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Opinião

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Quinta-Feira, 03 de Julho de 2014, 08h:23 | Atualizado:

Gabriel Novis Neves

Solidariedade

Gabriel Novis

 

Este sentimento está tão atrofiado em nossa sociedade, que nem mais o identificamos. Muitos já se esqueceram de que as homenagens são para os mortos, e que os vivos necessitam de solidariedade.

Não é que, quando menos esperamos somos surpreendidos pela presença dela, que tão bem faz a nossa saúde?

A solidariedade não tem pátria, e é possível encontrá-la em qualquer lugar, independente da raça, religião, ideologia política e outras invencionices desnecessárias à nossa harmonia e felicidade.

Como nos sentimos acarinhado pela presença dela! É como se tivéssemos recuperado parte do nosso corpo.

Difícil encontrar uma causa do seu desaparecimento, ainda mais quando não deixa saudades.

O egoísmo patológico. O consumismo desenfreado. A loucura da competição sem parâmetros éticos. A luta pelo “ter”, e não, pelo “ser”. A deturpação da educação das crianças pelo “criar”. Esses são alguns dos fatores férteis de desenvolverem em genética predisposta e no ambiente que vivemos.

O ser humano perdeu importância. Os valores verdadeiros foram substituídos por equívocos fatais de uma sociedade em decomposição onde reina a violência, brutalidade, corrupção, campos impossíveis de sobreviver a solidariedade.

A chamada solidariedade humana, atualmente, não resiste ao teste do olho no olho.

Como dizem os sábios populares, falar é fácil, difícil é fazer.

As nossas instituições nunca são solidárias. Inocentes morrem por falta de medicamentos, enquanto centenas de caixas de remédios são jogadas no lixo por terem o seu prazo de validade vencido.

O grande escritor e jornalista Otto Lara Rezende cunhou uma frase que demonstra o que representa a solidariedade: “o mineiro só é solidário no câncer”.

Conceito profundo de um pensador no simbolismo do câncer, que, muitas vezes, é o final da nossa existência.

A solidariedade humana é o verdadeiro oxigênio que irriga os nossos tecidos.

Exterminá-la é viver descerebrado.

Incrível como nesse mundo globalizado, materializado, competitivo, futilizado, isso não incomoda e, muitas vezes, nem é observado.

Existem neste Planeta ilhas resistentes a essa doença mais grave que todas as guerras, mais cruéis que sejam.

“Nós estamos aqui na Terra para sermos bons para os outros. Já, porque os outros estão aqui, eu não sei porque".  

Gabriel Novis Neves é médico

 



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