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Polícia

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Segunda-Feira, 14 de Julho de 2014, 12h:33 | Atualizado:

Acidentes de trânsito matam 52 pessoas em Cuiabá e VG

Cinquenta e duas pessoas morreram em acidentes de trânsito na Grande Cuiabá nos 6 primeiros meses do ano. São 25 mortes na Capital e 27 em Várzea Grande. Mas o número de vítimas pode ser ainda maior, pois estes dados referem-se às mortes no local do acidente. Estima-se um percentual de até 10% a mais de vítimas que morrem poucas horas ou dias depois de passarem por internações hospitalares. No ano de 2013 foram 112 mortes, destas 72 na Capital e 40 em Várzea Grande. Os feridos chegam a 904 na Capital e 236 em Várzea Grande entre 1º de janeiro e 30 de junho.

Para o delegado Christian Alessandro Cabral, titular da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), as mortes e os acidentes que deixam dezenas de mutilados são reflexo da falta de educação e respeito de condutores às normas e leis de trânsito. Para ele, não é mais o momento de se priorizar ações de educação, mas intensificar a repressão. É necessário maior investimento do Estado para empregar efetivo nas ações repressivas às infrações de trânsito, buscando a conscientização que não veio com as ações voltadas à educação.

Um exemplo de ações são as operações da Lei Seca, que em 6 meses realizaram 9 barreiras, resultando na prisão em flagrante de 94 condutores que apresentavam sinais de embriaguez ou índice de álcool superior a 0,34 miligramas por litro de sangue, conforme exame do etilômetro (bafômetro).

Vias - A finalização das obras de mobilidade urbana e entrega das mesmas já causa grande preocupação para o delegado, que vê aumentar o risco de acidentes e mortes. Lembra que no período em que as principais vias rápidas que cortavam a região metropolitana estavam interditadas parcialmente, o número de acidentes fatais caiu. Cresceram as pequenas colisões sem vítimas.

Mas com a liberação de viadutos e elevados nas avenidas Miguel Sutil, Fernando Corrêa da Costa e avenida da FEB, a expectativa é que aumentem acidentes com mortos e feridos. Isto porque, explica Cabral, facilmente se chega à velocidade de 120 ou 140 quilômetros por hora nestas pistas e em muitos trechos se verifica o desnível na camada de asfalto além da ausência de iluminação e sinalização necessária. O fato dos motoristas desrespeitarem a sinalização e estacionarem ao longo destas vias rápidas, apesar da proibição, também compromete o fluxo e traz riscos de acidentes.

Aponta a falta de pistas para condutores que ingressam nas rotatórias da avenida Miguel Sutil, tanto no acesso ao bairro Despraiado como quem vem de Várzea Grande, na rodovia Mário Andreaza. “Os condutores que precisam ingressar na via rápida ficam expostos aos veículos que vem em alta velocidade. As pistas se estreitam sem que haja sinalização adequada”, aponta.

Segundo o delegado, a fiscalização eletrônica pode ser uma aliada no combate ao desrespeito às leis. Mas salienta que em nenhum momento em que se tratou da instalação e volta dos equipamentos, a delegacia foi consultada sobre quais os pontos mais críticos e onde são registrados mais acidentes na Capital. Cita o caso da avenida Isaac Póvoas, onde está prevista a instalação de um equipamento para monitorar o avanço de semáforo. Este equipamento seria instalado na parte baixa da avenida mas é justamente na parte mais alta, na região de bares e boates, é que nas madrugada acontecem os acidentes mais graves e fatais. Por não ter conhecimento do projeto de instalação, o delegado admite desconhecer quais os critérios usados para a escolha dos pontos que irão receber os equipamentos.

Entre as infrações que mais contribuem para os acidentes estão excesso de velocidade e avanço de sinal. Outra modalidade que tem sido flagrada constantemente é o retorno de veículos em locais proibidos, principalmente canteiros centrais e passeios. Os motoristas se arriscam nas manobras e causam acidentes com frequência, destaca Cabral.

Gradativamente, a Deletran vem implantando um sistema próprio de coleta de dados, até para subsidiar as ações. A cada final de plantão são feitos relatórios pelas equipes, apontando os tipos de ocorrências atendidas e locais em que ocorreram. A ideia é montar um banco de dados específico, com maior informação possível sobre o trânsito na Grande Cuiabá.

A crescente violência no trânsito da região metropolitana colocou Mato Grosso na rota da Organização das Nações Unidas (ONU), pois segundo Cabral, a cidade está entre as mais violentas do país em se tratando de trânsito. A ONU lançou a “Década de Ação pelo Trânsito Seguro”, projeto a ser desenvolvido ao longo dos anos de 2011 a 2020.

Lembra que no Estado houve a desarticulação das instituições que atuavam no setor, na gestão do governador Blairo Maggi, entre 2002 e 2008. A retomada foi gradativa com a volta do Batalhão de Polícia Militar de Trânsito e da Delegacia que haviam sido desativados. No período deixaram de ser registrados muitos dados importantes sobre o setor.

Gabinete - Uma das ações propostas para atender ao chamamento da ONU foi a implantação do Gabinete de Gestão Integrada, que vem coordenando hoje as ações das operações da Lei Seca na Grande Cuiabá. Coordenado pelo tenente-coronel Bombeiro Militar Átila Wanderley da Silva, já está impondo à Capital uma rotina de fiscalização. O objetivo é conscientizar os condutores de que ingerir bebida alcoólica não é proibido, mas dirigir sobre o efeito de álcool é crime. Átila destaca que lentamente vem sentindo mudanças de comportamento. Já percebeu, em muitas abordagens, que as mulheres estão na direção do veículo e dizem que existe um acordo prévio entre o casal para que o condutor não beba, pois corre o risco de ser autuado em uma blitz. “É uma pena que a preocupação reside no flagrante do crime e não com a segurança de quem está no veículo ou de terceiros. Mas já é um avanço importante”.

O envolvimento de várias instituições nestas operações, entre policias civil, militar, rodoviária federal além de secretarias de transporte dão credibilidade às ações, que têm sido todas registradas em vídeo, inclusive para resguardar os operadores como os próprios autuados. A proposta é interiorizar as ações do comitê e chegar a outros municípios do Estado.

 



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