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Opinião

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Quarta-Feira, 26 de Março de 2014, 10h:40 | Atualizado:

Gabriel Novis Neves

Culpado

Gabriel Novis

 

Estamos carecas de saber que quando erramos a culpa é sempre do outro.

Isso já é uma cláusula “pétrea” da nossa cultura. Precisamos de muita “escola” e, principalmente, humildade para reconhecermos e corrigirmos os nossos próprios erros.

Que gesto bonito é este! Deveria ser imitado.

Dia desses aconteceu, nesta bendita terra de São Benedito, um fato único e inusitado, pelo menos para mim.

Um engenheiro do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) concedia uma entrevista em uma rádio local, e o assunto era a bananosa em que o governo se meteu com a execução das obras da Copa.

Atrasos de cronogramas de todas as planilhas de intenções assinadas com a FIFA (dona do evento), inaugurações com festas, placas e discursos em obras inacabadas e, principalmente, a má qualidade das construções.

A três meses do início dos jogos o nosso campo de futebol, chamado de Arena - a única retangular, contrariando o secular entendimento que vem desde o Império Romano quanto a sua forma circular – ainda não tem as suas quarenta e quatro mil cadeiras fabricadas. Hoje, apenas cerca de doze mil estão aparafusadas na Arena retangular.

O gramado importado dos Estados Unidos da América do Norte, após vencer uma crise de pragas tropicais e as chuvas torrenciais, ainda não obteve autorização para ser testado.

O Ministério Público está preocupado com a ausência de uma resposta convincente sobre a estrutura da “joiazinha” de quase um bilhão de reais após um incêndio misterioso.

O estacionamento e as obras do entorno da Arena ecológica, que joga o seu esgoto “in natura” no córrego e daí ao Rio Cuiabá contaminando o nosso pantanal, não foram iniciadas.

Aeroporto fica por conta de São Tomé, no dizer do Ministro da Aviação Civil, um dos trinta e nove deste governo.

Os viadutos, recém-emplacados com o nome dos responsáveis pelas obras, estão a nos envergonhar com as novas reformas.

Em nenhuma delas consta o nome do CREA como órgão fiscalizador, e sim, das autoridades dando o selo de qualidade para a excelência da obra e do homenageado.

Algumas obras que obtiveram incentivos fiscais concedidos pelo governo federal, com efeito cascata nas arrecadações estaduais e municipais para serem entregues para a Copa, não têm nem data para a sua utilização.

É o caso do transporte modal VLT, cujo valor está em torno de um bilhão e seiscentos milhões de reais.

Os otimistas oficiais acham que daqui a três anos teremos essa conquista tecnológica implantada e funcionando.

Com relação às trincheiras nem gostaria de escrever sobre o descaso como foram feitos os projetos, mas vou exemplificar abaixo o caso de uma.

O projeto da trincheira da entrada do bairro Santa Rosa, uma das mais importantes e de maior visibilidade, foi feito de forma tão catastrófica, que durante as escavações encontraram um grande empecilho – a adutora de água tratada que servia àquela região. Resultado: obra paralisada até a elaboração de um projeto auxiliar de grande sofisticação tecnológica.

Não ficará pronta para a Copa, e seu custo final será exorbitante, segundo relato da própria SECOPA e Tribunal de Contas do Estado.

Pois bem, a essa altura entra no ar o responsável pelas placas das inaugurações e, contrariado com o relato técnico do engenheiro do CREA, diz que tudo de errado que está acontecendo deve-se única e exclusivamente aos engenheiros de Cuiabá.

Ora bolas! Os projetos não foram feitos por eles, tampouco o planejamento, a execução e o monitoramento das obras, realizadas por poderosos consórcios multinacionais.

O pior é que aquilo que há oito anos fora programado para ser uma grande festa com apoio popular, hoje é considerado como prova de incompetência de um governo, e outras coisas mais.

A nossa sorte é que, contrariando a opinião pública, fomos informados oficialmente que os culpados pelo fiasco das obras são os nossos engenheiros.

Ainda bem que saberemos a quem punir nas próximas eleições...

Gabriel Novis Neves

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