeiro de 2020, 08h:30 | Atualizado:

BARBA BRANCA

Nova espécie de macaco é encontrado na Amazônia

Alberto Caldeira / arquivo pessoal

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Uma nova espécie do macaco "zogue-zogue" acaba de ser descrita na Amazônia: é o Plecturocebus parecis, possivelmente visto pela primeira vez há mais de um século. O nome científico de batismo do primata faz referência à Chapada dos Parecis, já que macacos da espécie foram observados em uma área da região que fica entre Rondônia e Mato Grosso (MT).

"Em 2011, foram observados os primeiros indivíduos de zogue-zogue, vistos nos municípios Pimenta Bueno e Vilhena. Conferimos artigos e livros para verificar se já existia uma descrição ou se tratava de uma espécie nova. Observando a morfologia, levantou-se a hipótese de que seria uma espécie nova. Agora foi descrito cientificamente. É oficial", explicou Almério Gusmão, pesquisador da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e professor do Centro Técnico Estadual de Educação Rural Abaitará (Centec Abaitará), em Pimenta Bueno (RO).

A recém descoberta foi publicada no periódico Primate Conservation. Além de Almério, a pesquisadora Mariluce Messias, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), e outros 13 cientistas do Acre, Pará, Sergipe e da Universidade Estadual de Nova York, em Stony Brook, nos Estados Unidos, fizeram observações de grupos do mais novo "zogue-zogue". Outros registros do animal foram obtidos em regiões de Mato Grosso.

"Agora são 24 espécies do Plecturocebus descritos. O Plecturocebus parecis foi descrito recentemente, em dezembro de 2019, quando saiu a publicação", complementou Mariluce Messias.

"De barba branca e costas vermelhas é o único. Tem outro amarelo-esbranquiçado, mas é encontrado bem mais distante, com grau de parentesco distante", disse Almério Gusmão.

A diferença que saltou aos olhos dos estudiosos foi a coloração do macaco. Diferentemente da pelagem grisalha característica do Plecturocebus, o também conhecido como "zogue-zogue-de-barba-branca" conta com uma coloração que mescla entre castanho e vermelho nas costas, tons claros e pelos curtos nas mãos, além da barba esbranquiçada. Foram investigadas mais de 50 variáveis do primata.

O único relato breve sobre a espécie foi feito pelo naturalista Alipio de Miranda Ribeiro, da Comissão das linhas telegráficas de Rondon, publicado em seu livro em 1914. Alipio de Miranda descreveu que dois espécimes foram coletados na cabeceira do rio Ji-Paraná, em Rondônia, que aparentemente se tratavam do "zogue-zogue" dos Parecis.

O naturalista identificou os animais provisoriamente, então, como sendo o Plecturocebus cinerascens. Mas o macaco ficou "esquecido" e o novo "zogue-zogue" foi reencontrado na natureza em uma região de Vilhena (RO), na divisa com Mato Grosso (MT), em 2011.

"Quando vimos essa espécie percebemos que era muito diferente. Mas em alguns mamíferos é comum a variação de cor ao longo das populações. Às vezes há alguns casos de animais que são muito diferentes da pelagem, mas quando se olha a genética é muito parecida, é muito próxima", revelou Mariluce Messias.

Quase ameaçado de extinção

Os pesquisadores esperam que o Plecturocebus parecis passe a fazer parte da lista dos animais quase ameaçados de extinção, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O motivo é que o habitat natural da espécie está sendo destruído pelo desmatamento na Amazônia.

"Ele vive no chamado 'Arco do Desmatamento', área onde as matas foram abertas para dar lugar a plantações ou gados. Um grupo do zogue-zogue foi encontrado, por exemplo, no meio de uma lavoura de soja", explicou Almério Gusmão.

"Os registros atuais são de áreas de desmatamento. Então é naquela região Sul do estado de Rondônia onde tem muita pressão, uma cultura de soja, de milho, de pecuária extensiva, tanto em Rondônia quanto em Mato Grosso", disse Mariluce Messias.

O próximo passo é definir a descrição geográfica, além dos fatores ecológicos do Plecturocebus parecis. Conforme Mariluce Messias, tais informações ajudariam, por exemplo, a estimar a densidade populacional e entender o quão ameaçado de extinção poderia estar. Do contrário, seria difícil tomar medidas de conservação.

"Precisamos definir o limite certo, até onde que ele vai, o que define a distribuição ou qual o fato ecológico, pois não é só isolamento biogeográfico. Na grande maioria das vezes na bacia amazônica, as principais barreiras geográficas que impedem a formação de novas espécies são os grandes rios. Ou serras também", ressaltou a pesquisadora.

 

 

 

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